Resenha Literária: “A irmã da sombra”, de Lucinda Riley

Salve, minha gente! Que tal uma resenha literária (nem tão) fresquinha pra poder alegrar um pouco essa segunda-feira nublada? Os dias não tem sido fáceis – e eu bem acho que 2017 veio de vez pra testar todas as minhas forças (inclusive me pondo à beira do colapso com um término ou semi-término de um relacionamento de quase meia década). Mas voi là: a escrita tem poderes terapêuticos. E cá estou eu escrevendo pra vocês sobre outra coisa que tem o poder de criar cenários na nossa mente e nos afastar de tudo de ruim e confuso que acontece: os livros.

Já escrevi tanto sobre Lucinda Riley por aqui. E sério: não consigo me cansar de sua narrativa, da forma majestosa com a qual ela concilia drama, romance e histórias reais, vindas de figuras importantes do ramo das artes. Na saga As Sete Irmãs (cujo segundo livro já ganhou uma resenha por aqui), há um misto delicioso das histórias das personagens centrais de cada livro com figuras como a do engenheiro Heitor Costa e Silva e o escultor Paul Landowski, o compositor Edvard Grieg e a escritora Beatrice Potter. Essa última, aliás, foi a artista escolhida para delinear a história da personagem central.

O terceiro livro da saga sobre as irmãs adotadas pelo milionário Pa Salt, que deixa pistas sobre as origens reais de cada uma antes de falecer, centraliza na jovem Estrela D’Aplièse, que vive às sombras da sua irmã Ceci (ta aí o que eu acredito que tenha dado origem ao nome do livro, A Irmã da Sombra). Submissa e com pouca voz, tendo sua irmã mais próxima para sempre falar por ela e tomar suas decisões, Estrela começa um longo e árduo processo para se separar dos braços protetores da irmã e trilhar seu próprio caminho, buscando sua verdadeira identidade, seus gostos e indo atrás de seus sonhos, que antes encontravam-se ocultos pelo excesso de autoridade e proteção da irmã.

Em A Irmã da Sombra, a personagem Estrela se contenta com as coisas simples da vida - como cozinhar | Crédito: Daria Yakovleva/ISO Republic
Em A Irmã da Sombra, a personagem Estrela se contenta com as coisas simples da vida – como cozinhar | Crédito: Daria Yakovleva/ISO Republic

Diferentemente das outras irmãs, que sempre apresentam talentos extraordinários, Estrela é uma figura mais discreta e próxima de um protótipo comum e esperado de uma dona de casa da primeira metade do século XX, ainda que o livro seja ambientado nos dias atuais. Essa, aliás, foi uma das intenções apresentadas pela própria escritora ao desenvolver a história, defendendo que o feminismo não deve somente defender a vontade cega de uma mulher de construir uma carreira sólida no mundo corporativo, mas também a de valorizar aquelas que escolhem, por vontade própria, permanecer em casa e dedicar-se aos afazeres domésticos.

Estrela é assim: tímida, delicada ao extremo e que se diverte cuidando das pequenas hortas e decorações de sua casa, além de se alegrar em cozinhar para as pessoas que ama e de gastar algumas horas lendo livros. Seu sonho de ser escritora, o qual ela retoma discretamente durante a narrativa, é uma ambição sem pretensões extraordinárias, mas que ganha mais formas e contornos conforme a personagem cria asas em busca de sua independência, sobretuo quando ela vai parar em uma antiga livraria no primeiro passo da pista deixada pelo seu pai adotivo, onde ela começa a trabalhar e a descobrir mais detalhes sobre o seu passado. Dessa forma: ela é uma figura simples, e que encanta justamente por isso.

Ao buscar mais sobre suas origens, Estrela descobre que seu passado está ligado ao de uma inglesa que viveu em uma região bucólica e britânica da Lake District. Assim como Estrela, Flora é uma pessoa ligada ao lugar de onde vem. Apaixonada pelos animais, cuida perfeitamente da fazenda dos pais e parece um peixe fora d’água com sua altura e cabelos negros e longos, muito diferente do protótipo das mulheres curvilíneas da época.

A linda região do Lake District, no Reino Unido, foi um dos cenários escolhidos para a ambientação da história | Crédito: John McSporran/Flickr/Creative Commons
A linda região do Lake District, no Reino Unido, foi um dos cenários escolhidos para a ambientação da história | Crédito: John McSporran/Flickr/Creative Commons

Ao longo de sua história, Flora, uma típica aventureira, envolve-se de uma forma muito conturbada com o amor, é enviada para a cidade grande para ser educado pela alta corte e acaba descobrindo segredos impressionantes sobre suas origens, algo que se revela muito em comum com a história da personagem em questão. Nesse meio tempo, ela acaba desenvolvendo uma relação pessoal de amizade com escritora Beatrix Potter, o que acaba deixando os rumos do futuro dessa personagem ainda mais interessante.

O grande mérito desse livro é apostar na simplicidade. Apostar no jeito leve de ser dos personagens e na delicadeza e naturalidade que as relações se desenvolvem entre si. É uma história interessante sobre a busca pelo amor próprio e pelo protagonismo da própria história de vida, algo que parece tão fácil de falar mas que muitas vezes é difícil de colocar em prática.

VAI LÁ
A Irmã da Sombra, de Lucinda Riley
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 512
Link para Compra: Saraiva
Classificação Final: ♥♥♥♥ (Muito Bom).

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