Roteiro Gastronômico: a culinária direta e reta do “Ponta da Faca”, em SP

Os dias não andam fáceis. A bem da verdade: na semana passada, fãs de rock (de música boa, de uma forma geral) tomaram um belo soco no estômago com a notícia da morte repentina de Chester Bennington, vocalista do Linkin Park e uma das figuras mais emblemáticas do cenário do rock contemporâneo.

Eu poderia escrever um textão daqueles para falar sobre a importância dele como artista na minha vida, mas preferi guardar essas palavras para mais tarde, quando o choque tiver se dissipado um pouco e eu estiver com a cabeça no lugar para falar mais abertamente sobre a importância da prevenção do suicídio. Mas por enquanto, preciso me ater a coisas boas para poupar minha saúde e dar uma respirada. Por quê sejamos sinceros, né minha gente: o bagulho tá louco, o choque foi foda e a gente precisa se apegar a outras coisas boas pra não se balançar. E nada como uma diquinha boa de pessoa que circula pela cidade e que ama pra comer bem e espairecer nesses dias bagunçados.

Restaurante Ponta da Faca, em SP | Crédito: Camila Honorato
Pedacinho do menu do Ponta da Faca, que tem preços justos e ótimas opções | Crédito: Camila Honorato

Vamos lá, então, falar de um restaurante descoberto no susto em uma noite descompromissada em São Paulo e que ganhou meu coração com o corte da carne, cardápio objetivo e pratos que vão direto ao ponto, sem firulas. O Ponta da Faca fica localizado no bairro de Pinheiros e, caso você atravesse a Rua Artur Azevedo na pressa e com olhos desatentos, corre o risco de passar completamente despercebido e de ficar sem o direito de comer com um bom custo-benefício na cidade, o que está ficando cada vez mais complicado em tempos de crise e aumento de impostos. Mas enfim: por quê despercebido? Explico: a entrada é super discreta, o restaurante tem iluminação baixa e poucas mesas, o que ganhou de mim o apelido de “muquifinho aconchegante”. E falo sério quando digo que não há nenhuma conotação negativa nessa frase, porque a sensação é agradável e dá uma noção boa de aconchego.

Restaurante Ponta da Faca, em SP | Crédito: Camila Honorato
Pôsteres compõem a decoração da casa | Crédito: Camila Honorato

O espaço pequeno e as poucas mesas me deixaram preocupada. Perguntei ao garçom se aquilo não servia de impedimento para atender os clientes e deixar muitas pessoas em uma espera frustrante. Por incrível que pareça, é justamente esse clima o que atrai os poucos e fiéis consumidores à procura do lugar, tendo uma quantidade justa de esfomeados em busca de um cardápio enxuto e que oferece ótimas combinações. A comida é, aliás, o carro-chefe objetivo, literalmente na lata, que torna o lugar tão fascinante: as bebidas ofertadas limitam-se chá Mate Leão, refrigerantes e sucos de latinha, garrafinhas de Heineken long neck, café, água com gás ou um copo de água filtrada (esse último total free), o que já inviabiliza as oportunidades de happy hours estendidos. O que é mais comum por aqui é ver as pessoas se acomodarem nas cadeiras, em meio à decoração de jornais antigos e pôsteres vintage com uma fome de leão, em busca de hambúrgueres servidos com batatas fritas, batatas rústicas com maionese da casa ou onion rings – sendo essas opções também as únicas possíveis alternativas de entrada.

Restaurante Ponta da Faca, em SP | Crédito: Camila Honorato
Ambiente: Aprovado. Comida: Mais ainda. Esse é o Ponta da Faca, em SP | Crédito: Camila Honorato

Entre os burgers, é possível escolher entre uma das sugestões selecionadas pela própria casa ou montar um sanduba justo com ingredientes bacanudos. Entre os lanches mais “básicos”, destacam-se o Choripan (montado com pão francês, linguiça de pernil e chimichurri) e o Sem Carne (com pão de hambúrguer, shimeji, queijo, picles e a deliciosa maionese verde da casa). Decidimos pular qualquer uma dessas opções e montar nossos pratões mesmo, já que a fome apertava e eu estava com uma vontade gigantesca de comer uma carne bem preparada e mal passada. Mas se você é vegano ou vegetariano, não se preocupe: as opções também englobam esse público e oferece mix de cogumelos, saladas e vegetais variados e super bem preparados. Se você for fã de cebola roxa que nem eu, a saladinha que inclui a bonita tem alface, tomate e rúcula e vai bem com arroz, batatas e até estrogonofe de shitake e shimeji.

Os acompanhamentos do meu bife ancho de novilho (que, grazadeus, veio no ponto certinho e sangrento) foi um molho chimichuri, saladinha e um couscous marroquino com legumes que eu recomendo pra todo mundo. Em contrapartida, meu namorado preferiu comer a carne com molho barbecue, pãozinho e fritas. O prato principal tem dois acompanhamentos e um molho incluso e custam entre R$ 25 e R$ 30, com montagem servida de maneira justa. Para acompanhamentos extras, os preços variam entre R$ 5 e R$ 10 por opção.

Restaurante Ponta da Faca, em SP | Crédito: Camila Honorato
O meu bifão veio assim: lindo, bem temperado e com acompanhamentos gostosos | Crédito: Camila Honorato

Em resumo: o lugar é perfeito pra matar a fome sem firulas, com comida bem servida, opções suculentas, ambiente agradável. É comida boa sem mimimi. Ponto final.

VAI LÁ
Restaurante Ponta da Faca
Endereço: Rua Artur de Azevedo, 675 – Pinheiros
Telefone: (11) 98559-4551
Avaliação Final: ♥♥♥♥♥ (Excelente)

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