Crítica Musical: The Rasmus faz show com plateia acalorada em São Paulo

É curioso quando você vai em um show de uma banda quando você já teve o prazer de conhecer os integrantes pessoalmente. Eu nunca fui uma fã calorosa de The Rasmus, nem mesmo quando a banda estourou fortemente nos idos dos anos 2000 com hits como In The Shadows. Mas eu confesso que passei a olhá-los com outros olhos depois de duas coisas: a primeira, com o lançamento do disco Dark Matters (pra mim, o melhor e mais maduro da carreira da banda); a segunda, graças a uma entrevista que a banda me concedeu pessoalmente no ano passado. Na ocasião, eu fui tão bem recebida por eles e o papo fluiu tão bem que eu acabei criando uma espécie de ‘carinho’ por eles, sobretudo ao vocalista Lauri Ylönen e ao baterista Aki Hakala.

Leia mais sobre a conversa que eu tive com os integrantes do The Rasmus em 2017

The Rasmus durante apresentação em São Paulo em 11/11/2018 | Crédito: Camila Honorato
Em uma noite intimista, o The Rasmus mostrou competência junto aos fãs | Crédito: Camila Honorato

Foi com esse olhar cheio de carinho que eu presenciei o show deles no último domingo em São Paulo (11/11), quando a banda esteve no país para a turnê mais recente de seu novo disco. Competentes e maduros em cima do palco do Tropical Butantã, a banda e o público souberam driblar o contratempo de uma casa consideravelmente esvaziada (efeito da crise que enfrentamos) para promover uma troca tão intensa e justa que o show ganhou ares de apresentação lotada. Depois de mais de dez anos de diferença entre um show em terras tupiniquins e outro, a banda pisou em solo tropical se sentindo super confortável tanto para brincar com o clima abafado que os recebeu quanto para arriscar um cover fofo e improvisado de Águas de Março, do mestre da bossa nova Tom Jobim.

O setlist foi composto por uma intercalação de seus trabalhos mais antigos e famosos, como First Day Of My Life e Guilty, até o último álbum, com faixas como Paradise e Holy Grail. Com uma plateia mista, composta tanto por adultos como por adolescentes, o coro se fez presente no espaço, com uma empolgação mútua que conferiu uma atmosfera intimista e confortável para ambos os lados. Em um dado momento do show, uma fã (que atende pelo nome de Jaqueline) foi chamada ao palco para cantar em finlandês com os integrantes – algo fofo e sempre bem-vindo, já que a gente adora quando fãs são colocados lado a lado com os seus ídolos.

The Rasmus durante apresentação em São Paulo em 11/11/2018 | Crédito: Camila Honorato
Faixas do mais recente disco ‘Dark Matters’ foram intercaladas a hits antigos | Crédito: Camila Honorato

O carinho por parte do grupo mostra que, para uma banda madura e competente, não podem haver barreiras. Afinal de contas, sempre vai ter uma leva considerável de pessoas ali à espera de suas músicas favoritas. Faixas como Not Like The Other Girls tiveram espaço em um momento mais calmo e acústico da apresentação, com a plateia cantando todas as estrofes a plenos pulmões. No bis, logo depois da execução da famosíssima In The Shadows, a apresentação teve ainda Wonderman (uma de minhas favoritas, com Lauri emocionado errando a letra enquanto o público pedia ensandecidamente por The Fight) e Sail Away, que encerrou a noite.

Depois de uma conversa tão produtiva quanto a do ano passado e de uma noite tão receptiva e sorridente, posso dizer que os moços conquistaram mais uma fã. Foi bom estar com eles, principalmente, para reviver a paixão pela música e essa sensação de pertencimento em meio a um período turbulento e cheio de incertezas.

The Rasmus durante apresentação em São Paulo em 11/11/2018 | Crédito: Camila Honorato
O acústico, com faixas cantadas a plenos pulmões, foi um dos pontos altos da noite | Crédito: Camila Honorato

SETLIST

  1. First Day of My Life
  2. Guilty
  3. No Fear
  4. Paradise
  5. Time to Burn
  6. Immortal
  7. Justify
  8. Nothing
  9. Holy Grill
  10. Not Like the Other Girls
  11. Still Standing
  12. Funeral
  13. F-F-F-Falling
  14. In My Life
  15. Livin’ in a World Without you
  16. In the Shadows

BIS

17. Wonderman
18. Sail Away

Classificação Final: ♥♥♥♥ (Muito Bom)

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