Caindo na Estrada: um passeio por Campos do Jordão (SP)

Campos do Jordão é uma cidade assim: charmosa e extremamente requisitada entre os viajante de todo o país! Fundada pelo português Matheus da Costa Pinto em 1874, que abriu uma pensão e uma capela por aqui, a cidade viria a ser batizada como a conhecemos hoje somente em 1934, quando foi declarada um município independente de São Bento do Sapucaí.

Viajar pra Campos é um desafio. Não por sua localização, cravada em uma altitude de 1628 metros (o que a configura como a cidade mais alta do Brasil!), no coração da belíssima Serra da Mantiqueira. Mas sim por causa dos preços altos que marcam sua identidade e a forte procura pelo destino durante o inverno no país. Em uma pesquisa realizada pelo site Alugue Temporada e publicado pelo portal da Revista Exame em 2015, a cidade aparece no topo da lista de hospedagens mais caras do inverno brasileiro. E não é só isso: seus bares, restaurantes e até mesmo suas lojinhas de malhas e chocolates, produtos extremamente procurados na região, fogem da realidade até dos paulistanos, tão acostumados com o alto custo de vida de sua terra. Mesmo assim, esse lugar tão bonitinho da serra paulista vale pelo menos uma visita na vida. Cair na estrada e experimentar algo novo, afinal de contas, é sempre uma experiência enriquecedora. E Campos merece uma chance.

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Praça de Capivari, um dos locais onde acontece o Festival de Inverno de Campos do Jordão | Foto: Camila Honorato
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Pausa pra ver o cachorrinho fofo em Campos ♥ | Foto: Camila Honorato

Pra ter uma experiência satisfatória na cidade, o primeiro passo é se preparar e até mesmo planejar roteiros alternativos, que fujam das atrações badaladas e lotadas por aqui. Exemplos disso são o centrinho, também chamado de Capivari, que concentra boa parte do comércio da cidade e das construções que marcam sua identidade, como a arquitetura inspirada no estilo alemão enxaimel e nos chalés suíços, sem deixar de lado um toque brasileiro. É aqui que fica o bar Baden Baden, por exemplo, que comercializa uma das cervejas artesanais mais premiadas do país e oferece diferentes pratos da culinária da Alemanha. No entanto, é possível recorrer a outros lugares sem apertar tanto o bolso. No mês de junho e julho, por exemplo, a Veja São Paulo organiza uma Festa Junina/Julina, com direito a jogos, barraquinhas de doces e food truck, com preços mais justos. É durante o mês de julho, aliás, que acontece o maior festival de música erudita da América Latina: o Festival de Inverno de Campos do Jordão, com uma bela quantidade de concertos lindos de música clássica, muitos deles gratuitos. Para assisti-los, é preciso consultar a programação e estar atento aos lugares das apresentações, feitas usualmente na praça principal de Capivari e no Auditório Cláudio Santoro.

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Em Capivari, a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo se apresentou durante o Festival de Inverno de Campos do Jordão 2016 | Foto: Camila Honorato
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Food Trucks na Festa Julina da Vejinha em Campos do Jordão | Foto: Camila Honorato

Minha experiência na cidade foi mais tranquila, voltada um pouco mais pra esse lado natureza. Recorremos a um passeio guiado, acompanhados de amigos, percorrendo alguns pontos turísticos locais através de um ônibus. Foi aqui que descobrimos algumas curiosidades interessantes do local. Exemplo disso é que a cidade, apesar de sua identidade europeia, foi desenvolvida por nordestinos graças a sua ampla atividade no comércio (eu sempre digo que, se não fossem eles, o país tava era mesmo lascado, minha gente!). As construções enxaimel, na verdade, são apenas uma inspiração do estilo arquitetônico, não sendo essas construídas exatamente como manda o protocolo gringo – esse, aliás, só pode ser visto em lugares específicos do sul do país, como as cidades de Gramado (RS) e Pomerode (SC).

