Pequeno Manual dos Relacionamentos Casuais com Mulheres

Quando se pensa em encontros casuais, a primeira coisa que vem à mente é um tipo de diversão sem a certeza de uma ligação no dia seguinte. É o famoso “a gente se cata sem compromisso”, que isenta as pessoas do comprometimento visto em relações mais sérias e complexas.

Engana-se, porém, quem pensa que uma relação casual isenta a responsabilidade emocional para com o outro. Qualquer tipo de relação predispõe que um indivíduo sairá do cubículo promovido pela própria solidão pra interagir em troca de palavras, ideias e toques. É disso que se trata, afinal de contas, as relações humanas.

Crédito: Jens Johnsson/StockSnap
Vai lá e marca encontro. Não quer dizer compromisso sério e não vai doer | Crédito: Jens Johnsson/StockSnap

Escrevo esse texto porque tenho visto que, na atual fase de proliferação dos aplicativos de relacionamentos e na nossa era de amores líquidos, há um quê de desculpa da falta de compromisso para promover a falta de comprometimento com quem está ao seu lado por um prazo curto de hora. Como defendia Zygmunt Bauman: “No líquido cenário da vida moderna, os relacionamentos talvez sejam os representantes mais comuns, agudos, perturbadores e profundamente sentidos da ambivalência”.

Aquilo que se escorre por entre os nossos dedos pode tanto ter a delicadeza e a atratividade de uma seda perfumada quanto a dor de um vidro quebrado que corta a pele. Entre as duas comparações, os amores líquidos devem, obviamente, ocupar a primeira categoria. Relacionamentos casuais não devem, em absoluto, servir de muleta para você agir como um completo imbecil.

Prontos para o manual? Então lá vamos nós:

1. Paute a relação pela honestidade

Crédito: JESHOOTS.com/StockSnap
“Deixa eu te ligar pra te explicar: quero te ver nu e não quero aliança. Bora fechar?”| Crédito: JESHOOTS.com/StockSnap

Ao combinar um encontro casual, seja honesto com a pessoa com quem você vai sair. Diga, de uma forma respeitosa (não há, em absoluto, a necessidade de ser grosseiro e de vomitar palavras chulas) que o você pretende são encontros e sexo sem compromisso. Não há nada mais desonesto do que sumir e aparecer com uma periodicidade vergonhosa no intuito de manter a pessoa ali, na sua geladeira, ao seu dispor para te servir.

A jornalista Aline Pagotto afirma que esse tipo de comportamento foi uma das coisas que mais a incentivaram a interromper encontros casuais: “Já tive casos de homens que, mesmo não querendo compromissos sérios, me tratavam como namoradinhas, inclusive me apresentando pra familiares e amigos. O problema é que eles passam a tratar mal pra te assustar e mostrar que não querem nada sério”, explica ela. Ou seja: tratar como um compromisso sério e depois tratar mal, ficando nesse vai e vem pra não poder perder o date, só indicam uma falta de honestidade gritante. Nada além disso.

2. Entenda que mulheres também podem, e vão, querer a mesma coisa que você

Crédito: Bruce Mars/StockSnap
Tô aqui bem plena só querendo aquilo lá. E estou bem plena com isso | Crédito: Bruce Mars/StockSnap

Você, guria, está lá no bem/bom com o rapaz. De repente, como se fosse um lapso, ele deixa de ser comunicativo pra se tornar frio. Às vezes, até te trata mal. O motivo? “Não quero que você pense que a gente vai ter algum tipo de compromisso” ou “Não quero que você se apaixone”. Mas o quê?

Em pleno século 21, ano de 2018, ainda existem criaturas que pensam que as mulheres sempre vão associar o sexo a algum tipo de sentimento mais intenso, enxergando-nos como pessoas incapazes de separar as duas coisas. Ledo engano, ledo mito. Em entrevista ao Correio Braziliense, a psicanalista Regina Navarro Lins explica que esse tipo de comportamento masculino reforça uma repressão do prazer sexual feminino: “Até hoje as pessoas têm preconceito com a liberdade sexual delas”, afirma.

Os hormônios femininos estão aí, à flor da pele. A coleção de fantasias sexuais femininas, muitas delas extremamente criativas e que sequer passam pelo imaginário masculino machista, existem. Só não enxerga quem ainda prefere ficar na bolha do patriarcado.

3. A durabilidade de um encontro casual nem sempre significa que isso vai se converter em namoro

Crédito: Matthew Henry/StockSnap
Vai com calma, meu chapa | Crédito: Matthew Henry/StockSnap

Às vezes acontece de você encontrar um tipo de “foda fixa”, daquelas onde você pode transar sem compromissos e conversar numa boa sem a necessidade de ligar no dia seguinte. Tudo certo, não é mesmo? Olha: na cabeça de algumas pessoas, não.

