Crítica de Cinema: “Doutor Estranho” destaca-se como uma das produções mais ousadas da Marvel

Para quem é fã dos quadrinhos da gigante Marvel, o nome Doutor Estranho não soa realmente estranho ou novo aos ouvidos. Afinal de contas, trata-se de um dos mais clássicos personagens da famosa editora, tendo suas raízes fincadas nos anos 1960.

De uns tempos pra cá, é nítido que os filmes inspirados em grandes títulos da gigante das HQs tenha ganhado cada vez mais adaptações cinematográficas e atraído uma legião de fãs e curiosos às salas de cinema. O resultado é surpreendente nas bilheterias, com arrecadações bilionárias, e no boca-a-boca dos espectadores do mundo inteiro. Títulos como Homem de Ferro, a franquia de Os Vingadores e o mais recente longa metragem de Capitão América, intitulado como Guerra Civil, alcançaram números estratosféricos tanto nos cifrões quanto nos comentários positivos dos fãs e da crítica especializada. Isso tudo reflete que o mundo dos quadrinhos realmente veio para ficar nas telonas – e que o investimento nessa área está muito longe de acabar.

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Se o grande mérito de Os Vingadores foram os efeitos especiais e o toque de comicidade, Doutor Estranho segue pela linha dos apelos psicológicos e de uma trama bem delineada, mais centralizada nas fragilidades dos seres humanos. O personagem Stephen Strange (vivido nas telas pelo britânico Benedict Cumberbatch, indicado ao Oscar em 2015 por O Jogo da Imitação), criado pelo roteirista Stan Lee e pelo desenhista Steve Ditko, é um renomado e rico cirurgião que se deixa levar pelas aparências e por toda a arrogância que podem vir de um cargo de prestígio. Isso tudo é posto à prova quando ele sofre um grave acidente de carro que compromete o movimento de suas mãos.

Recluso e desesperançoso, Stephen afasta-se até mesmo da única pessoa que ainda via nele qualidades e potenciais: a médica e ex-namorada Christine Palmer (vivida por Rachel McAdams). Tudo isso muda ao cruzar com Jonathan Pangborn (Benjamin Bratt), um dos casos raros de reversão de tetraplegia registrados no hospital onde trabalha. Em um diálogo rápido e dramático, Stephen decide arriscar o pouco que resta de sua fortuna em uma jornada desconhecida até Kamar-Taj, em Catmandu, no Nepal. Lá, ele cruza com o Barão Mordo (Chiwetel Ejiofor) e a Anciã (vivida pela sempre incrível Tilda Swinton).

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Tilda Swinton e Chiwetel Ejiofor em cena como os personagens Anciã e Barão Mordo | Crédito: Divulgação

A jornada tem desdobramentos que se se assemelham com filosofias budistas. Dentro de seu processo de aprendizagem e autoconhecimento, Stephen acaba descobrindo que guarda dentro de si poderes muito maiores do que poderia prever. Além de iniciar o processo de recuperação, o médico se depara com realidades paralelas, distopia e poderes canalizados dentro da própria mente, como a realidade espelhada. Isso tudo é um ponto de partida fundamental para o ótimo desenvolvimento da qualidade dos efeitos visuais vistos no filme, um de seus pontos altos. Além de, é claro, o embate dos personagens centrais contra o vilão Kaecilius (Mads Mikkelsen) e a obscuridade de seres que desejam corromper a Terra.

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O ator britânico Benedict Cumberbatch no papel do personagem central, Doutor Estranho | Crédito: Divulgação

Mais do que tentar mostrar uma guerra passada entre bem e mal, herói e vilão, Doutor Estranho vence o espectador ao apresentar um desdobramento interessante em uma história onde o próprio personagem central é repleto de sentimentos contraditórios – além de mostrar que o próprio bem pode ser corruptível e que a maturidade tem um custo alto. Uma produção ousada e que, como todo bom filme da Marvel, traz bons extras que valem a permanência nos créditos finais. Não seja herege: fique na cadeira até subir as letrinhas!

VAI LÁ
Doutor Estranho
Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Jon Spaihts, Thomas Dean Donnelly e Joshua Oppenheimer
Elenco: Benedict Cumberbatch, Tilda Swinton, Rachel McAdams, Chiwetel Ejiofor, Mads Mikkelsen, Scott Adkins, Amy Landecker, Benedict Wong, Michael Stuhlbarg, Benjamin Bratt e Chris Hemsworth.
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Produção: Stan Lee
Distribuição: Disney/Buena Vista
Classificação Final: ♥♥♥♥♥ (Excelente)

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