Ditadura Militar: fotos para desejar que ela nunca volte ao Brasil

Liberdades corrompidas, cultura restrita, perseguição política, economia contraditória, prisões, tortura e mortes. Muitas dessas histórias varridas para debaixo do tapete em uma vã tentativa de ocultar cadáveres e ideais e propagar um ufanismo que dá uma prévia de toda a violência decorrente da falta de democracia: “Brasil, ame ou deixe-o”.

A Ditadura Militar no Brasil teve início no ano de 1964, derrubando o governo de João Goulart, que assumiu a presidência com a derrubada de Jânio Quadros do poder em 1961, em meio a uma forte crise política. Naquela época, Jango assumiu o comando de um país quando o mesmo já se encontrava em fortes choques de correntes ideológicas, fossem elas políticas ou sociais (não estando uma, de maneira nenhuma, separada da outra). O mundo se deparava com o auge da Guerra Fria, separação entre comunismo e capitalismo e um sentimento forte de medo por parte das classes mais conservadoras. A esquerda não poderia, de maneira nenhuma, ganhar força por aqui.

Monumento Tortura Nunca Mais, em Recife | Crédito: marcusrg/Wikimedia Commons
Monumento Tortura Nunca Mais, em Recife | Crédito: marcusrg/Wikimedia Commons

Contam os livros de história que as aberturas concedidas a diversas organizações sociais passaram a preocupar não só os conservadores brasileiros, mas também os Estados Unidos. Os discursos de Jango sobre mudanças radicais na estrutura do país e a instabilidade econômica deixou muita gente poderosa com a pulga atrás da orelha – e aqui você pode inserir empresários, militares e até a igreja (em caixa baixa, porque não sou obrigada). Imagina só estudantes, trabalhadores e integrantes de grupos populares ganhando voz? Que perigo.

Os movimentos desfavoráveis ao governo de Jango fortaleceram a sua destituição do poder e o avanço dos militares. O ex-presidente se exilou no Uruguai e, aqui, as coisas começaram a anunciar a obscuridade que a bandeira verde e amarela enfrentaria por mais de vinte longos anos. Atos institucionais foram instaurados ao longo do regime, promovendo a ascensão do autoritarismo e da repressão. A imprensa e a cultura foram fortemente caladas. Pessoas foram presas, separadas de suas famílias, torturadas, exiladas e, muitas delas, mortas. Algumas sem receber uma identificação decente. Muitas com a dor no peito de não poder pertencer mais à própria pátria.

Ilustração: Angeli
Ilustração: Angeli

Hoje em dia, muito se discute sobre a crise econômica que se instalou no país e sobre os diversos escândalos de corrupção que assombram as nossas terras. O desemprego grita forte. Não somos representados por figuras políticas autênticas. Tudo beira o caos. Mas, ainda assim, querer que o país volte para a ausência de um regime democrático, com pessoas sendo reprimidas, violadas e assassinadas, é se deixar levar pela ignorância. É dar espaço para pessoas perigosas assumirem o poder e nos empurrarem para um retrocesso. É uma ameaça. Um medo.

Hoje, o Golpe Militar completa 53 anos de idade. A Rede Globo anuncia uma novela das 23h sobre esses anos grotescos (sim, isso é muito contraditório, mas não deixa de ser importante) intitulada como Os Dias Eram Assim. É hora de reler artigos e romances sobre o assunto, tais como a recente obra do jornalista Edney Silvestre, Vidas Provisórias (que em breve ganha resenha por aqui), e um dos romances de Miriam Leitão, Tempos Extremos, além de mergulhar nas biografias de figuras como Luís Carlos Prestes, Carlos Maringhella, Carlos Lamarca, Vladimir Herzog, Stuart Angel Jones e tantos outros. É tempo de descobrir o que aconteceu com mulheres fortes como Iara Iavelberg, Nilda Carvalho Cunha, Esmeraldina Cunha, Zuzu Angel e muitas outras que foram amordaçadas, torturadas, estupradas, mortas e/ou dadas como desaparecidas (e eu deixo aqui como indicação o ótimo livro para baixar Luta, Substantivo Feminino e o filme Zuzu Angel para entender um pouco mais que o impacto que essa atrocidade teve na vida de mulheres como nós).

Ilustração: Latuffe
Ilustração: Latuffe

Mas mais do que isso: eu deixo aqui, nessa seleção de imagens, uma reflexão pra você, que vai às ruas pedindo intervenção militar como se isso fosse uma resolução aceitável. A você que ignora o nome de pessoas que tiveram suas vidas destruídas, que foram expatriadas, sofreram choques e foram submetidas ao pau de arara e a suicídios forjados para acobertar os crimes desses seres demoníacos, que tanto usaram a sua força para usurpar a influência de quem eles consideravam tão “perigosos”. Porque a sabedoria de artistas e estudantes podiam informar as pessoas. E isso é tudo que o autoritarismo violento deseja.

Fiquem tranquilos, não vou inserir fotos de pessoas mortas – sou sensível e jamais faria isso. Mas fica aí a reflexão: depois de tudo que conquistamos, depois do nosso direito ao voto, nossa liberdade de usar a tecnologia livremente (ainda que alguns poucos idiotas não saibam usufruir desse benefício direito), de ir e vir (o que ainda pode melhorar) e de conseguir escutar as músicas e ler os livros que bem entendemos, vocês acham mesmo que retroceder é a melhor opção, quando as coisas já não estão tão fáceis e a nossa luta para seguir em frente e progredir já é muito árdua?

Eu me veria expatriada. E seriamente desaparecida.

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Você conseguiria viver em um mundo assim?

As fotos não estão creditadas devido à ausência de nomes no banco de fotos. Quem souber a origem e puder me informar, é só colocar nos comentários. 

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