Especial Maximus Festival 2016: saiba todos os detalhes do evento!

Bandas de peso, público fiel e um encerramento majestoso com um espetáculo teatral repleto de pirotecnia. A primeira edição do Maximus Festival Brasil teve um bom saldo, com algumas falhas que anunciam exatamente aonde a produção e organização do evento precisam investir para o aprimoramento da próxima edição, já confirmada para 2017.

Na última quarta-feira (07/09), feriado a Independência do Brasil, o Autódromo de Interlagos teve uma parte de sua estrutura utilizada para o evento, de forma muito mais discreta do que o já bem consolidado Lollapalooza, que desde 2014 acontece no local e já é bem estruturado no país, com grande apelo comercial. Os três palcos eram próximos, sendo que os dois principais, o Rockatansky e o Maximus, ficavam lado a lado e remetiam ao formato visto no extinto SWU. A estrutura, que contou com uma moeda customizada (a “metals”), teve food trucks e uma decoração bem interessante, onde destacou-se um pequeno cemitério com nomes importantes do rock que nos deixaram, estátuas gigantescas e até um trono de caveiras.

Estrutura do  Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)
Estrutura do Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato

O evento começou pontualmente às 12h com o show da banda nacional Ego Kill Talent, seguidos pelos integrantes do divertido Steve ‘N’ Seagulls, conhecidos por fazer versões divertidas de clássicos como The Trooper, do Iron Maiden, e Thunderstruck, do AC/DC, no banjo. Logo em seguida, foi a vez do Woslom se apresentar no palco 3, nomeado como Thunder Dome, que recebeu outros nomes carismáticos do rock nacional, entre os quais destacou-se os simpáticos integrantes do Project 46 e a potência máxima do vocal feminino de Emmily Barreto, líder do Far From Alaska. O Raven Eye encerrou as atividades por ali.

Project 46 durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)
Project 46 durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato

Nos palcos principais, Shinedown e Hellyeah começaram a mudar a atmosfera e a concentrar mais a atenção do público. Ainda que houvessem espaços bem demarcados pelos visitantes, ficou bem nítido que os preços cobrados nas entradas (entre R$ 220 e R$ 800) eram exorbitantes e não condiziam com a realidade. Em muitos momentos, mesmo nos shows dos headliners, era possível ver buracos bem espaçados na plateia.

Black Stone Cherry durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)
Black Stone Cherry durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato

Às 15h35, as melodias do Black Stone Cherry tornaram a arena mais ocupada e com coros bonitos e bem evidentes, sobretudo em faixas como Me And Mary Jane e Soul Machine. O cover discreto de Ace os Spades, do Motörhead, encerrou a apresentação e deu lugar aos vocais potentes e cheios de drive da norte-americana Lzzy Hale, cuja presença de palco e competência na guitarra deixam muito marmanjo no chinelo. A execução impecável de músicas como Love Bites (que abriu a apresentação e mostrou que, graças ao deuses, a banda não mais precisa se apoiar na faixa com o público brasileiro), Apocalyptic,  I Like It Heavy, I Am The Fire, Freak Like Me e I Miss The Misery configurou o show da banda como um dos mais competentes do dia.

Halestorm durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)
Halestorm durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato

Por outro lado, o Bullet For My Valentine, ainda que carismáticos e executando precisamente o que foi ensaiado entre eles, mostrou ser uma das bandas que sofreu com algumas das falhas técnicas da produção. Em muitas das músicas do setlist, tais como Your Betrayal, ficou notório que os microfones estavam muito baixos em relação aos outros instrumentos, sobretudo a bateria, com um bumbo escandaloso e que apagava trechos notórios das músicas, inclusive nos guturais de ambos os vocalistas, Michael Paget e Matthew Tuck (as mina pira, e eles estão ó: de parabéns). O público notou isso e, em alguns momentos, ficou apático, o que é uma pena para uma banda tão empenhada em entretê-lo. O ponto alto foram dois dos grandes hits do grupo galês: Tears Don’t Fall e Waking The Demon, que impulsionaram os pontos positivos do show.

Bullet For My Valentine e o vocalista Matthew Tuck durante o Maximus Festival 2016 (e eu sem saber lidar com essa evolução física do moço) | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)
Bullet For My Valentine e o vocalista Matthew Tuck durante o Maximus Festival 2016 (e eu sem saber lidar com essa evolução física do moço) | Crédito: Camila Honorato

Em seguida, os americanos do Disturbed escancararam competência, sobretudo no quesito interação com o público e execução impecável ao vivo. A voz de David Draiman foi um dos grandes destaques da noite no quesito qualidade musical (porque né, minha gente: cantar no tom certo é incrível, mas quando se tem uma voz bonita é melhor ainda). Hits como Prayer e Stupify levantaram o público, mas foi na linda versão de The Sound Of Silence, originalmente executada por Simon & Garfunkel, que tudo isso ficou mais evidente. A banda também ganhou o coração da plateia ao executar uma tríade de covers competentes: I Still Haven’t Found What I’m Looking For, do U2, Baba O’Riley, do The Who (pra mim, a melhor) e Killing In The Name, do Rage Against The Machine (que eu acho uma coisa bem manjada, mas que sempre dá um gás em qualquer público durante um evento desse porte). O show ainda teria ótimos momentos com The Light, Stricken, Voices e Down With The Sickness.

