Dicas preciosas para lidar com términos de relacionamentos

Em uma semana, vocês estão planejando um futuro juntos, discutindo viagens e pensando em ideias para construir uma família e dividir um espaço entre vocês. Dias depois, repentinamente, esses planos caem por terra quando uma das partes decide terminar a relação alegando poucos motivos convincentes e, de repente, você se vê sozinha (o) com seus planos destruídos, um coração partido e muitas frustrações.

Terminar um namoro exige uma força que a gente às vezes não tem | Crédito: Darius Anton/ISORepublic
Terminar um namoro exige uma força que a gente às vezes não tem | Crédito: Darius Anton/ISORepublic

É claro que, a grosso modo, essa é só uma das formas de se partir uma relação e a situação acima descrita não contempla todos os finais (glória, porque eu não desejo isso que passei pra ninguém). Muitas vezes o desgaste é visto conjuntamente, a decisão é mútua e acontecem diálogos presenciais e respeitosos para chegar a essa decisão. O problema é que, a bem da verdade, não existe uma fórmula fácil e sem dor para terminar um relacionamento. Quando uma história chega ao fim, ambos os lados terminam com uma ferida aberta e difícil de cuidar, embora muitas vezes essa dorzinha acabe pendendo mais para um dos lados.

E olha só quem passou por essa situação recentemente, está se recuperando lindamente e veio aqui pra conversar com vocês e abraçar essa dor que muitos estão sentindo.  Sim, essa autora que vos fala! Afinal, histórias de amor terminam a todo instante nesse planeta gigantesco em que vivemos. Está passando por essa situação difícil? Então pega uma xícara reconfortante de chá ou café, segura o lencinho e vem aqui comigo buscar soluções pra passar por essa tempestade.

1. Não diminua a sua dor

O famoso "aceita que dói menos" | Katie Frego/StockSnap
O famoso “aceita que dói menos” | Katie Frego/StockSnap

Não existe uma fórmula pronta para lidar com rupturas. A bem da verdade: o término de um relacionamento é um luto forte, pois morrem sentimentos, planos e uma história inteira. Ou seja: não é nada fácil e dói muito. Dói pra caralho. Então não caia na armadilha de camuflar o que você está sentindo ou até mesmo negar os sentimentos que brotam dentro do seu coração. Aceite-os, abrace-os e cuide bem deles para se recuperar. Não admitir a dor para si mesmo só torna o processo mais longo e complexo, podendo espalhar o que você sente em outras situações e envolvendo até mesmo outras pessoas em um problema que, a princípio, diz repeito somente a você e à pessoa que, por um tempo, foi sua parceira. Não escute aqueles conselhos bobos vindo de frases prontas como a de que “não se morre de amores”, pois é uma situação difícil e delicada. Aceite seu sofrimento e aja um pouquinho a cada dia que passe para que ele se esvaia do seu organismo.

2. Vivencie o seu luto e respeite o seu tempo

Cada um tem seu tempo de seguir em frente - e ninguém tem nada com isso | Greek Food - Ta Mystika/StockSnap
Cada um tem seu tempo de seguir em frente – e ninguém tem nada com isso | Greek Food – Ta Mystika/StockSnap

Para algumas pessoas, se recuperar de um término pode levar três meses. Outras levam mais de um ano. E isso não quer dizer que todos eles dizem respeito aos estágios iniciais, recheados de sentimentos aflorados e intensos, com muito choro, amargura, tristeza e até raiva. Para algumas pessoas, pode acontecer de querer passar longos meses dedicando-se inteiramente a juntar os cacos e partir em uma longa jornada de autodescoberta antes de se envolver novamente e de forma completa com outras pessoas, permitindo-se que o amor brote novamente em um outro colo. Para algumas, alguns meses são o suficiente.

E o que define isso? A bem da verdade: quanto mais traumático e brusco for um rompimento, mais tempo as pessoas demoram para se recuperar dele. E isso não tem só a ver com o fato de não se conviver mais com a pessoa com quem você dividiu ideias, conversas, sonhos e a cama por tanto tempo, mas também com o desenrolar dos fatos e com o quão machucada (o) você se sente depois que tudo isso acontecer. Citando meu exemplo: quando terminei um relacionamento com uma pessoa que eu gostava há muitos anos atrás, o respeito foi mútuo e, passado os estágios iniciais do luto, mantivemos uma amizade saudável. No meu último caso, um pé na bunda por telefone (migos, conselho: tenham o bom senso de não fazer essa porra) veio com o combo de cancelamento de viagem (e uma dor de cabeça pra recuperar o dinheiro das passagens aéreas junto à companhia), descobertas de atitudes que machucaram muito, sumiços e silêncio como punição e resquícios das atitudes do outro que, em muitos momentos, configuraram a relação como algo abusivo. Ou seja: além de cuidar do coração partido, tenho que cuidar da decepção e da sensação de ter sido absolutamente machucada. E isso, minha gente, requer tempo.

