De 2016 a 2017: lições e metas para ser mais feliz

O ano começou com o pé direito pra mim, apesar de todas as dificuldades e de todos os momentos insanos que 2016 nos proporcionou. O ano que se encerrou foi definido em todas as expressões ruins por boa parte de meus amigos, familiares e conhecidos. Foi um ano de conflitos intensos, tanto pessoais quanto políticos. Amizades foram dizimadas por causa de ideias opostas e mal discutidas, a intolerância mostrou sua faceta mais assustadora e as perdas foram imensas e bem sentidas.

O ano de 2016 foi bem marcado pelos conflitos e crises econômicas e políticas no nosso país. Vimos uma presidente, a primeira mulher eleita democraticamente no cargo mais importante do setor, sofrer um impeachment por razões muito mal exploradas e explicadas. Vimos a corrupção ressurgir com casos insuportavelmente escandalosos e, por vezes, bizarros.  Vimos partidos esgotarem suas desculpas frente à lavagem de dinheiro e à utilização indevida do dinheiro público, ao mesmo tempo em que, pouco a pouco, nossos direitos como cidadãos eram reduzidos com projetos pouco estudados e que visavam unicamente o bem de uma das pontas do iceberg: a de nossos governantes. Nossa economia perdeu muito, nosso dinheiro foi ficando escasso e as oportunidades de emprego se reduziram, e ainda se reduzem, drasticamente, mostrando que o desespero exige muito de nossa capacidade física e mental pra ser combatida.

Crédito: Pacto Visual/ISO Republic (Menina da Estrada)
2016 teve Natal BEM reflexivo / Crédito: Pacto Visual/ISO Republic

Foi um ano onde doenças se mostraram mais fortes. Um ano onde discutimos muito sobre diversos assuntos, mas não fizemos tanto quanto poderíamos e gostaríamos. Enquanto isso, em escala global, um presidente pouco preparado e completamente sem noção vencia como líder maior do país que ainda ocupa o topo da economia do Planeta. As redes sociais, que ocupa uma parte significativa do nosso cotidiano, mostrou-se uma ferramente perigosa de propagação de mensagens e informações falsas, que se consolidaram como um fator direto e determinante tanto para impulsionar o pódio de um líder tolo como para tirar a Inglaterra da União Europeia – e provocar rebuliço e uma reflexão arrependida. Afinal, essas pessoas que colocaram Donald Trump na presidência e que votaram nessa separação tão impactante para o continente europeu realmente sabiam o que estavam fazendo ou a intolerância, o ódio e o preconceito realmente estão ganhando mais adeptos em um mundo tão contrário à discussão de ideias divergentes?

Enquanto isso, refugiados se acumularam nas areias das praias de países requisitados no mundo inteiro, travando uma verdadeira guerra entre seres humanos e seres sem um pingo de sentimentalismo que o valha. Crianças morreram aos olhos de lentes jornalísticas, resultando em imagens que chocaram espectadores com a brutalidade com a qual tais casos ainda são tratados por quem deveria acolhê-los. O mundo assistiu por séculos a homens do Velho Mundo expandirem territórios, organizarem invasões, conquistas forçadas, comércio e trocas questionáveis ao redor do Globo, com colonizações que escondiam a tomada de territórios de uma maneira forçada, manchando de sangue a bandeira e os povos cujas terras eram ocupadas. Mas que, tempos e tempos depois, quando uma parte significativa de países eram tomadas por grupos radicais (com uma brutalidade tão impressionante que, lentamente, nos trouxe a sensação de estar de volta aos tempos obscuros da Idade Média), esses mesmos colonizadores fecharam as portas. Defender a tomada de empregos e um preconceito e racismo velados tornou-se muito mais importante do que acolher pessoas em estado de necessidade e desespero.

Crédito: Alex Wigan/ISO Republic
Esse ano pediu por muitas reflexões e um olhar para dentro de si – e isso com certeza vai acontecer em 2017 / Crédito: Alex Wigan/ISO Republic

Aliás, foi graças a esse drama que vimos Aleppo, a cidade síria anteriormente considerada como uma das cidades antigas mais ocupadas do mundo, ser brutalmente destruída a olhos vistos. Governos de líderes mundiais mostraram-se pouco preparados e com pouquíssimas estratégias para combater um grupo de ideias que não deveriam, em hipótese alguma, serem propagadas em pleno século 21. O Estado Islâmico mostrou-se, por mais um ano, um trecho obscuro e pesado do coração humano, capaz de corromper a evolução e trazer o lado mais tenebroso e animalesco possível. Ataques terroristas reivindicados mostraram a que ponto a intolerância, sobretudo a religiosa, é capaz de chegar. E o objetivo final, tão fraco e desesperador, escancarou ainda mais como a guerra é proporcionada por tolos – e por motivos tolos que não a justificam.

Foi um ano de perdas dolorosas, de tragédias enormes e da expansão insana e muito mal explorada da tecnologia. Foi o ano de uma série como Black Mirror ser discutida amplamente e nos mostrar que o problema não está no avanço natural do universo tecnológico e digital, mas sim da forma estúpida como a utilizamos, tendo nossas feridas cutucadas com sal diante de uma forma tão pouco madura de encarar o avanço do mundo moderno. Foi uma época que nos mostrou que, com a mesma rapidez que possamos avançar dez casas, podemos retroceder outras vinte. Doenças mentais também deram suas caras e mostraram-se ainda mais presentes nessa era caótica e de mudanças intensas. A sociedade está doente, mas não repensa suas formas de agir para poder se curar e se tratar.

