Especial Bienal do Livro 2016: o universo de Lucinda Riley

Lucinda Riley não pertence à casta de escritores inacessíveis, pouco afeiçoados a contatos públicos, sobretudo quando se trata de receber fortes agradecimentos por suas obras. Dentro do universo literário, principalmente daqueles encontrados dentro dos padrões da crítica especializada, é comum encontrar dificuldades até em agradecer por um livro que lhe fez bem e, consequentemente, até mesmo se deparar com um retorno verbal pouco agradável como: “Não fiz grandes coisas”.

Felizmente, essa irlandesa alegre, de olhos azuis gentis e presença firme, autora de best-sellers como A Casa das Orquídeas e A Luz Através da Janela, não parece se encaixar em nenhuma dessas figuras. Ao contrário: é solícita, apaixonada por seu trabalho e encontra em cada olhar e palavra de agradecimento do leitor uma gratidão mútua e infinita, juntamente com um impulso grande para continuar seu trabalho. Aliás, é isso que mais amo nessa nova leva de escritores, que parecem cada dia mais empenhados em aumentar a proximidade com o leitor, ao invés de afastá-los de um rótulo antigo e pré-determinado do que é ser intelectual. Interagir e ouvir o que eles têm a dizer é, afinal de contas, uma das grandes chaves para o sucesso. Graças aos deuses!

Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato / Menina da Estrada
Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato

No último sábado (02/09), durante o último final de semana da Bienal do Livro 2016, a escritora esteve na Arena BNDES para palestrar sobre seu mundo, suas obras e suas grandes fontes de inspiração, além de distribuir autógrafos, responder a perguntas do público e lançar seu último livro, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro: A Irmã da Sombra, terceiro volume da saga As Sete Irmãs e continuação da obra A Irmã da Tempestade, cuja resenha vocês podem ler aqui. Confiram abaixo o melhor do bate-papo, com uma ótima dose do bom humor peculiar dessa artista das palavras!

O processo criativo

O público durante a palestra de Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato / Menina da Estrada
O público durante a palestra de Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato

“Não costumo fazer anotações enquanto escrevo. Não recorro ao computador, pois o computador está sempre dentro da minha própria cabeça. Meu processo criativo ocorre naturalmente quando me sento para escrever e me concentro naquela história. Meus personagens não possuem uma identidade pré-estabelecida: eles ganham vida própria e tomam suas próprias decisões. O que acontece é que eu deixo o livro ser escrito “sozinho”, respeitando as circunstâncias que aparecem e as decisões dos personagens, por mais que ás vezes não concorde com elas. Minhas personagens femininas, por exemplo: me pergunto como elas podem se envolver com os tipos errados na maior parte das vezes. Fico com vontade de gritar: “Hey, não se envolva com ele! Ele é um merda, pelo amor de Deus!” (risos).

A publicação dos livros

Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato / Menina da Estrada
Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato

“É impressionante, mas sempre levo, em média, nove meses para escrever um livro inteiro. No começo, aconteceu de coincidir com a gravidez: era um livro publicado e um filho nascendo (risos). Tenho cinco filhos, então vocês podem imaginar a situação… Sobre ter inspiração: não há algo específico. Tudo o que eu vivo pode virar uma fonte de inspiração para mim e entrar em algum livro como uma história. Os títulos são, talvez, a parte mais complicada disso tudo. É sempre muito difícil escolhê-los. Ás vezes tenho a ideia de um título e acho ele incrível. Mas tenho quarenta editores no mundo todo e o título tem que se adequar ao mesmo significado em todos esses países. Por exemplo: o título original que eu tinha pensado para A Irmã da Tempestade ficaria traduzido com a palavra ‘pum’ no meio da frase em português. Imaginem só, A Irmã do Pum! (risos). Definitivamente, não ia ficar legal”.