Às vezes a gente precisa mesmo de um tempo longo de espera pra tudo passar | Crédito: Felix Russell-Saw/Unsplash
Às vezes a gente precisa mesmo de um tempo longo de espera pra tudo passar | Crédito: Felix Russell-Saw/Unsplash

Sendo assim, a melhor coisa é não cair em negação sobre o que houve e vivenciar todas as etapas do luto, que, segundo especialistas, consiste em cinco fases: negação (o famigerado pedir pra voltar, tomar um porre homérico, desacreditar de tudo e por aí vai), raiva (“Essa pessoa acabou com a minha vida, olha a filha da putice que ela fez comigo!”), depressão (apatia, tristeza profunda, vontade de não fazer nada e não ver sentido nas coisas), negociação (repensar atitudes para agir de uma forma diferente) e aceitação (o seguir em frente, onde eu finalmente estou chegando, glória). Essas etapas não são vivenciadas necessariamente nessa ordem, mas não conheço nenhuma pessoa que não tenha passado por todas elas, mesmo que umas tenham sido mais sutis do que as outras e que essas pessoas não tivessem um entendimento preciso sobre o assunto. É importante viver todas as etapas sob o risco de se deparar com alguma delas lá na frente quando menos se espera, o que gera uma sensação chata pra caramba de ter reaberto uma ferida que se acreditava cicatrizada. E claro: não tem um tempo certo pra que tudo isso acontece e cada um vive isso no seu próprio ritmo. Só é importante ficar atento para que a fase da depressão não se prolongue o suficiente a ponto de se manifestar na forma da doença. Se ela se prolongar por cerca de dois meses, atrapalhar ao extremo suas atividades rotineiras e, em casos extremos, lhe trouxer tamanha apatia que resulte em pensamentos suicidas, procure um psiquiatra e um psicólogo imediatamente!

3. Não espalhe a sua fossa

Envolver outras pessoas no assunto pode te machucar ainda mais | Crédito: Alexandr Ivanov/ISORepublic
Envolver outras pessoas no assunto pode te machucar ainda mais | Crédito: Alexandr Ivanov/ISORepublic

E isso vale para duas situações bem distintas: a de sair espalhando pra qualquer um sobre a dor que você está sentindo, inclusive amigos próximos do (a) seu (sua) ex-parceiro (a) (fiz isso no começo do processo e não recomendo em hipótese alguma, porque amigos do outro, mesmo que tentem se manter imparciais, acabam deixando escapar frases que vão te machucar) e a de se envolver com outras pessoas para camuflar o que está sentindo. Muita gente acredita que beijos e sexo casuais a qualquer momento e em excesso é uma fórmula pronta e infalível para lidar com um término, o que pode acabar em um desastre: você mais machucado do que deveria e outras pessoas envolvidas acabarem se machucando, além de adiar o processo do luto que, acredite, uma hora vem cobrar a sua dívida, e muitas vezes quando você menos espera.

O melhor a se fazer é voltar-se para si mesmo, repensar quem você era antes do relacionamento e o que era exclusivamente seu e que se perdeu durante a relação. E isso inclui retomar hábitos saudáveis (eu, por exemplo, voltei a dançar, cantar e tocar, que eram coisas que eu amava e não fazia mais depois da minha autoestima se reduzir a zero), conversar com amigos e com a família e permitir ter um tempo para si mesmo para se reconectar com seus gostos pessoais e que não sofrem influência ou interferência do outro (para mim, o essencial foi ouvir música trancada no quarto e ver filmes sozinha no cinema, por exemplo).

4. Separe a casualidade do sentimento primoroso do amor

Confundir casualidade com sentimentos gera frustrações e melancolia | Crédito: Khusen Rustamov/ISORepublic
Confundir casualidade com sentimentos gera frustrações e melancolia | Crédito: Khusen Rustamov/ISORepublic

É claro que, uma hora, você vai acabar ficando bem o suficiente conhecer outras pessoas e sair por pura casualidade. É importante, porém, não confundir ou se envolver emocionalmente com outras pessoas sem estar completamente preparada (o) para isso, confundindo sentimentos legítimos com a famosa carência. Sem essa separação, ambos os lados envolvidos saem machucados: você, por ter acelerado o processo e por descobrir que não era bem isso que você queria; e as pessoas com quem você se envolve, que podem acumular expectativas que nunca vão acontecer. Se você tem um coração puro, sabe o peso tenebroso e horrível que é machucar alguém por incorrespondência e falta de sinceridade consigo mesma (o). Simplesmente não faça isso. Seja honesta (o) desde o começo, tomando cuidado com palavras e atitudes que possam ferir. Apenas: seja madura (o).

