Conto: As Marcas do Holocausto

Eu gostava do cheiro da flor de laranjeira. Queria que as pessoas sentissem isso quando estivessem perto de mim. Ou tivessem uma recordação de como eu costumava ser a partir desse aroma. Uma forma de ser eternizada, lembrada. Uma forma de não deixar o que passou cair no esquecimento. Eu me lembro do exato dia…

Meu Livro: “Seis Estações Ventosas”

“Como em cada estação de trem, cada paragem sopra de uma forma diferente. Em cada vagão, há um jeito de o peito se comprimir. Sejam com lembranças confortadoras de amores correspondidos; com a confusão causada por paixões platônicas que acabaram optando por não ficar; com a dor e o delírio provocado pelos efeitos devastadores de…

Poema: Água Benta

Ela acreditava-se perdida. Pensava que seus devaneios doentes Eram extensões de almas brutas Atormentadas e demoníacas. Teve vertigem no caminho pro trabalho Na música clássica reproduzida Nos alto-falantes quebrados De um prédio histórico em ascensão. Registrou mecanicamente Informações irrelevantes No sistema ultrapassado do escritório. Sentiu o cheiro da loucura No ambiente da casa corporativa. Chorou…

Conto: A Casa Verde (ou a brutalidade de um sonho indesejado e interrompido)

Eu despertava com seus olhos felinos, verdes e brilhantes quando essa mesma cor invadiu meus sonhos pela primeira vez. Era só um dos muitos sonhos repetitivos que me acometiam no sono profundo e que incluíam tua presença. Não uma presença agressiva e permeada por brincadeiras repetitivas que já não surtiam mais risos. Mas uma presença…

Crônica: como o Carnaval me ajudou a curar minha depressão

O Carnaval sempre foi uma data permeada por contradições pra mim. Em meio à folia colorida que invade as ruas e os sambódromos de todo o Brasil, eu não conseguia definir direito se essa data é algo que eu amo com todas as minhas forças, pela possibilidade de tanto ferver na farra quanto de descansar,…

Poema: “O Suicida”

O mundo é uma bola de neve, gigante e colossal. Uma bola de neve branca e capaz de engolir uma pessoa inteira. Capaz de submeter um único ser humano frágil Em uma parte integrante de suas partículas gélidas e marmóreas. Partículas de cores que mal se veem à distância. É apenas um corpo que gruda…

As 4 bibliotecas mais bonitas de São Paulo

Ler é um dos melhores remédios para a alma. E ter um lugar bacana para ler em paz é essencial para a nossa saúde mental. Frequentemente, somos bombardeados com fotos e matérias que trazem as eleições das bibliotecas públicas mais bonitas do mundo, sendo que a maior parte delas leva em consideração conjuntos arquitetônicos de…

Resenha Literária: “A irmã da sombra”, de Lucinda Riley

Salve, minha gente! Que tal uma resenha literária (nem tão) fresquinha pra poder alegrar um pouco essa segunda-feira nublada? Os dias não tem sido fáceis – e eu bem acho que 2017 veio de vez pra testar todas as minhas forças (inclusive me pondo à beira do colapso com um término ou semi-término de um…

Crônica: Um nado na tempestade

Ela afundou os pés descalços na areia quando o entardecer iniciou os primeiros passos de sua despedida. Não era um dia típico de sol, e o litoral perdeu aquele encanto alaranjado do crepúsculo, quando o sol se põe no horizonte e lança suas pinceladas no céu. O dia era cinza. O vento que soprava na…

Crônica: O drama das pessoas literárias

“Mas o que acontece com você, que é tão desenvolta pra conversas por escrito e morre de vergonha quando o contato é pessoalmente?”. Quem nunca se deparou com esse dilema, que atire a primeira pedra! Pra quem mergulha de cabeça nas palavras e sente uma baguncinha quando o assunto é tocar, falar, ter contato visual,…

A poética do amor: uma crônica sobre o mais nobre dos sentimentos

Camões escrevia sobre o ‘contentamento descontente’ do amor. Sobre a dualidade que acompanha os pensamentos dos amantes. Pra mim, o amor sempre foi sinônimo de uma coisa grandiosa –  a razão pela qual respiram os grandes poetas. Poetas, esses, que me fascinaram desde a infância. Eu sonhava com o amor na sua forma literária mais pura. Sonhava com…