Como tornou-se escritora

Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato / Menina da Estrada
Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato

“Eu era atriz antes de começar a escrever e sempre tinha uma ideia persistente na minha cabeça: a de que os roteiros sempre poderiam ser melhores e melhor trabalhados. Foi então que eu fiquei doente, de cama, com dengue e impedida de atuar. E então comecei a escrever e nunca mais parei. Escrever tem um efeito terapêutico incrível. Se eu não escrevesse as minhas histórias, eu ficaria louca! Toda vez que vejo um livro publicado, penso na ideia de que a sensação tem muitas semelhanças com o fato de ver um filho pela primeira vez. Assim como ver o filho, ver um livro publicado é um momento mágico, onde você acredita que o seu “filhote” é a coisa mais linda do mundo!”.

Preconceito literário

Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato / Menina da Estrada
Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato

“Tenho que lidar muito com as críticas o tempo inteiro, além de me deparar sempre e com os rótulos de ser uma escritora em um meio ainda dominado por homens. É aquele velho e chato preconceito que sonda a gente, com o fato de que, por ser mulher, você escreve livros exclusivamente para mulheres. É um absurdo. Meu conselho para quem quer escrever é: sejam sempre vocês mesmos, sejam quem vocês querem ser. Pra começo de conversa, nesse universo literário, eu não me encaixo no padrão de uma autora séria. Autor sério, pra mim, é aquele que veste paletó e gravata. Eu não sou assim e não conseguiria ser. Sou apenas quem eu quero ser. Aliás, um fato curioso sobre esse turbilhão de críticas negativas: a maior parte das pessoas que fala mal dos meus livros nem sequer se deu ao trabalho de lê-los!”.

Sobre o Brasil

Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato / Menina da Estrada
Público durante a palestra de Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato

“Essa é a minha terceira Bienal do Livro. Eu simplesmente amo isso aqui. Mas tenho que confessar: o meu sonho é chegar no Brasil e poder ficar sossegada com a minha bagagem. Toda vez que venho aqui, minha mala é extraviada. Acho que o Brasil quer me ver pelada! (risos). Brincadeiras à parte, eu fiquei desesperada no hotel sem não ter nada pra vestir e na véspera de uma palestra em um evento tão importante quanto a Bienal. Quando a bagagem chegou, eu simplesmente olhei para o rapaz do hotel e gritei: ‘Eu te amo!’ (risos).

O Brasil era um lugar que eu sempre quis conhecer. Antes mesmo de visitar o país pela primeira vez, eu sonhava muito com ele. É muito curioso! É aquela sentimento que eu vejo as pessoas tendo pela França: eu nem te conheço, mas eu já te amo. Eu tinha que escrever um livro que fosse ambientado por aqui (caso de As Sete Irmãs).

CURIOSIDADES

Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato / Menina da Estrada
Selfie coletiva com Lucinda Riley na Bienal do Livro 2016, em São Paulo (e eu, toda feliz!) | Crédito: Camila Honorato

Antes de entrar no palco, Lucinda brincou que havia recebido uma ligação de um de seus filhos: “Eles nunca crescem. Eu estava prestes a palestrar aqui e eles estavam me ligando para pedir dinheiro”. Junto com sua entrada triunfal, vinda de uma mulher de cabelos louros platinados e um bronzeado invejável do sul da França, vieram muitas selfies coletivas com o público e um carinho mútuo.

Perguntada sobre a saga de As Sete Irmãs, Lucinda fez mistério quanto ao suposto aparecimento da sétima irmã que, na saga, nunca foi encontrada e permanece uma incógnita. Mas adiantou que a saga inteira terá oito livros publicados e que está em negociações com estúdios de Hollywood para transformar seus livros em série de televisão, fatos que levaram o público ao delírio.

Quando questionada sobre suas personagens favoritas de todos os livros que já publicou, a autora brincou com uma espectadora: “Isso não se faz! Eu simplesmente não consigo!”. Aos risos, no entanto, acabou revelando que, se pudesse escolher duas personagens para ganharem vida na sua frente, escolheria a indiana Anahita de A Rosa da Meia Noite e a musicista Ally de A Irmã da Tempestade.

Fiquem atentos aqui no site! Em breve, teremos mais resenhas sobre os livros da autora!

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