Crítica de Cinema: Natalie Portman mostra sua força como atriz em “Jackie”

Começo esse texto com muitos suspiros em torno da capacidade cênica e da maturidade que Natalie Portman adquiriu com o passar dos anos. Seu potencial nunca foi desconhecido do grande público, mas adquiriu níveis estratosféricos em filmes como Closer – Perto Demais, V de Vingança e Cisne Negro, cujos papeis exigiram uma dramaticidade extrema da atriz.

E aqui, mais uma vez, toda sua qualidade fica evidente com sua interpretação em Jackie, longa metragem lançado em fevereiro desse ano no Brasil e que centraliza no luto da ex-primeira-dama Jacqueline Kennedy Onassis, uma das figuras políticas femininas mais queridas de todos os tempos pelos americanos. A trajetória de Jackie, aliás, é cercada por altos e baixos, com muitas doses de melancolia. Não é segredo para ninguém que a socialite sofria com a infidelidade sequencial do marido, com problemas familiares, o nascimento imprevisível de uma filha morte e uma tragédia presenciada de perto, mais precisamente ao seu lado e em seu colo. E é nesse capítulo que o roteiro de Noah Oppenheim foca.

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Natalie Portman está impecável no papel principal de ‘Jackie’ | Crédito: Divulgação

Jackie não foi meramente uma antagonista na história americana. Por trás dos desdobramentos trágicos de sua vida, ela tinha uma força descomunal para superar obstáculos e se reinventar. O filme não é centralizado em grandes edições, mas na expressividade no rosto de cada um de seus atores, na humanidade relatada em cada uma das frases presentes na fala da protagonista, na dor de quem presenciou uma cena que até hoje impacta o imaginário popular com sua intensidade e terror. Aqui, Jackie deixa de ocupar o papel de “a mulher ao lado de um homem poderoso” para ter sua dor escancarada em relatos crus e sem censuras.

O figurino é um dos pontos fortes de 'Jackie' | Crédito: Divulgação
O figurino é um dos pontos fortes de ‘Jackie’ | Crédito: Divulgação

No desenrolar da história, podemos ver que Jacqueline transita entre o luto e a preocupação. Longe de ser uma coitadinha que caminhou serena e impecável no cortejo fúnebre do presidente, aqui teve uma mulher que buscou um autoconhecimento visceral, sem poupar palavras de tristeza e raiva, questionando sua própria fé. Não há apelos na relação entre ela e John ou recortes do que viria a ser os episódios posteriores de sua vida, onde foi de Jackie Kennedy para Jackie O, casando-se com o milionário e magnata grego Aristóteles Onassis, escandalizando o mundo com suas fotos nua em uma praia (num vazamento até hoje mal explicado e que, dizem as más línguas, fora programado pelo próprio marido) e em uma carreira bem-sucedida como editora de livros, com cem exemplares publicados. Esse último episódio citado, aliás, deu origem a um livro interessante, que pretendo ter em minhas prateleiras muito em breve.

O triunfo de 'Jackie' é abordar a dor, muito além do luto, e valorizar a interpretação de seus atores | Crédito: Divulgação
O triunfo de ‘Jackie’ é abordar a dor, muito além do luto, e valorizar a interpretação de seus atores | Crédito: Divulgação

Aqui nesse filme, é a dor de Jackie como esposa, mãe e mulher que se torna o fio condutor em um longa metragem que se distancia de grandes recursos visuais. Longe de ser uma autobiografia completa, o longa metragem de Pablo Larraín acerta ao focar em um momento muito específico da história e extrair toda a carga dramática necessária de cada um dos membros que completam o elenco, inclusive John Hurt, como o Padre com quem Jackie estabelece um diálogo confessional, e Billy Crudup, como o jornalista que arranca da personagem toda a negatividade e revolta que ela guarda dentro de si. Outro ponto positivo aqui é a maquiagem e o figurino, visto que podemos notar muitas réplicas das roupas icônicas da primeira-dama e uma caracterização que trouxe à protagonista uma semelhança aterradora com a homenageada.

Jackie é, antes de tudo, um filme que retoma a importância que uma boa interpretação tem. E isso, como bem sabemos, Natalie Portman domina como poucos.

VAI LÁ
Jackie
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Noah Oppenheim
Trilha Sonora: Mica Levi
Elenco: Natalie Portman, Peter Sarsgaard, Billy Crudup, Greta Gerwig, John Hurt, Richard E. Grant, John Carrol Lynch, Beth Grant, Caspar Phillipson e outros.
Classificação Final: ♥♥♥♥ (Muito Bom).

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5 Comments Add yours

    1. camilahonorato says:

      Somos duas, acho ela incrível! ♥

  1. Linda postagem!!! Adorei!!!

    1. camilahonorato says:

      Obrigada, Nilda! Um beijo. 🙂

      1. OK…. Comenta minhas fotos!!! Beijos!!!

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