Disturbed durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)
Disturbed durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)

Se por um lado o Halestorm, o Bullet For My Valentine e o Disturbed ficam bem demais quando interagem com a plateia, o mesmo falta em excesso no show do Marilyn Manson. O cantor tem ótimas músicas e apresentações atraentes aos olhos curiosos e foge de tudo que é comum no mundo da música. Mas se nos anos 1990 a figura do anticristo andrógino e de performances escandalosas, com um apelo sexual evidente, era o que atraía a atenção da mídia e do público, hoje fica bem difícil entender o que o artista realmente planeja com suas performances. Pouca gente entendeu, inclusive, o real motivo do cara ter pausado o show pra reclamar com uma fã e proclamar um show de carência com o cameraman do evento.

Marilyn Manson durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)
Marilyn Manson durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)

Ainda que haja maquiagem e troca de figurinos em uma apresentação com um pé no lado extremamente performático, coisa que eu acho que falta muito em bandas contemporâneas, parece que falta ao rockstar, à beira dos 50 anos e completamente fora de forma, segurança em cada passo dado em cima do palco, até mesmo nas insinuações sexuais. Os buracos grandes entre uma música e outra deixaram a apresentação em desvantagem e por pouco não esfriou as coisas com a plateia, em boa parte composta por fãs apaixonados e extremamente fieis ao ídolo. O que salvou tudo foram os coros de M’Obscene (cadê as moças cantando agudo e dançando, pelo amor de Deus?), a versão sensual e bem conhecida do hit do Eurythmics, Sweet Dreams (Are Made Of This) e The Beautiful People, que encerrou a apresentação e deu lugar ao espetáculo final.

Rammstein durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)
Rammstein durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato

E quem diria que uma banda tão esperada pelo grande público não teria sotaque britânico nem americano? Aliás, nunca imaginei ver um público tão melhor no alemão do que no inglês! O Rammstein foi formado em Berlim no ano de 1994 e, desde então, atraiu multidões sedentas por espetáculos de iluminação e pirotecnia capazes de deixar até os experientes integrantes do Kiss no chinelo com uma performance bem ensaiada de rock teatral. Aliás, minha gente, todas as maluquices que o vocalista gigantesco e de voz absurdamente grave Till Lindemann realiza no palco são fruto de muitos estudos e ensaios absolutamente profissionais e experientes no ramo, com direito até a certificado. Não  tentem copiar na vida, tá bem? Então tá bem.

Rammstein durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)
Rammstein durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato

A falta de troca verbal com a plateia não parece ser uma falha. Pelo contrário: é um ponto forte e bem destacado, compensado por uma intensa troca de olhares, jogos com expressões corporais e insinuações. É literalmente uma peça de teatro e circo dentro de um show de rock, o que com certeza acabou justificando o título de Maximus dado ao festival. O público, aliás, mostrou ser fiel à melhor definição de coro não só nas extremamente conhecidas Du Hast, Amerika e Te Quiero Puta, mas em absolutamente todas as músicas de um setlist completamente composto por porradas e sem grandes intervalos entre uma faixa e outra. Foi, literalmente, um teste de resistência física e psicológica.

Rammstein durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)
Rammstein durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato

Reise, Reise, Keine Lust, Mein Herz Brennt, Ich Will e Sonne estiveram entre os pontos altos da performance, intercaladas com explosões assustadoras, que até provocaram um pequeno acidente no frontman, que literalmente queimou a sobrancelha e teve um pequeno sangramento. O show ainda contou com um cover de Depeche Mode, em uma versão provocadora de Stripped, e uma performance do vocalista usando asas de anjo e ficando suspenso no palco na faixa Engel.

Rammstein durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato (Menina da Estrada)
Rammstein durante o Maximus Festival 2016 | Crédito: Camila Honorato

Quem tá de parabéns também é o tecladista Cristian Lorenz, que literalmente malhou durante o show inteiro. Ainda quero entender como um ser humano consegue andar por tanto tempo em uma esteira, dentro de um macacão justíssimo e brilhante enquanto toca um instrumento. Mas em suma: a banda inteira mostra pros fãs e pra qualquer um que aprecia uma boa apresentação musical o por quê assisti-los é uma experiência pra se ter pelo menos uma vez na vida. Uma aula de como juntar diferentes modalidades de arte dentro de um show musical e, ainda por cima, ensinar a muitas bandas atuais como é que se faz!

Setlist Completo: 1. Ramm 4; 2. Reise, Reise; 3. Hallelujah; 4. Zerstören; 5. Keine Lust; 6. Feuer Frei!; 7. Seemann; 8. Ich Tu Dir Weh; 9. Du Riechst So Gut; 10. Mein Herz Brennt; 11. Links 2-3-4; 12. Ich Will; 13. Du Hast; 14. Stripped (Depeche Mode Cover) / Encore: 15. Sonne; 16. Amerika; 17. Engel / Encore 2: 18. Te quiero puta!

Veja todas as minhas imagens feitas durante o evento no meu Flickr acessando aqui

MAXIMUS FESTIVAL BRASIL 2016
Classificação Final: ♥♥♥ (Bom).

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