Vá Ao Teatro: musical “My Fair Lady”, em São Paulo, mescla comédia e boa música

Em 1965, há 51 anos atrás, Hollywood era presenteada com o lançamento de um dos mais belos e divertidos musicais de todos os tempos. Na ocasião, uma das figuras femininas mais aclamadas do cinema surgiu simplificada nos primeiros minutos do longa metragem: seus belos figurinos foram trocadas pelas vestes simples de uma vendedora de flores que, com seus erros crassos de gramática na língua inglesa, despertavam a atenção de um professor de fonética que esbarrava com ela pelas ruas de Londres. A figura, na ocasião, era ninguém menos do que Audrey Hepburn. E sua versão para Eliza Doolittle encantaria plateias inteiras no decorrer dos anos.

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Paulo Szot e Daniele Nastri como os protagonistas de My Fair Lady, em cartaz em São Paulo | Crédito: Divulgação

My Fair Lady foi inspirada na peça teatral Pigmaleão, do dramaturgo irlandês George Bernard Shaw. Na história, Eliza é tirada das ruas pelo professor Henry Higgins para que o mesmo vença uma aposta de comprovar que seus métodos são capazes de transformar a mais simples das moças em uma verdadeira dama da alta sociedade, capaz de impressionar em eventos e bailes da realeza. Dono de um ar arrogante e de uma dose significativa de preconceito com pessoas pobres, Higgins é desafiado a sair do seu lugar comum quando Eliza surge com suas falas inocentes e seu jeito divertido de ser. Uma história delicada, recheada de boas músicas e capaz de amolecer até o mais duro dos corações com uma personagem tão carismática. E foi essa a história a ganhar os palcos da Broadway e mais de uma versão nos teatros brasileiros, sendo que a última entrou em cartaz em agosto em São Paulo.

Dirigida por Jorge Takla, a versão brasileira de My Fair Lady conta com dois ótimos atores nos papeis principais. O premiado cantor lírico Paulo Szot empresta sua voz potente de barítono e sua comicidade ao exageradamente aristocrático e irônico Higgins. Sua química e sua interação com a linda Daniele Nastri, um talento muito promissor do teatro musical é a principal responsável por cativar a atenção do público, juntamente com as falas e os trejeitos de bon vivant do pai da moça, Alfred Doolittle – interpretado com maestria por Sandro Christopher. Os dois, aliás, superaram o desafio de dar uma nova cara ao espetáculo depois do sucesso estrondoso que a versão de 2007 da peça, encenada nos palcos do Teatro Alfa, fez junto ao público, encantando-o com a interpretação e as vozes impecáveis de Daniel Boaventura e Amanda Acosta.

Audrey Hepburn e Rex Harrison na versão cinematográfica de My Fair Lady, de 1965 Crédito: Divulgação
Audrey Hepburn e Rex Harrison na versão cinematográfica de My Fair Lady, de 1965 \ Crédito: Divulgação

É injusto comparar as duas versões do espetáculo, pois ambas possuem seus encantos e seus poderes de fascinar com cada segundo de suas apresentações. A beleza dos cenários de Nicolás Boni casam perfeitamente com a qualidade absurda dos figurinos de Fábio Namatame, capaz de fazer com que qualquer ser humano em sã consciência suspire profundamente com sua riqueza de detalhes. O universo criado pela equipe técnica do espetáculo transportam o espectador até a Londres do início do século XX de uma forma tão deliciosa e competente que não é possível sequer sentir que passam-se três horas de apresentações.

Com uma versão que faz jus a grande parte das cenas de sua versão cinematográfica, até mesmo com os trejeitos que a protagonista Daniele Nastro pegou delicadamente de Audrey Hepburn, emprestando sua identidade artística a uma personagem tão fascinante e graciosa, My Fair Lady é uma junção perfeita de boa trilha sonora e comicidade. Um conjunto da obra que, não fosse a acústica do moderno Teatro Santander, que ainda precisa ser aperfeiçoada, chegaria à perfeição.

Paulo Szot e Daniele Nastri em ação como os protagonistas de My Fair Lady, em cartaz em São Paulo | Crédito: João Caldas/Divulgação
Paulo Szot e Daniele Nastri em ação como os protagonistas de My Fair Lady, em cartaz em São Paulo | Crédito: João Caldas/Divulgação

VAI LÁ
My Fair Lady
Onde: Teatro Santander, em São Paulo
Direção: Jorge Takla
Coreografia: Tânia Nardini
Figurino: Fábio Namatame
Cenografia: Nicolás Boni
Elenco: Paulo Szot, Daniele Nastro, Eduardo Amir, Sandro Chistopher e outros (total de trinta atores).
Ingressos: de R$ 25 a R$ 260 (à venda pelos sites Entretix e Ingresso Rápido).
Classificação: ♥♥♥♥♥ (Excelente).
Em cartaz até 6 de novembro. 

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