APP de viagem: as vantagens e desvantagens de usar o Couchsurfing

Um site que une viajantes e anfitriões com um objetivo central: dividir experiências e ofertar hospedagem gratuita, seja no sofá ou em um cômodo disponibilizado pelo dono da casa.

Essa é a ideia que rege o Couchsurfing, uma plataforma que salva a vida de muita gente em busca de opções mais econômicas para viajar. Criada em 2004 por Patrick Dugan e com sede na cidade de São Francisco (Califórnia, EUA), a plataforma une o útil ao agradável ao conectar viajantes com anfitriões dispostos a oferecer hospedagens. Além disso, é uma mão na roda para conhecer locais na cidade onde você vai ficar e até trocar figurinhas com outras turistas.

Couchsurfing | Crédito: Divulgação
Hospedagens gratuitas e trocas de experiências estão no cerne da missão do Couchsurfing | Crédito: Divulgação

É importante ressaltar, porém, que utilizar essas novas plataformas de hospedagem requer certa cautela, principalmente para nós, mulheres, que viajamos sozinhas. Entrei na comunidade do Couchsurfing no ano passado com o intuito de arrumar um lugar pra ficar na minha viagem em Portugal. Com as experiências que coletei desde então, ainda na minha cidade-natal (no caso, São Paulo), achei melhor reservar esse app para conhecer pessoas, praticar outros idiomas e coletar dicas de viagem. Isso porque, desde então, as minhas histórias boas e ruins com essa ferramenta me fizeram ter o pé mais no chão e a alertar viajantes, homens e (principalmente) mulheres, sobre as dores e as delícias de usá-la. E a de saber que, definitivamente, eu, Camila, realmente cheguei à conclusão de que prefiro me hospedar com pessoas que já conheço ou bancar hostels e opções mais econômicas do Airbnb.

Vamos começar com a parte boa:

VANTAGENS

Photo by rawpixel.com on Unsplash
Respeito, bom-senso e boas conversas entre viajantes são a chave do sucesso de ferramentas como o Couchsurfing | Crédito: rawpixel.com/Unsplash

Li duas matérias que fizeram com que eu me interessasse em fazer um perfil no Couchsurfing: uma na revista Viagem e Turismo e outra em uma matéria do Projeto Darft, onde o aplicativo é citado brevemente e como antagonista de outras plataformas teoricamente maiores, como o Worldpackers (onde você se cadastra para trabalhar em troca de alimentação e hospedagem, principalmente em hostels). Hoje, o Couchsurfing soma mais de quatro milhões de usuários e só cresce.

O aplicativo desenvolvido para a plataforma é fácil, com ferramentas que permitem com que os viajantes avaliem seus anfitriões e, consequentemente, registrem as boas e más referências para o próximo viajante que tiver a intenção de se hospedar com ele. Além disso, há a possibilidade de ter um perfil verificado, que aumentam suas chances de hospedar e ser hospedado. Para tanto, é preciso desembolsar uma taxa de U$ 60 vitalícios, o que deixa seu perfil mais destacado.

Aqui dentro, é possível tanto solicitar hospedagens gratuitas (e é bom ressaltar que muitos perfis de anfitriões verificados oferecem não somente o “sofá pra surfar”, como o nome sugere, mas sim uma cama ou até um quarto inteiro) como participar de grupos diversos sobre temas que te interessem (como música, yoga e gastronomia), visualizar eventos próximos a você e utilizar uma ferramente chamada “Hangout”, que te mostra como uma pessoa disponível para sair com outras pessoas na mesma região.

