Crítica de Cinema: “Cavalo de Guerra” é emocionante sem ser apelativo

Mil anos sem escrever uma mísera palavra sequer nesse blog. Confesso que nos últimos meses, com o trabalho e a faculdade, deu um pouco de preguiça de fazer qualquer coisa, embora tenha tido mil ideias nesse tempo. Foi até bom ficar sem essa cobrança: me renovei e agora tenho vários projetos em mente que pretendo colocar em prática o quanto antes.

Justificativas à parte, tenho algumas impressões sobre o filme do título que eu assisti no último fim de semana, ainda que ele não seja tão recente.

Meu conselho antes de qualquer coisa: se você está com uma sensibilidade muito grande a ponto de chorar por qualquer coisa, não veja esse filme. Ele tem um apelo sentimental muito grande que pode te deixar bem pra baixo durante dias com as reflexões pesadas que ele traz.

Passado esse conselho, vamos à resenha: o roteiro centraliza no cavalo Joey e seu dono Albert Narracott (interpretado pelo lindo Jeremy Irvine), que o ganha através de um leilão. O propósito inicial é usar o animal para arar a terra da fazenda da família, mas logo os dois estabelecem uma relação de companheirismo muito intensa. Até aí, as pessoas que odeiam abertamente qualquer tipo de filme com animais já deveriam ter desistido, mas eu juro que o roteiro vai além disso. E esse é justamente um dos diferenciais do longa, assim como o já clássico “Marley & Eu”: não trata só do bichinho fofo em si, mas de sua relação com os seres humanos, as fases da vida pelas quais todos passamos e os conflitos que devemos enfrentar.

No caso de Cavalo de Guerra, o conflito é justamente um dos ápices que a crueldade humana já pôde atingir na história. Com dificuldades financeiras, a família de Albert é obrigada a vender o cavalo para o exército, que entra no campo de batalha da Primeira Guerra Mundial. Não bastasse a dolorosa separação, Joey ainda é obrigado a lidar com a crueldade humana em suas proporções mais grotescas. E é aí que o trabalho brilhante de Steven Spielberg ganha foco: as tomadas da guerra vistas pelos olhos tristes do animal nos levam a refletir sobre a necessidade de tudo isso. A briga pelo poder, as perdas sofridas pelos envolvidos… Seria tudo isso maior do que a vontade de estar perto de quem se ama?

WAR HORSE"..DM-AC-25226..Albert Narracott (Jeremy Irvine) joyfully rides atop his beloved horse, Joey in DreamWorks Pictures' "War Horse", director Steven Spielberg's epic adventure and an unforgettable odyssey through courage, friendship, discovery and wonder...Ph: Andrew Cooper, SMPSP..©DreamWorks II Distribution Co., LLC. ÊAll Rights Reserved.
Crédito: Divulgação

Perdas, encontros, desencontros… Várias histórias se entrelaçam com a de Joey, fazendo com que o mesmo sofra perdas insuportáveis. Os maus tratos sofridos tanto pelos animais quanto pelos homens leva o espectador a se contorcer de raiva. O cavalo acaba se assustando mais ainda e foge no campo minado que quase o leva à morte. É até engraçado ver uma bandeira branca ser levantada no meio de um fogo cruzado. Aliás, essa é a cena mais genial do filme: dois inimigos conversando sobre as atrocidades da guerra, cada um com sua própria história dolorosa, enquanto tentam salvar a vida de alguém fisicamente bem diferente, mas que no fundo nutre o mesmo desespero pra voltar pra casa. E enquanto isso, seu antigo dono Albert segue pela mesma jornada, com um sopro de esperança de encontrar aquele que anteriormente o fez tão feliz.

Acho válido que ainda existam roteiros simples, sentimentais e bem reflexivos. Ultimamente, o mundo do cinema está dominado por adaptações de best-sellers, sagas de heróis, robôs e tantas outras histórias que partem pra muitas cenas de ação e efeitos especiais em excesso. Quase esquecemos que ainda temos um mundo bem mais real que merece ser retratado com a devida sensibilidade.

Sobre outro ponto forte do filme: a fotografia é magnífica, sobretudo no fim. Eu obviamente não contarei como o filme termina, mas acho válido deixar um alerta pra quem for assisti-lo depois: o entardecer capta imagens fortes e alaranjadas que lembram muito a fotografia do clássico …E o vento levou. Simples, bonito e direto.

Não esqueça o lenço!

VAI LÁ!
Cavalo de Guerra
Direção: Steven Spielberg
Avaliação Final: ♥♥♥♥ (Muito Bom)

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