A estudante de psicologia Sarah Marques explica que teve um caso que terminou mal porque o guri se assustou com o prolongamento dos encontros – e a falta de diálogo foi o que covardemente botou um ponto final na história. “Ele aparentemente começou a se incomodar com o fato de estarmos a meses nos encontrando casualmente, puramente pelo sexo. De repente, começou a se afastar e a agir de uma forma agressiva. Não teve nenhum tipo de conversa pra dizer: ‘Olha, isso já está durando tempo demais, acho melhor parar’. O que machuca não é o fato de o relacionamento não evoluir, porque não era isso o que eu queria. É a falta de honestidade e, principalmente, a falta de maturidade emocional deles pra lidar com esse tipo de coisa”, lamenta.

Ou seja: a máxima de sumir sem deixar vestígios não é digna de aplausos nem para adolescentes imaturos, que dirá de homens adultos. Menos frescura: olhe no olho e converse. Você não vai morrer por isso.

4. A casualidade não te permite tratar as mulheres como prostitutas. Aliás, nem elas são dignas do tratamento que muitos de vocês estão dispostos a oferecer

Crédito: Garon Piceli/StockSnap
Não, você não tem esse direito | Crédito: Garon Piceli/StockSnap

Imagine a seguinte situação: você vai pra cama com um cara, que se tornou seu “amigo colorido”. Vocês dois já combinaram anteriormente que não querem compromissos, mas conversam sobre a vida e está tudo certo. E aí essa mesma pessoa, milagrosamente, começa a te tratar mal. Em uma dessas saídas, ela tem uma performance rasa na cama que te nega um orgamo, vira pro lado sem dizer uma palavra e coloca um filme qualquer com você ali do lado. Como se você simplesmente não existisse.

Essa situação aconteceu comigo. E eu não preciso nem dizer que fiquei pistola e com uma vontade gigante de gritar: “Quem diabos você pensa que é?”. É como eu disse anteriormente: todo tipo de relação exige um esforço pra interagir – e tratar mulheres como depósito de esperma só faz de você um babaca. Tratar as pessoas com dignidade não é criar expectativa em cima de um suposto relacionamento que nunca vai acontecer, ao contrário: é algo perfeitamente normal. Aliás, espera-se na vida que você seja capaz de trocar algumas palavras com as pessoas e de tratá-las com respeito. Isso parece óbvio, e deveria ser.

Veja bem: sair pra jantar, falar sobre séries da Netflix e tomar um vinho junto não é uma fórmula prolongada de conquista, mas um combinado que fazem a noite valer a pena. Tratar bem é o mínimo, e tudo que vá na contramão disso só te torna uma carta fora do baralho e ponto final. Seja menos.

5. Hold your dick selfies, for Christ’s sake!

Crédito: Henri Meilhac/Unsplash
Não, vocês não estão fazendo nenhum favor. Aliás, de onde tiraram isso?! | Crédito: Henri Meilhac/Unsplash

Existe um consenso enorme entre mulheres atualmente de que há uma quantidade enorme de guris por aqui que simplesmente amam tanto o próprio falo que não conseguem segurar a vontade de exibir o negócio por aí. Apenas: não!

Em algum momento da história do exibicionismo proporcionado pela tecnologia, alguns machos simplesmente encasquetaram com a ideia de que qualquer mulher vai achar incrível receber uma selfie de peru desavisadamente e se sentir inspirada a fazer o mesmo com os peitos e com a piri. Apenas: não!

Sexo precisa de um contexto. E a mesma coisa vale para os nudes. Se não tem uma conversa picante no meio ou um pedido claro de troca de fotos, onde ambos estejam no pique de enviar uns closes e até de fazer sexo virtual, apenas: não! Furar esse pedido óbvio de bom senso é ser um imbecil, mais uma vez. E até te configura em casos de assédio na web, passível de punições.

*

Crédito: Thong Vo/StockSnap
That’s it. I’m DONE! | Crédito: Thong Vo/StockSnap

Esses tipos de ressalvas que ocorrem dentro de qualquer relacionamento casual me fizeram correr dos aplicativos e de me conformar, sem nenhum remorso ou questão maior envolvida, a ficar sozinha. Porque cansa. Porque simplesmente não dá pra sair de casa e perder tempo com quem simplesmente não tem o menor bom-senso em relação ao assunto e ao tratamento dado aos seres humanos de uma forma geral. Pra mim, é mais válido ficar sozinha do que me sujeitar a encontros que terminam mal porque as pessoas se tratam mal.

Esse manual descontraído também serve como um desabafo. Um desabafo que eu sei que não é só meu, já que tantas amigas minhas reclamam do mesmo tipo de problema. E amigas de amigas também. E até guris bacanas também. Pelo direito de sair pra comer, tomar um litrão, ver um filme no Reserva Cultural da Paulista e gozar bem sem a necessidade de alianças. E sem a punição de ser tratada como lixo pra não cogitar o caminho inverso. Sem a objetificação de terceiros. As pessoas não nasceram pra serviram ao seu bem prazer sem falar, sem reagir ou sentir.

Esse post fala primordialmente de relações heteroafetivas entre homem e mulher, que são minha realidade atualmente. Tem histórias tristes de relacionamentos casuais com pessoas do mesmo sexo e quer rasgar o verbo? Mande pra mim nos comentários. Escreva! Eu quero muito saber. 😉 

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