O que aprendi como Community Manager (a social media do povão)

Ai, sabe, tô bem cansada de assuntos amorosos, términos e lamentações. Haja terapia pra me aguentar! Mas deu. O luto persiste, a esperança está aqui. Mas preciso me ocupar de coisas que me façam bem enquanto passo por esse momento difícil. E nada melhor do que escrever para vocês!

Eu pensei um pouco pra escrever esse texto porque queria que ele fosse mais do que informativo, mas também uma espécie de tutorial para as pessoas que desejam trabalhar com essa modalidade de social media. Como jornalista, recebo muitas perguntas sobre as principais áreas de atuação de quem se forma na área. E não resta dúvidas de que, com todas as bagunças acerca das incertezas dos mercados mais tradicionais, como redação, rádio e televisão, o setor mais fortalecido no momento é justamente o digital.

Crédito: Tero Vesalainen/ISORepublic
Crédito: Tero Vesalainen/ISORepublic

Dentro do mercado digital, você pode trabalhar com produção de conteúdo para sites e redes sociais (que por mais legais que sejam, são justamente as áreas que menos pagam), trabalhar com cargos voltados para a área de marketing digital (muito promissora) e, dentre muitas outras coisas, monitoramento de mídias sociais.

Ao longo da minha carreira como jornalista, que teve início em 2010, a área de social media foi justamente a que eu mais atuei, fosse com monitoramento ou com produção de conteúdo. Recentemente, mais precisamente até alguns meses atrás, eu trabalhava como Community Manager de uma marca famosa de cosméticos, voltada para o setor de coloração e produtos de cuidados para cabelos. E o que faz um community manager? Bem, o nome do cargo tem uma descrição muito mais simples. Vamos aos tópicos abaixo.

1. Community Manager é o social media do povão 

Crédito: Acan/ISORepublic
Crédito: Acan/ISORepublic

Fiquei orgulhosa dessa minha descrição, porque eu acho que ela se encaixa perfeitamente no que o cargo exige. Basicamente, em tradução literal, é a pessoa que trabalha com o gerenciamento da comunidade. Ou seja: você vai trabalhar para uma marca publicando as postagens que uma determinada agência de publicidade elabora como campanha (com as quais você nem sempre vai concordar) e, em seguida, responder a cada um dos comentários que essa campanha online, paga ou orgânica, vai gerar. Sim, gera um bom cansaço. E sim, você vai pegar tanto comentários sobre como a iniciativa da marca foi uma cagada (e, consequentemente, vai concordar com o cliente) como responder comentários de pessoas desocupadas e ocultar os absurdos dos trolls, que podem gerar uma crise gigantesca na marca nas plataformas digitais. De uma forma geral, as marcas optam por selecionar um post do Facebook, Instagram e etc que repercutam a propaganda atual com a qual eles trabalham, pagam pelo seu alcance e, por fim, geram aquela quantidade absurda de comentários que vocês vêm. E você responde um por um, além de ocultar as ofensas, responder dúvidas cabeludas e muito mais.

2. Você vai ver muitas áreas de oportunidade e fazer sugestões. Mas isso não significa que será ouvida (o)

Crédito: Iswanto Arif/ISORepublic
Crédito: Iswanto Arif/ISORepublic

Sinto em dizer, mas quando você trabalha diretamente com o público da internet você inevitavelmente acaba lendo coisas que UOU: a pessoa que escreveu tem razão e isso vai gerar uma repercussão absurdamente boa para a marca. E aí você vai estudar o assunto, elaborar um plano de ação, criar uma apresentação para convencer seus gerentes e líderes de projetos para acreditar na sua ideia e gerar aquele impacto positivo e inovador na sua fan page. E aí vem o terrível “não”. E não, isso não quer sempre dizer que a sua ideia não foi boa. Na maior parte das vezes, ela foi incrível. Mas cada marca tem sua própria maneira de gerenciar essa área e de definir por si mesma o que ela acredita que seja a melhor coisa a ser feita. E sim, você vai se frustrar. E sim, a marca vai perder oportunidades. E você vai ter que pensar, pelo bem da sua saúde mental e da sua vida profissional, que fez a sua parte da melhor maneira possível e que não é culpa sua se der merda.

3. A maior parte dos líderes de processos de social media não sabem muito bem como lidar com essa inovação no mercado

Crédito: Caio Triana/ISORepublic
Crédito: Caio Triana/ISORepublic

Seja dentro da sua empresa, seja com os “picas grossas da publicidade” ou com os principais gestores da marca. A realidade é que o mercado de trabalho, sobretudo no que diz respeito à evolução do mercado digital, mudou muito e ainda deixa muita gente confusa. É fato que o modelo tradicional que nós temos, com os famigerados cartões de ponto e oito ou mais horas de trabalho por dia, está mais do que ultrapassado. É preciso repensar em modelos que valorizem a criatividade e os melhores horários de cada indivíduo produzir, que saibam promover um ambiente de trabalho mais tranquilo e até dar mais foco ao ócio criativo. Mas falando sobre o mercado digital: a maioria trabalha em um formato que não condiz com o que esse universo necessita, e você também vai se deparar com um pacote de publicações e campanhas que o povo acha super maravilhoso e inovador, mas que na prática vai querer fazer você gritar por dentro.

4. O seu trabalho é muito mais do que responder pessoas

Crédito: Lia Leslie/ISORepublic
Crédito: Lia Leslie/ISORepublic

Uma vez, uma das minhas gestoras de marketing (uma das profissionais mais assustadoramente despreparadas para o cargo com a qual me deparei na vida) tratou a mim e à minha colega de trabalho como “as meninas do SAC digital”. Eu quis morrer, literalmente. Porque mais do que prestar atendimento ao cliente nas plataformas digitais, você vai ser o responsável por todo o XABU que vier disso – e isso inclui as escolhas erradas que a marca faz sem pensar na repercussão negativa que isso vai gerar. Você vai ser responsável por toda a gestão de repercussão da marca nas redes sociais, vai ser responsável pela criação ou pela manutenção de um Brand Voice que condiz com a identidade da marca (entenda-se como o tipo de comunicação verbal que você vai ter para responder os clientes, o que pode vir acompanhado de jargões, memes e frases de efeito), as sugestões de publicações orgânicas para movimentar as contas em momentos que não tenham campanhas em andamento, realizar relatórios quantitativos e qualitativos de desempenho e insights sobre a marca e, acima de tudo, ouvir a necessidade dos clientes. Sim, precisa escrever MUITO bem. E sim, na maior pare dos casos, você precisa falar outro idioma (inglês e/ou espanhol, principalmente). Isso quer dizer que, muitas vezes, você vai bater de frente com as decisões da marca em prol do que os consumidores exigem de você e com o que eles realmente se identificam.

Crédito: Radu Mihai/ISORepublic
Crédito: Radu Mihai/ISORepublic

Em resumo, essas são algumas coisas que aprendi e que gostaria de passar para quem vai mergulhar de cabeça nesse cargo. Esse ano de 2017 tem sido um ano de muitas, mas MUITAS dores pra mim. O meu emprego foi uma ruptura, o meu namoro foi outro (ainda que meu sexto sentido me diga que, por mais que demore, não será definitivo). E eu precisava escrever esse texto pra dar um último adeus a um cargo onde meu Deus, eu ralei. Mas que me ensinou muitas lições sobre o mercado digital e, acima de tudo, sobre a humanidade com as pessoas.

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