Conto: As Marcas do Holocausto

Eu gostava do cheiro da flor de laranjeira. Queria que as pessoas sentissem isso quando estivessem perto de mim. Ou tivessem uma recordação de como eu costumava ser a partir desse aroma. Uma forma de ser eternizada, lembrada. Uma forma de não deixar o que passou cair no esquecimento. Eu me lembro do exato dia…

Crônica: A saga do primeiro vôo internacional

As pessoas reclamam demais. Era o que eu pensava enquanto sentava na cabine do avião e me recostava na poltrona, descascando os esmaltes das unhas e tentando controlar as borboletas no meu estômago. Tentava me manter tranquila diante daquele passo que eu tanto havia sonhado em consquistar. Mas, no meio daquele mar gigantesco de empolgação,…

Crônica: Mas afinal, existe sexo sem sentimento?

Eu tinha a convicção plena de que conseguiria ser capaz de entrar devagar e no escuro na casa dele. Tinha certeza absoluta de que conseguiria deixar um ou dois orgamos virem em uma escala discreta de intensidade para, poucos minutos depois, levantar rápido, me vestir e sair da cama dele com um único beijo na…

Crônica: Se você ama ou gosta, demonstre

O homem que me acolheu tinha um silêncio confortador, olhos gentis e mãos lindas. Era o tipo de conforto que eu precisava sentir no inverno de mares desconhecidos: sem a necessidade de toques com segundas intenções, mas com conversas prudentes, filmes e café quente. Meses se passaram, e então esse mesmo homem de silêncio confortador…

Poema: Água Benta

Ela acreditava-se perdida. Pensava que seus devaneios doentes Eram extensões de almas brutas Atormentadas e demoníacas. Teve vertigem no caminho pro trabalho Na música clássica reproduzida Nos alto-falantes quebrados De um prédio histórico em ascensão. Registrou mecanicamente Informações irrelevantes No sistema ultrapassado do escritório. Sentiu o cheiro da loucura No ambiente da casa corporativa. Chorou…

Pequeno Manual dos Relacionamentos Casuais com Mulheres

Quando se pensa em encontros casuais, a primeira coisa que vem à mente é um tipo de diversão sem a certeza de uma ligação no dia seguinte. É o famoso “a gente se cata sem compromisso”, que isenta as pessoas do comprometimento visto em relações mais sérias e complexas. Engana-se, porém, quem pensa que uma relação…

Conto: A Casa Verde (ou a brutalidade de um sonho indesejado e interrompido)

Eu despertava com seus olhos felinos, verdes e brilhantes quando essa mesma cor invadiu meus sonhos pela primeira vez. Era só um dos muitos sonhos repetitivos que me acometiam no sono profundo e que incluíam tua presença. Não uma presença agressiva e permeada por brincadeiras repetitivas que já não surtiam mais risos. Mas uma presença…

Crônica: Você deveria fazer terapia

“Eu não preciso de terapia”. “Eu não acredito em terapia”. “Quem precisa de psicólogo é louco e eu sou normal”. Ah, as agruras da vida terapêutica… Justamente os detentores das famosas (e preguiçosas) frases de efeito, são justamente os que mais carecem da intervenção de um profissional em suas vidas pra entrarem em contato com…

Crônica: O chamado do inverno

No frio, não existe a obrigação de ser feliz. Uma amiga me disse essa frase em uma tarde de choro pós-término. Um dia onde eu só conseguia me lembrar do relacionamento que acabara de se romper, sem uma certeza de um contato, um sentimento mútuo de gratidão ou uma falta. Era um dia de cólica….

Crônica: como o Carnaval me ajudou a curar minha depressão

O Carnaval sempre foi uma data permeada por contradições pra mim. Em meio à folia colorida que invade as ruas e os sambódromos de todo o Brasil, eu não conseguia definir direito se essa data é algo que eu amo com todas as minhas forças, pela possibilidade de tanto ferver na farra quanto de descansar,…

Crônica: Quando ela escapou pelos seus dedos

Era uma bela mulher, com todos os atributos possíveis. Um corpo cheio de curvas, uma face delicada, uma inteligência fora do comum. Ele era um homem imaturo para sua idade. Uma pessoa que se cercava das mesmas piadas, com as quais pouco se sustentava, cheio de ambições vagas em detrimento de uma vida comum, onde…

Poema: “O Suicida”

O mundo é uma bola de neve, gigante e colossal. Uma bola de neve branca e capaz de engolir uma pessoa inteira. Capaz de submeter um único ser humano frágil Em uma parte integrante de suas partículas gélidas e marmóreas. Partículas de cores que mal se veem à distância. É apenas um corpo que gruda…