Crédito: Alisa Anton/ISO Republic (Menina da Estrada)
Por um mundo com mais flores, doces e cafés nesse novo ano ♥ / Crédito: Alisa Anton/ISO Republic

Ao mesmo tempo, 2016 também foi um ano bom. Foi um ano de filmes inacreditavelmente incríveis, de artes manuais sendo ainda mais valorizadas, de estreias impressionantes e iniciativas que mostraram que, sim: apesar de tudo, ainda temos salvação. Foi um ano que pudemos nos comover e nos mover diante de casos aterradores, pressionando autores de estupros coletivos a pagar por seus crimes e levantando mundos e fundos para ajudar países afetados por tragédias naturais. Vimos um verdadeiro líder entrar no território que, por anos, foi considerado seu inimigo por decisões mal tomadas durante a Segunda Guerra Mundial e uma legião inteira de pessoas comovidas e solidárias no mundo inteiro com um dos desastres aéreos mais impactantes pelo qual o país enfrentou em toda sua história, levantando o nome de jogadores de um time de futebol e mostrando que sim: temos, e muito, a belíssima capacidade de nos comover e nos unir para ajudar outros seres humanos.

Pessoalmente, esse ano me mostrou muitas dificuldades. Mas ao mesmo tempo em que teve muitas coisas a serem enfrentadas, também foi um ano no qual me reergui. Me recuperei de uma doença grave, recobrei a minha felicidade e a vontade de viver e trabalhar. Foi um ano no qual eu enfrentei meu lado obscuro pra conseguir dar a volta por cima, colocar a minha saúde em primeiro lugar e dar valor às pequenas coisas. Foi um ano de muito autoconhecimento, muitas idas à terapia para conseguir trabalhar meus medos e defeitos e, finalmente, começar o processo de entendimento de que eu não preciso dar conta de tudo. Foi, literalmente, o ano no qual eu mais estudei, sem precisar recorrer às salas de aula para tanto. Foi um ano no qual eu aproveitei meu tempo livre pra fazer cursos onlines, ler muitos livros, revistas e textões na internet, conversar com pessoas e entender o melhor que elas poderiam me ensinar, desenvolver ainda mais minhas aptidões culinárias e exercitar a minha escrita, além de retomar minha rotina com a música praticando voz e violão e, ainda por cima, retomando sonhos.

Crédito: Alexandre Perotto/ISO Republic (Menina da Estrada)
É isso o que eu desejo pra gente: mais cores e flores! / Crédito: Alexandre Perotto/ISO Republic

Se teve uma coisa que 2016 me ensinou foi que o auto amor é a chave para muitas coisas que permeiam a nossa vida, se não para tudo. Foi um ano que eu pude reaprender a respeitar minhas vontades e a me colocar como protagonista de minha própria história, recolocando minhas responsabilidades inteiramente nas minhas mãos. Foi um ano de muitos estudos sobre vinhos, filosofia, idiomas, literatura – tudo isso completamente sozinha. Foi um ano de reconexão com minha espiritualidade. Um ano que, apesar de todas as dificuldades coletivas, me mostrou que, se o seu corpo e a sua mente estão sincronizados e bem cuidados, todas as adversidades são encaradas de uma forma diferente. Foi um ano de muita ascensão pessoal.

Nesse ano que entra, pude receber todas as mudanças e os novos ares de uma forma muito positiva e tranquila – pela primeira vez em dois anos, sem o monstro da ansiedade me atormentando e corrompendo minha vontade de aproveitar cada minuto das festas. É o ano em que eu sei que novos projetos tomarão forma, entre livros e viagens que muito em breve vocês poderão conhecer. É um ano de muita vontade de produzir e de estabilizar em trabalhos e projetos que me deixam felizes, e um deles com certeza é esse site, que me dá mais esperança e vontade de compartilhar minha visão de mundo e informações com meus leitores. Saber que existem pessoas lendo minhas palavras do outro lado da tela do computador, e que minhas dicas de cultura e viagens são positivamente recebidas, é uma das coisas que me deixam mais do que feliz.

Esse site, aliás, foi concebido com novo nome e novo segmento em 2016, depois de anos e anos entre escritas desenvolvidas. Ele existe desde 2010, quando entrei na faculdade e precisava de um espaço para desenvolver meus textos e aptidões como jornalista e formadora de opinião. Com o tempo, a vontade de estabelecer esse projeto como algo consistente e que pudesse ser um elo forte de trabalho de produção de conteúdo com consumidores de conteúdo me deixou com mais vontade ainda de investir nesse pequeno lugar do mundo digital, com a proposta de enriquecer a mente das pessoas tanto com dicas quanto com textos e crônicas construídos e elaborados da melhor maneira possível. Afinal de contas: aqui desse lado, vocês podem contar com uma pessoa bem literária e super interessada em trazer mais cor e felicidade em um mundo que precisa estar em sempre em evolução.

Crédito: Alax Matias/ISO Republic (Menina da Estrada)
Que possamos ser mais unidos e tolerantes nesse ano que chega! / Crédito: Alax Matias/ISO Republic

Contem comigo sempre. Em 2017, estaremos mais juntos e unidos por um planeta melhor. Todas as grandes mudanças são feitas com pequenos gestos no dia-a-dia, inclusive em mudanças positivas dentro de nós mesmos. Afinal de contas, somos capazes de promover um reflexo externo de tudo o que vemos em nosso interior. Então, é claro: que sejamos seres humanos cada vez melhores e sempre abertos a novos ares, informações e mudanças, sendo nós mesmos os principais agentes dessa escalada!

Feliz Ano Novo pra todos nós! ♥

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