Ensaio Fotográfico: cinza, café e flores em São Paulo

Eu me lembro da primeira vez que vi a Sasha. Era meu primeiro dia de aula na faculdade de jornalismo e eu estava perdida dentro da sala, procurando por um grupo de amigos onde eu pudesse me encaixar. Naquela época, ela era um tanto quanto inacessível pra mim, e eu acabei ficando próxima de um grupo grande de pessoas que me ganharam pelo riso fácil.

Ela, por outro lado, ficava ao lado das mulheres que mais me encantavam pela beleza e pela presença firme. Desde aquele primeiro dia, eu ficava orgulhosa de saber que pessoas tão lindas do sexo feminino se interessavam por textos complexos, obras de Truman Capote e filmes em preto e branco que as conduziriam a uma carreira contraditória, mas também cheia de encantos. A Sasha se destacava no meio delas com suas combinações divertidas e nada óbvias de batom escuro e calça laranja, um figurino que ela usava com a mesma segurança de uma modelo de lingerie na passarela da Victoria’s Secret. Só que ela conseguia isso sendo ela mesma no dia a dia. Ela conseguia isso sendo mais.

Era uma menina de olhos azuis impactantes, cabelos loiros displicentes e um sotaque encantador que me lembrava os lugares que eu mais queria visitar na Europa, sobretudo no leste. A maneira que eu a via começou a se tornar mais próxima, ironicamente, quando eu troquei as manhãs na faculdade pela noite. Nós passamos a não nos cruzar mais dentro da sala, mas sim pelos corredores das redações de uma empresa gigantesca e por trocas de mensagens atrás de pautas. Nós sempre entrávamos em contato pra descobrir bons personagens em matérias ou trocar experiências sobre viagens que pudessem render um bom texto. Desabafávamos sobre as agruras de estar no meio de uma carreira tão instável de humanidades. Chorávamos com os fechamentos de revistas e com a instabilidade emocional que vinha com tantas incertezas.

sasha
Minha fotógrafa querida e amida do coração, Alex Blanco | Crédito: Julia Likosheva

De lá pra cá, a garota que eu tanto admirava se tornou uma amizade possível e essencial na minha vida. Quando a conheci, ela era um ponto brilhante no Brasil, trazendo histórias entre a Ucrânia e a Rússia e me encantando com as contradições culturais que vinham de todas essas experiências malucas. Depois disso, ela se tornou um ombro amigo a quem eu podia recorrer quando as coisas se tornavam desesperadoras, e ficava feliz de saber que uma pessoa tão incrível se sentia confortável pra fazer o mesmo comigo.

A Sasha trocou de apelido e de nome artístico. Passou a assinar sua vida e obra como Alexandra, trocou São Paulo por Amsterdã, o metrô pela bicicleta, a redação pelas lentes e pela câmera. Sua sensibilidade artística tem a capacidade de alcançar diferentes esferas e modalidades, sempre trazendo beleza e intensidade em cada trabalho autoral assinado com seu nome. Mas ela escolheu a fotografia como a forma de arte que fala mais alto por ela e por sua alma.

Há um misto de melancolia e um toque de esperança no olhar dos modelos que se encontram na frente de sua câmera. É possível encontrar, ao mesmo tempo, uma alegria pronta pra se espalhar pelo mundo e detalhes captados com uma simplicidade deliciosa, que traduzem nosso cotidiano em pequenos atos. Sasha é uma ótima escritora, mas a Alex é a melhor fotógrafa que eu já conheci.

Na última vez que a vi pessoalmente, em São Paulo, nós passamos um tempo agradável na Casa das Rosas entre conversas e desabafos. Os sorrisos bem abertos que vocês podem ver em algumas fotos aí embaixo são espontâneos, captados entre uma risada e um caso que ela contava e que eu compartilhava com ela. Ela me fotografava sem que eu percebesse, mesmo com a câmera bem na minha frente.

Vocês podem conferir as melhores fotos abaixo e conhecer mais do trabalho de Alexandra Blanco e da Kaptuur clicando aqui. ♥♥

Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur

Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur
Camila Honorato | Crédito: Alex Blanco / Kaptuur

*Leia mais: Casa das Rosas (SP): uma doce forma de poema

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