Sobre o “Hangout”, aliás, é importante frisar: como tudo que foi desenvolvido nesse aplicativo, o intuito não é funcionar como um impulsionador de relacionamentos e encontros casuais. A ideia inicial é que você realmente saia e converse com as pessoas que estão próximas a você pra trocar experiências. Com ele, fiz amizade com um guri super gente boa e com quem mantenho contato até hoje pra falar sobre viagens e afins. Também utilizei a ferramente na minha viagem de Lisboa e fiz amizade com uma guria russa super feliz e divertida, com quem também converso até hoje e cuja “saída” me rendeu uma das noites mais divertidas na capital portuguesa. Isso sem falar das pessoas que encontrei pelo caminho e que me pediram dicas de lugares para visitar em São Paulo, dos ‘gringos’ com quem pratico o inglês e que pedem para praticar português comigo e saber curiosidades sobre o Brasil.

Eu acho que essa troca de experiências é o que existe de mais rico em uma plataforma como essas. Poder falar sobre o lugar que você mora e quebrar muitas das ideias erradas que as pessoas têm sobre o Brasil mundo afora (acredite, tá cheio de gente por aí que acha que tudo por aqui se resume à Amazônia) é algo bem impactante.

Mas olha, como nem tudo são flores, vale também ressaltar os aspectos ruins desse tipo de experiência:

DESVANTAGENS

Photo by Mantas Hesthaven on Unsplash
Às vezes o barato sai caro – e é sempre bom ter um plano B em relação a iniciativas como o Couchsurfing para não ter a viagem drasticamete encurtada | Crédito: Mantas Hesthaven/Unsplash

Quando você viaja gratuitamente até a casa de uma pessoa, você fica totalmente à mercê das regras da casa. E acredite: nem sempre se submeter a algumas regras compensa o fato de você não pagar pela hospedagem, e é bem frequente ver pessoas irritadas pelo fato de cancelarem compromissos na cidade-local para jantar com o anfitrião sobre a pena de ter uma má avaliação registrada no perfil – e isso é um risco que reduz drasticamente suas chances de encontrar hospedagens e de hospedar. Uma avaliação ruim, e não necessariamente justa, pode diminuir drasticamente a sua vida útil na plataforma. Ao mesmo tempo: eu gostaria de ver mais gente estúpida ser posta pra fora daqui.

Tive um casal de amigos com experiências ótimas ao serem recepcionados por anfitriões em um mochilão pelo Nordeste. Mas as vivências de homens e casais são completamente diferentes daquelas que mulheres solitárias sentem na pele. Durante a estadia em Lisboa, minha amiga russa teve que sair às pressas da casa do anfitrião do Couchsurfing porquê teve um imprevisto com o celular, ficou sem internet e não conseguiu avisá-lo que ficaria fora de casa por uma noite. Tanto eu quanto ela concordamos que algumas regras são prudentes de serem seguidas e que houve um quê de razão na atitude dele, já que hospedar uma pessoa na sua casa requer altos níveis de responsabilidade. O que não deixou de ser uma questão: ela teve o risco de ficar sem hospedagem na viagem – aqui vale a máxima de, independente da situação, é sempre bom ter um plano B com o Couchsurfing. Ou seja: uma reserva financeira pra um hostel de última hora pro caso da experiência não dar certo. Sim, ela realmente não é 100% segura.

Mas deixa eu falar sobre ser mulher e viajar sozinha: você procurar lugar e se mostrar disponível para conhecer outras pessoas é um chamativo pra ‘malas’. Já me desentendi feio com um sérvio que literalmente me encheu o saco com as lamentações da vida dele e que sugeriu que brasileiras são promíscuas (isso que essa pessoa teve a pachorra de me chamar no app com o intuito de saber mais sobre a cultura brasileira e praticar tanto o espanhol quanto o entendimento do português). Sobre ser tratada como promíscua por ser brasileira, aliás: infelizmente, não é uma fama tão incomum assim, e eu tive exercitar meu vocabulário de ‘corte certeiro’ em Portugal com um rapaz que literalmente me convidou pra transar, sem mais nem menos, confundindo totalmente as coisas e sem um pingo de bom senso. Em uma das experiências com o “Hangout” em Lisboa, eu e minha amiga saímos fugidas com a abordagem agressiva e desconfortável que dois guris tiveram com ela. Mesmo quando você deixa claro que quer unicamete fazer novas amizades, isso te deixa vulnerável às investidas de “babacas” viajantes.

