As dores e as delícias de 2017

2017 foi um ano complexo pra mim em diversos aspectos. Foi um ano desafiante, que exigiu um olhar pra dentro em muitos sentidos e uma nova percepção do outro.

Olhando pra trás, mais do que um ano onde perdemos figuras emblemáticas no campo das artes, 2017 foi um ano recheado de escândalos políticos e culturais, onde a faceta do conservadorismo se fez escancarada em protestos contra artistas e contra o corpo nu em suas várias formas, além de atitudes grotescas contra a expressão de LGBTs e onde a corrupção se fez notar de uma forma assustadora. Ao mesmo tempo, foi um ano onde vimos que o otimismo e a esperança brotam em cada pequeno gesto, refletindo no “juntos somos mais fortes”.

Crédito: Mike Jones/ISO Republic
Os rompimentos de 2017 me permitiram um olhar pra dentro, com direito a muita terapia, novas experiências e MUITO estudo | Crédito: Mike Jones/ISO Republic

Para além da sensação de coletividade, muitas coisas aconteceram na minha vida pessoal que literalmente me fizeram virar de cabeça pra baixo. A começar pelo vestibular no início do ano, onde depois de anos de tentativa finalmente realizei o sonho de estudar Letras na Universidade de São Paulo (USP). O espaço universitário da faculdade, aliás, foi um choque brutal pela lição de coletivismo das pessoas que dividem o mesmo espaço acadêmico comigo, bem como a força de lutar por uma educação melhor e mais inclusiva, além de formar movimentos em prol das minorias. Foi um ano onde me senti abraçada naquele espaço, juntamente com as delícias de poder voltar a estudar, conhecer pessoas novas, conversar sobre literatura e sonhar com as possibilidades de viajar e de aprender outros idiomas.

Viajar, aliás, foi uma coisa que eu gostaria de ter feito mais esse ano. Desperdicei diversas oportunidades em detrimento de terceiros (vulgo relacionamento) pra poder permanecer ao lado da pessoa, que não podia sequer sair do trabalho aos sábados e que pouco tinha vontade de viver fora do lugar-comum aos domingos. Ainda assim, por iniciativa minha e pela ajuda de amigos e conhecidos de trabalho, consegui pegar estrada para pisar novamente em Campos do Jordão e Holambra e visitar Paranapiacaba pela primeira vez (sendo todas essas cidades no interior do estado de São Paulo).

Crédito: Jace Grandinetti/ISO Republic
Redescobrir a música foi um dos grandes feitos do ano pra mim | Crédito: Jace Grandinetti/ISO Republic

Foi um ano onde perdi meu emprego como community manager e decidi, de uma vez por todas, ser jornalista freelancer e autônoma, me dedicando à redação e revisão de textos e trabalhos com projetos diversos de publicações e social media. Nesse sentido, me senti muito mais independente e vi que não precisamos trabalhar nos moldes tradicionais, batendo ponto das 9 às 18h em um sistema pouco flexível e ultrapassado das grandes empresas, para ganhar nosso sustento e nos sentirmos produtivos. Além disso, o ofício de home officer me permitiu cuidar da minha mãe, que sucumbiu a uma depressão severa semelhante à que enfrentei no final de 2015 e início de 2016 – o que me permitiu total dedicação e percepção enquanto pessoa que já padeceu da doença.

Também foi um ano onde, depois de quase cinco anos, me vi solteira. Anos e anos de um relacionamento monogâmico (onde muitas vezes, como notei depois, essa monogamia foi unilateral de minha parte) me mostraram que não podemos reduzir os bons momentos vividos com certo alguém, que foi fundamental para nossa vida em diversos aspectos e que nos proporcionou aprendizados. Ao mesmo tempo, foi uma relação que me fez ver que um relacionamento não precisa de violência física para ser abusivo: esse abuso pode chegar na forma de críticas negativas frequentes e que, ao invés de produtivas, são implicantes e reflexos brutos da insegurança do outro, na forma de manipulação e gaslighting. E claro: há males que vêm para o bem.

Crédito: Mike Jones/ISO Republic
Eu tô pronta pra celebrar o novo ano. E vocês? | Crédito: Mike Jones/ISO Republic

Depois do término de uma relação disfuncional, pude ver o quanto estava fechada para várias coisas boas na vida: retomei contato com velhos amigos, fiz novas amizades, conheci pessoas fantásticas, visitei lugares bacanas, coletei experiências maravilhosas que vou carregar pela vida inteira. Fiz contatos profissionais importantes, entrevistei mulheres maravilhosas, fiz minha primeira entrevista com uma banda internacional, pude assumir minha sexualidade sem pudores ou medos, intensifiquei minhas sessões de terapia para o autoconhecimento, comecei a praticar ioga, posei nua, voltei a cantar e a tocar, assisti a shows incríveis… Coisas que pareciam banais, mas que ficaram enterradas por conta de uma rotina imutável e que eu pouco via que estava me fazendo tão mal.

Por mais dores e interrupções que esse ano tenha me trazido, foi um ano onde eu me redescobri em diversos aspectos. Para 2018, eu só tenho otimismo e boas vibrações. Vontade de agarrar o mundo, literalmente, com direito a uma viagem internacional programada, planos de publicar livros, abertura para novos trabalhos, aprendizado de novos idiomas. E claro: coração aberto para amar outra vez. De uma forma pura e branda, porém intensa e calorosa.

E a vida segue, com todas as suas formas incríveis. ♥

Tá aí uma musiquinha pra combinar com o clima esperançoso e fofo pra 2018:

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2 Comments Add yours

  1. Tati says:

    Que bom, fico feliz que 2017 tenha trazido coisas boas e realizações pra você.
    Espero que seu 2018 seja ainda melhor!

    1. camilahonorato says:

      Obrigada, Tati! Será um ano maravilhoso para todas nós. Um beijo!

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