Exposições: “Ocupação Glauco” foi uma lição de interatividade

Entre os meses de julho e agosto, o Itaú Cultural recebeu a exposição Ocupação Glauco, com quadrinhos, ilustrações, objetos pessoais e inspirações do cartunista Glauco Villas Boas. Glauco, aliás, foi um artista memorável com seus personagens cômicos, polêmicos e fora do comum, representados com um uma pitada de exagero inesquecível. Como esquecer, afinal, da importância da liberdade sexual da Dona Marta, dos infortúnios do Casal Neuras e dos absurdos do Geraldão, seu personagem mais icônico?

Glauco nasceu no Paraná, na cidade de Jandaia do Sul, e viveu em Piracicaba (SP) antes de estourar com charges e caricaturas na Folha de S. Paulo, com desenhos que provocavam a Ditadura Militar. Logo estaria dividindo espaço com outros dois grandes nomes da HQ brasileira: Laerte e Angeli, que tornaram-se seus amigos e companheiros de trabalho na Circo Editorial, onde publicou sua famosa revista Geraldão. Durante toda sua vida profissional, Glauco abordou temas que até hoje são considerados como tabus em nossa sociedade, tais como nudez, sexo e drogas, além de ótimas cutucadas políticas e sociais implícitas em traços de humor.

Ocupação Glauco, no Itaú Cultural | Foto: Camila Honorato
Ocupação Glauco, no Itaú Cultural | Foto: Camila Honorato

Em sua trajetória, Glauco ficou conhecido como um homem do bem, tímido e até meio avoado, mas que respirava arte e amava o que fazia. Descobriu o santo-daime quando já colecionava experiências loucas no universo ilícito e caiu por esse meio como uma forma de redenção que o beneficiaria como ser humano, chegando até mesmo a fundar uma igreja/espaço de cultos, a Céu de Maria. Foi um ser humano repleto de uma luz própria, incandescente e irradiante. Luz, essa, trágica e brutalmente interrompida em um assassinato pouco explicado em Osasco no ano de 2010, quando ele e seu filho Raoni foram vítimas dos tiros covardes do universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes. Seu legado, como foi mostrado na exposição, permanece eterno e intacto, como sua memória e seu espírito irreverente devem ser.

Ocupação Glauco, no Itaú Cultural | Foto: Camila Honorato
Ocupação Glauco, no Itaú Cultural | Foto: Camila Honorato

A curadoria, aliás, transformou o espaço de exposições temporárias em um lugar perfeito de interação entre o público e a arte, recorrendo ao audiovisual. Por aqui, além de escutar e assistir depoimentos e entrevistas, o público podia ler uma quantidade considerável de quadrinhos e até brincar em uma plataforma iluminada que permitia copiar alguns desenhos divertidos do autor. Isso tudo é um grande chamativo para que as pessoas conheçam o trabalho de figuras importantes da cultura brasileira da melhor maneira possível. A arte não pode ser excludente. E a gente defende, afinal, o direito de que ela seja acessível a todos os públicos.

Ocupação Glauco, no Itaú Cultural | Foto: Camila Honorato
Ocupação Glauco, no Itaú Cultural | Foto: Camila Honorato

Veja, abaixo, depoimentos fofos de Angeli e Laerte sobre Glauco:

Ocupação Glauco, no Itaú Cultural | Foto: Camila Honorato
Ocupação Glauco, no Itaú Cultural | Foto: Camila Honorato

OBS: eu já não vejo a hora de ver a próxima exposição desse museu fofo! ♥

OCUPAÇÃO GLAUCO, no Itaú Cultural
Avaliação Final: ♥♥♥♥♥ (Excelente).

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