(+18) Minha experiência com a massagem tântrica

O tantra é uma filosofia linda, pura e cheia de elementos que estimulam nossas forças. Por causa da minha vivência no Yôga, que passa pelo aprofundamento teórico de filosofias que acabam por cruzar com ela, acabei descobrindo o tantra e suas vertentes.

Quando se fala em tantra, é comum que se associe o termo imediatamente ao sexo, e muitas vezes de maneira errônea. O tantra toca, sim, em questões ligadas à sexualidade. Mas não é só isso: seu cerne está amparado na força feminina, já que ele é completamente matriarcal. O foco do tantra é estimular e valorizar a sensibilidade de uma forma desrepressora. O prazer é sagrado e puro, tem uma série de complexidades e está do lado oposto ao da promiscuidade propriamente dita. O tantra sempre vai te estimular a tratar seu corpo com carinho e respeito, além de te ajudar a conhecê-lo profundamente.

Eu poderia escrever mais a respeito do tantra, mas vamos deixar isso para outro texto. Aqui, vou focar exclusivamente em uma experiência que eu considero fundamental para entender um pouco mais a respeito dele em termos de sexualidade. Isso porque a massagem tântrica, sobre a qual tanta gente gosta de falar, é focada em estímulos sensoriais e em despertar pontos estratégicos do corpo que levem ao prazer. E o prazer, consequentemente, se concentra também em nossos órgãos sexuais.

Massagem tântrica do Kamala Spa | Crédito: Camila Honorato
O quarto fica com luz baixa e é perfumado com incenso | Crédito: Camila Honorato

Antes de tudo, é preciso ter em mente que massagens que toquem em partes íntimas não devem ser confundidas. O propósito do tantra é proporcionar relaxamento e prazer, mas não espere chegar em uma clínica onde você vai ter o aval para tratar as mulheres como prostitutas. Muitos homens acreditam que uma massagem tântrica é um convite para finais felizes e centrados no seu falo quando, na verdade, a filosofia tântrica é o extremo oposto. Sim, ela é matriarcal, o contrário do patriarcal predominante nas nossas sociedades desde os primórdios. Isso porque os tântricos enxergam a mulher como uma figura sagrada graças à valorização da sensibilidade e pelo poder de gerar outras vidas. Consequentemente, é por isso que o corpo feminino é tão valorizado, bem como o prazer delas. Não tem nada a ver com prostituição, não tem nada a ver com vender e comprar corpos, não tem nada a ver com o pênis.

Conversando com a terapeuta que iria me atender, fiquei triste e nada surpresa que a maioria do público que procura esse tipo de massagem ainda seja o masculino. Isso porque, além do fator de que eles procuram prazer sem censura (e, convenhamos, às vezes sem discernimento), aos olhos da nossa sociedade, existe muito tabu da mulher com o próprio corpo. Acho isso uma pena, pois sabemos que a maior parte de nós tem vergonha da nudez, vergonha de estimular a vulva e, consequentemente, nunca chegaram ao orgasmo. O tantra, muito além da massagem, tem o poder de auxiliar as mulheres a dar um novo significado ao corpo, conhecendo-o e estimulando-o sem pudores e enxergando-o com naturalidade. Para tanto, recomendo, inclusive, o aprofundamento prático e teórico dos cursos da Carol Teixeira (se eu não me engano, ela estimula o tantra negro. A minha vertente, impulsionada pelo Yôga, é o tantra branco. A diferença de ambos diz respeito a escolhas, já que no primeiro o uso de álcool e drogas e consumo de carne vermelhas é permitido, enquanto quem opta pelo segundo acaba seguindo por outro caminho. E está tudo certo! Mas se alguém tiver alguma correção pra me fazer a respeito disso, é só me escrever).

Mas então, desmistificando algumas coisas, você deve estar se perguntando: mas qual é o diferencial da massagem tântrica? Eu não vou poder gozar? Bem, não é assim. E é. Uma das coisas que o tantra mais estimula é a retenção do orgasmo para o prolongamento do prazer. Sabe aquela trepada de alguns minutos onde o cara goza e só se preocupa com ele? Pois então: é piada de mau gosto e chega a ser cômico. Tântricos são estimulados a fazer a retenção por horas, para que o prazer seja impulsionado ao máximo. Para quem está mal acostumado, a energia se esgota mesmo. Mas nada como estudo e prática, não é mesmo? A energia do orgasmo, aliás, pode tanto ser utilizada posteriormente para o ato em si (gozar depois de um longo tempo de retenção traz uma sensação muito mais poderosa) ou ser canalizada para outras esferas da vida (concentração, por exemplo).