Como se trata de serra, um dos pontos altos aqui é a natureza, com uma vegetação rica e muitas cachoeiras. Esportes são bem procurados por aqui, aliás. É legal sair dos tradicionais passeios de pedalinho e o teleférico, por exemplo (por sinal, sempre muito lotados) pra conhecer as cachoeiras, fazer trilhas, passeios de quadriciclo, tirolesa e arvorismo. Nós escolhemos o parque Ducha de Prata, mas há lugares bem mais bonitos por aqui, como o Horto Florestal, o Centro de Lazer Tarundu e até mesmo o os jardins do Parque Amantikir. Saindo de lá, cruzamos o limite da cidade de Pindamonhangaba, que faz divisa com Campos, pra observar um dos lugares mais incríveis do estado: o Pico do Itapeva, de onde é possível avistar belas montanhas e até cidadezinhas do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, que também estão dentro do território da Serra da Mantiqueira e oferecem belas opções de cidades de inverno, como Visconde de Mauá (RJ) e Monte Verde (MG).

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Queda d’água no parque Ducha de Prata em Campos do Jordão | Foto: Camila Honorato
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Pessoas praticam tirolesa no parque Ducha de Prata, em Campos do Jordão | Foto: Camila Honorato
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Vista do Pico do Itapeva, entre Campos e Pindamonhangaba | Foto: Camila Honorato

Saindo de lá, percorremos o bairro do Alto do Capivari, onde concentram-se construções imponentes e casas gigantescas, de famílias com alto poder aquisitivo. Uma das paisagens bacanas e que rendem boas fotos é a do hotel Home Green Home, que mais parece um castelão francês, tem diárias que chegam a até R$ 6 mil na Alta Temporada e pode ser reservado em sites legais, como o Airbnb. O interessante, no entanto, é a construção abandonada do antigo Hotel Mont Blanc que, fechado por má administração, começa a encontrar-se em ruínas e tem fama de mal assombrado. Passando na frente dele, com as árvores de araucárias cercando-o e o vento batendo na construção, é possível escutar os assovios do frio e observar as cortinas das janelas abertas se mexendo. A impressão é a de que, a qualquer momento, alguém vai sair por detrás delas. Não é uma sensação exatamente agradável, mas voi là: tem gente que gosta desse climão terror/suspense em viagens. Eu prefiro pular fora. Hehehehe.

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Hotel Home Green Home e a vista ao fundo do abandonado Hotel Mont Blanc | Foto: Camila Honorato

O que não é muito legal de saber é que, como toda coisa riquíssima/gigantesca/imponente, tem uma historinha meio podre por trás de todas essas casonas e do povo que as administra. O bairro do Alto do Capivari carece de comércio pelos arredores, como lojinhas e até padarias, para evitar com que caseiros e outros profissionais que trabalhem nas propriedades saiam do seu lugar de trabalho. Sim, é escroto. O legal é que, graças a um programa de incentivo do Governo, que oferece um desconto de 10% no IPTU das casas temáticas, todo mundo pode ter um lar de arquitetura europeia. Já que não é possível sair muito de lá, nada mais justo do que ter uma casinha que se merece.

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Centro de Campos do Jordão | Foto: Camila Honorato
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Construções charmosas do bairro de Capivari, em Campos do Jordão | Foto: Camila Honorato

Partindo dessa riqueza toda, encerramos o passeio em uma das muitas lojinhas de chocolate da cidade (é sério, você consegue encontrar uma em qualquer canto). Gostaria de ter mais tempo e dar um pulinho em São Bento do Sapucaí pra conhecer todo aquele complexo maravilhoso e natural da Pedra do Baú, onde a galera vai pra fazer um bom alpinismo. Mas já que não deu, pelo menos a gente fica feliz de dar uma volta pela Suíça Brasileira, conhecida dessa forma graças à ótima qualidade do seu ar e ao excelente tratamento dado no passado a pacientes com tuberculose, como o dramaturgo Nelson Rodrigues (dá pra saber mais sobre isso na biografia dele, O Anjo Pornográfico, escrito pelo excelente jornalista Ruy Castro).

Ela perde um pouquinho pra beleza e pelos melhores preços de outras cidades da serra, que inclusive possuem uma pegada mais de roça, como Santo Antônio do Pinhal. Mas é sim, afinal de contas, um amorzinho!

Veja abaixo trechos da apresentação da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo durante o Festival de Inverno de Campos do Jordão 2016: 

VAI LÁ
Campos do Jordão, São Paulo
Saldo Final: ♥♥♥ (Bom).

Crédito da Foto de Capa: Camila Honorato

LEIA MAIS: 10 curiosidades sobre Campos do Jordão – Viagem e Turismo

Agradecimentos: Na Estrada Trips / Guia de Turismo: Natan Luiz.

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