Crítica de Cinema: sobre a fofura de “Para Todos Os Garotos Que Já Amei”

Eu já li de tudo a respeito desse filme. E as reações foram as mais diversas. Há quem diga que não passa de um romance adolescente bobinho com traços de Sessão da Tarde; quem diga que há um ponto positivo inegável no que diz respeito à representatividade no elenco; quem diga que há algo não óbvio dentro do roteiro… Com exceção dos comentários mais radicais, que soam ofensivos a um filme que passa longe de ter essa intenção, eu confesso que concordo com um pouco de tudo. Mas de uma maneira muito leve e positiva.

Para Todos Os Garotos Que Já Amei | Crédito: Divulgação
Lara Jean (Lana Condor) é tão fofa que inté dá vontade de amassar ♥ | Crédito: Divulgação

Adicionado recentemente à lista de filmes do canal streaming Netflix e que ganhou uma repercussão extratosférica, Para Todos Os Garotos Que Já Amei é um romance adolescente baseado no livro homônimo da escritora norte-americana Jenny Han. O enredo é simples: trata-se de uma adolescente sonhadora, Lara Jean (Lana Condor) que costuma escrever cartas românticas para todos os caras por quem ela já se apaixonou sem realmente entregá-las, com o objetivo de se libertar desses sentimentos e lidar com eles de uma forma tranquila. Afinal de contas, quem melhor do que nós mesmas para sabermos qual é a forma mais sublime e confortadora de lidar com os próprios sentimentos? O problema é que as cartas acabam sendo enviadas aos remetentes, que procuram Lara para “tirar satisfações” sobre as declarações de amor.

No meio da confusão, Lara confessa nas cartas que é apaixonada por Josh Sanderson (Israel Broussard), o rapaz que namora sua irmã Margot (Janel Parrish), e com quem a própria Margot rompe depois de embarcar para a Escócia para entrar na faculdade. Para apagar o incêndio, Lara faz um acordo com outro guri que recebeu a carta, o atleta popular e galãzinho da escola Peter Kavinsky (o fofo Noah Centineo), que também se aproveita da situação de forjar uma relação amorosa com ela para fazer ciúmes para a ex-namorada. E aí já viu…

Para Todos Os Garotos Que Já Amei | Crédito: Divulgação
A palavra-chave do roteiro do filme é a leveza. É exatamente nisso que ele acerta | Crédito: Camila Honorato

Falar do enredo assim pode trazer a sensação de que ele é meramente um filme bobinho de adolescentes. E é. Acontece que nós também precisamos desses tipos de filmes. E acontece que há aspectos da história extremamente louváveis, a começar pela representatividade do elenco, com personagens de diferentes raças e perfis (a protagonista é descendente de coreanos e a atriz que a interpreta nasceu no Vietnã; há um personagem negro e gay na trama e por aí vai). Depois, há a leveza do roteiro: a história acerta muito ao trazer uma comicidade inocente para abordar problemas complexos (como a morte precoce da mãe da protagonista e a dificuldade de Kavinsky de se relacionar com o pai ausente e etc) e tornam o filme algo extremamente gostoso de ser assistido colocando o foco nas relações familiares e de amizade fora do aspecto tenebroso do bullying.

Nesse aspecto, Para Todos Os Garotos Que Já Amei funciona como uma espécie de suspiro de alívio frente a outra produção de forte repercussão da Netflix sobre o ambiente escolar: a série 13 Reasons Why, que pesa ao extremo ao abordar o bullying, a depressão e o suicídio adolescente. Ver uma produção tão leve ganhando as discussões é um ótimo contraponto a filmes que mostram o caos no qual vivemos. É quase como se ele gritasse: a escola ainda pode ser legal, e o mundo ainda é um lugar legal pra se viver. Porque temos pessoas como Lara Jean e Peter Kavinsky.

Para Todos Os Garotos Que Já Amei | Crédito: Divulgação
Negócio fechado pro passaporte da fofura? | Crédito: Divulgação

Minha sensação é de que há tempos precisávamos de um filme assim ganhando destaque. A história tem sacadas muito divertidas, aborda as relações de uma forma linda e, de quebra, traz lapsos de não-obviedade nas conversas amigáveis que lembram um pouco As Vantagens De Ser Invisível. Isso porque Lara é um escopo do que muitas adolescentes são: meninas tímidas, sonhadoras, que acreditam serem plenamente invisíveis, mas que não fazem ideia de que tem muita gente bacana prestando atenção nela. Afinal de contas, às vezes somos bem menos invisíveis do que achamos que somos, e é tudo uma questão de encontrar a própria tripo – um lugar onde possamos nos sentir confortáveis para simplesmente sermos nós mesmas.

VAI LÁ
Para Todos Os Garotos Que Já Amei
Disponível na Netflix
Direção: Susan Johnson
Elenco: Lana Condor, John Corbett, Noah Centineo, Janel Parrish, Israel Broussard, Andrew Bachelor, Emilija Baranac, Madeleine Arthur, Anna Cathcart, Trezzo Mahoro
Roteiro: Jenny Han
Produção: Matthew Kaplan, James Lassiter, Brian Robbins, Will Smith
Classificação Final: ♥♥♥ (Bom)

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