Massagem tântrica do Kamala Spa | Crédito: Camila Honorato
O lance é abstrair e se entregar | Crédito: Camila Honorato

No lugar onde escolhi fazer a massagem tântrica (no caso, o Kamala Spa do Brooklin), a Eloá, terapeuta que me atendeu, me mostrou todo o processo. Geralmente, pensa-se que a massagem é focada exclusivamente no estímulo dos órgãos sexuais. Ledo engano. Nua, depois de tomar um banho no quarto e beber um chá de camomila, me sentei no colchão em posição de meditação e me concentrei em alguns exercícios respiratórios que ela me passou para estimular o relaxamento. O quarto estava com luz baixa, era preenchido com aroma de incenso e velas e o som relaxante de músicas indianas instrumentais. Depois, me deitei de bruços e recebi uma massagem relaxante tradicional. Isso, pelo o que ela me explicou, é uma cartilha seguida pelo spa, já que muitos clientes chegam lá nervosos e receosos com a possibilidade de serem tocados ali embaixo. Minha cara de pau é batida, então eu só recebi a massagem porque não nego uma jamais. Quem é que nega, meu Deus?

A Elô massageou meu corpo todo, partindo dos pés e subindo por pernas, bumbum, costas, ombros e pescoço. Até aí, nada de novo ou diferente de uma massagem tradicional. Depois disso, ela passou para o foco da tântrica, que consiste em promover o relaxamento do corpo a partir da ponta dos dedos, em movimentos lentos e que, por vezes, causam alguns arrepios. Apesar de ser feita no corpo todo, o toque com a ponta dos dedos se concentra em lugares estratégicos, onde ela gasta mais tempo: bumbum, nuca, pescoço… Em alguns momentos, ela estimula as nossas costas usando os próprios seios para massageá-las. Às vezes, ela sopra o pescoço e suspira no ouvido – tudo parte do foco do sensorial e do prazer, mexendo com alguns estímulos que, às vezes, são esquecidos no dia-a-dia.

Massagem tântrica do Kamala Spa | Crédito: Camila Honorato
Prontinha pra relaxar | Crédito: Camila Honorato

O relaxamento foi tão extremo que, entre um arrepio e outro, quase dormi no colchão. E então ela me virou de frente, fazendo o mesmo percurso com os dedos, usando sopros, a voz sussurrada, os seios e os cabelos. Tentei permanecer de olhos fechados o tempo todo, e foi nesse instante que a timidez bateu um pouco forte. Nada fora do comum, mas não é todo dia que temos uma desconhecida estimulando nossas partes íntimas. Ainda assim, fiquei confortável e fui me entregando aos poucos. Fui me deixando levar pelo acolhimento proporcionado pelo ambiente, o aroma do perfume do incenso e das velas pairando no ar, a sombra de uma mulher de cabelos muito longos e curvilínea traçando caminhos delicados na minha pele com a ponta dos dedos.  Ela, por fim, se concentrou de novo em pontos estratégicos: fui tocada na barriga por um bom tempo, até sentir vibrações na minha pélvis que mostraram que eu uso muito pouco essa minha zona erógena. Tocou meus seios, deixando os bicos duros e levando um leve espasmo. Até que, por fim, ela me tocou na vagina. As pontas dos dedos passando por toda a região, acariciando minha virilha, os grandes lábios (acredite, eles também têm um poder enorme), o clitóris… Foi um toque extremamente demorado, entre o relaxante e o torturante. Demorado, inclusive, porque fiquei acostumada a me proporcionar as retenções que o tantra tanto preconiza.

– O ruim é que passa muito, muito rápido – ela me disse, sorrindo. Sorriu depois de se concentrar um bom tempo em cruzar as pontas dos dedos entre meus seios, minha barriga, a parte interna das minhas coxas, minha virilha e minha vagina. Intercalou isso aos cabelos longos passando pela minha pele, o suspiro na curva da minha orelha. E então, depois de acrescentar um vibrador, ela me deixou ali sentindo o clitóris vibrar enquanto os dedos percorriam minha pélvis. Incapaz de prolongar por muito mais tempo, explodi e saí de órbita por alguns segundos que pareceram minutos.

– Como você demora, mulher!

Silhueta, peladona, pós-orgamo | Crédito: Camila Honorato
Silhueta, peladona, pós-orgamo | Crédito: Camila Honorato

Solícita, ela me explicou que o corpo se retrai em alguns pontos estratégicos, o que pode indicar que a pessoa tem certos bloqueios ou até mesmos traumas que precisam ser trabalhados com cuidado. Portanto, é importante ter cautela ao procurar massagens que tocam nesses lugares, sob a pena de ativar algum trauma encoberto. No entanto, ela reforçou que meu corpo estava solto e sem qualquer bloqueio aos estímulos que ela me proporcionou.

Vale ressaltar, ainda, que não: não tem a ver com kama sutra, massagens tailandesas ou qualquer coisa do tipo. O estímulo é, primordialmente, sensorial. É capaz de você notar que tem zonas erógenas que nunca descobriu antes, e notar que o prazer é algo muito complexo que vai além da pélvis e concentra-se em sons e outros pontos que valem a pena explorar.

VAI LÁ
Massagem Tântrica – Kamala Spa
Enredeço: Rua Flórida, 687 – Brooklin – São Paulo, SP.
Telefones: (11) 5041-1344 / 2385-8687 / 97170-1344
Site: https://kamalaspa.com.br/
E-mail: terapias@kamalaspa.com.br
Investimento: R$ 300 por 1h15
Classificação Final: ♥♥♥♥♥ (Excelente)

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s