5. Cerque-se de pessoas fortes e retome hábitos 

Pessoas maduras e com histórias pra contar serão suas melhores amigas no momento | Crédito: Farrel Nobel/Unsplash
Pessoas maduras e com histórias pra contar serão suas melhores amigas no momento | Crédito: Farrel Nobel/Unsplash

Esse é o melhor conselho que estou seguindo. E entenda: pessoas fortes são pessoas maduras, que lidam bem com seus sentimentos e sabem trabalhar neles, que não caem em negação e que possuem histórias de superação, além de trabalharem incansavelmente pelo próprio bem-estar e tomando cuidado com suas relações interpessoais, sendo completamente honestas com elas mesmas.

Nesse meio tempo, eu, por exemplo, conversei com mulheres feitas que superaram corações partidos e dores diversas de formas concisas: sendo honestas com elas e com as pessoas sobre os seus sentimentos e tomando atitudes para se refazer. Isso resultou em pessoas que voltaram a estudar, realizaram viagens, passearam sozinhas, solidificaram carreiras, conheceram pessoas novas e se permitiram o novo. Isso te dá esperanças de ver o final da tempestade, além de te inspirar a construir o teu próprio caminho da superação da forma mais linda possível.

Além disso, retome seus hábitos saudáveis, que eram só seus e que ninguém tira. Uma rotina para escrever seus poemas, os estudos, uma caminhada no parque, o ato de tocar um instrumento ou de desenhar. As artes, aliás, têm um poder altamente curativo nesses momentos. Quanto mais você se aproximar de ofícios voltados para ela, mais tranquilo e bem alimentado o seu coração estará.

6. Suma brevemente da vida da outra pessoa

Manter distância e curtir a si mesmo é um dos melhores remédios | Crédito: Nik MacMillan/Unsplash
Manter distância e curtir a si mesmo é um dos melhores remédios | Crédito: Nik MacMillan/Unsplash

Em casos extremos, você pode e deve sumir definitivamente, caso o término seja tão traumático que não valha nem uma amizade (isso é prudente em casos de términos por violência e relacionamentos abusivos). Mas em outros casos, não vale a pena nutrir raiva e outros sentimentos ruins por incorrespondência. Permita-se exercitar o perdão, pois ele auxilia no processo de autocura e de autoamor. Quando não se nutre sentimentos negativos, o que sobra é a gratidão e o desejo sincero de que o outro seja feliz, apesar das circunstâncias.

Ainda assim, é bom manter-se afastada (o) por uns tempos antes de retomar o contato e manter a amizade. Isso porque você precisa estar longe das novidades da vida do outro que possam ser tóxicas e te machucar de maneira desnecessária, além te gerar ou gerar expectativas no próximo que podem nunca se concretizar. Quem some faz falta, tanto no amor como na amizade honesta. Quando retomar o contato e ver que o respeito prevalece, é sinal de que o amor simplesmente se transformou de várias formas. Não vale a pena odiar por qualquer motivo que seja ou manter um silêncio por punição. Simplesmente não vale.

7. Encare o fim como definitivo 

Olhar o fim como o nome sugere previne machucados em excesso | Crédito: SHTTEFAN/Unsplash
Olhar o fim como o nome sugere previne machucados em excesso | Crédito: SHTTEFAN/Unsplash

“Ah, mas e se a gente voltar?”. Aí, minha gente, o que surge é outra história. Você pode retomar o relacionamento com essa outra pessoa, mas se o caso for esse é melhor encarar como um recomeço do que como uma continuação depois de uma dor causada ferozmente a ambos os lados. Se houver volta, vai com calma e permita-se enxergar que há um novo caminho para os dois.

Agora: independente se tem volta ou não, encarar a ruptura como definitiva permite com que você simplesmente siga em frente, se redescubra em um processo saudável e não crie ou gere falsas expectativas. A expectativa te deixa impotente e aprisionado. Quando você deixa de se importar com esse detalhe, as coisas fluem mais tranquilamente. E é aquela história: se for para ser, o universo dá conta de retomar. Enquanto isso, cuide simplesmente de você, dos seus sentimentos, feridas e cicatrizes.

Evite criar falsas expectativas | Crédito: Anthony Tran/StockSnap
Evite criar falsas expectativas | Crédito: Anthony Tran/StockSnap

É confuso? E como! Ninguém está livre disso no mundo. Mas é como diz o poema Não se mate, de Carlos Drummond de Andrade: “(…) Sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será”. Enquanto isso, bora viver. Simplesmente. ♥

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3 Comments Add yours

  1. Muito bom mesmo! Belas dicas!

    1. camilahonorato says:

      Obrigada, Alda! 🙂

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