Como eu disse lá em cima, o intuito principal do aplicativo não é ser algo voltado pra relacionamentos ou encontros casuais. Mas tem sido cada vez mais comum ver que a plataforma tem sido utilizada primordialmente com esse intuito por muitos dos usuários cadastrados por ali. E aí, já sabe: se eu não tenho paciência pra Tinder, minha gente, imagina com investida de homem que não sabe que aqui também tem prédio e que brasileira sabe dar um fora como ninguém?

COMO USAR O APP DE FORMA SEGURA

Photo by Jorge Flores on Unsplash
Você tem tanto o dever quanto o DIREITO de coletar boas memórias e bons amigos pelas suas andanças mundo afora. É disso que viajar se trata! | Crédito: Jorge Flores/Unsplash
  • Se você deseja se hospedar, priorize perfis de usuários verificados e com boas referências. No caso de mulheres, é imprescindível passar à frente perfis de outras mulheres e casais dispostos a hospedar. A premissa de segurança pode parecer injusta e clichê, mas (infelizmente) funciona para a maioria dos casos.
  • Se você deseja hospedar, inclua fotos de boa qualidade do seu sofá/cama/quarto para que os usuários avaliem melhor. Você poupa conversas e hospedagens que não resultem em algo produtivo para a experiência de viajar. Além disso, já coloque no teu perfil uma listagem de regras claras da sua casa e que devem ser obedecidas pelos hóspedes. Isso inclui horários das refeições, condições de uso das áreas comuns da casa (cozinha, banheiro…), quantas pessoas você topa hospedar, se aceita hospedagens de última hora, se aceita fumantes… Tua casa é teu templo, e ninguém tem o direito de bagunçá-la e, tampouco, de destruir tua rotina.
  • Quando cadastrar teu perfil no “Hangout”, priorize conversas de usuários que permitam com que outras pessoas se juntem ao teu chat para planejar encontros. Isso porque é super comum conversar com alguém e, no meio do caminho, ver que essa pessoa está bloqueando a entrada de outros viajantes na conversa. E aí, já sabe: se a pessoa fizer isso, é porque quer que a conversa e o encontro sejam privados. E se ela quer um encontro privado, é porque a chance de querer algo a mais é de 99%. É errado? Não, e às vezes acontece de conhecer pessoas e do encontro terminar em um beijo ou algo mais (a internet tá cheia de histórias de casais que se conheceram pelo Couchsurfing). O errado é acreditar que o intuito primordial do aplicativo seja esse (eu, se fosse o CEO, revisaria algumas regras de utilização) e acabar em uma experiência que terminou no famigerado assédio.
  • Não hesite em bloquear usuários que tenham um papo desconfortável – e nem mesmo de escrever más referências para anfitriões que passaram do limite do bom senso e de entrar em contato com o suporte para reclamar seus direitos. Uma amiga minha de Lisboa me disse que, certa vez, ela e várias outras gurias se mobilizarem pra esculachar um anfitrião que tinha como regra da casa o seguinte absurdo: “Se você tem problemas com nudez, não se hospede. Eu tenho o hábito de ficar sem roupa na minha casa e não mudo isso de jeito nenhum”. Nem preciso falar que uma pessoa dessas nem deveria estar em um lugar assim, que preza por boas experiências COMUNITÁRIAS. Façam-me o favor…
  • Participe de fóruns de discussões de grupos do seu interesse. Você pode se surpreender positivamente com algum novo integrante para a sua banda, algum evento bacana de yoga ao ar livre e por aí vai.

Tem experiências boas ou ruins com aplicativos de viagens? Deixe nos comentários! Eu vou adorar saber. 

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s