Crítica de Cinema:”Perfeita é a Mãe” é uma comédia sobre mulheres e para mulheres

Muito se fala sobre a falta de representatividade das mulheres dentro do cinema. Além de poucos papeis que realmente falem sobre nós, sem a interferência de um olhar masculino sobre o nosso universo e sem a dependência dos mesmos para que a trama tenha um desenrolar satisfatório, ainda faltam produções cujos roteiros centralizem nos dramas e soluções de um mundo tão cheio de nuances.

O Teste de Bechdel tá aí pra provar: ainda que não seja um critério de avaliação absoluta sobre a qualidade de um filme sobre mulheres, ele ajuda bem a entender o quanto falta para que a indústria cinematográfica nos coloque como protagonistas de nossa própria história. Felizmente, nós estamos falando muito sobre isso, estamos nos mexendo e vendo mudanças boas vindo por aí. Gosto de ter essa visão otimista e, principalmente, quando surgem opções bacanas pra distrair nossa cabeça. E esse me pareceu o caso de Perfeita é a Mãe, em cartaz nos cinemas brasileiros.

Crédito: Divulgação
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Dirigido e roteirizado por Scott Moore e Jon Lucas, que assinaram o roteiro de Se Beber Não Case, o filme tem alguns elementos que lembram em tudo a produção que o antecedeu, dentre eles: falas de alto cunho sexual, que deixam o espectador mais desavisado bem tímido, a atmosfera de comédia dedicada a um gênero específico, as situações absurdas e inusitadas, além de um elenco de peso para preencher suas cenas. Diferentemente do que muitos críticos publicaram, acredito que o mérito desse longa metragem seja justamente a falta de reflexões absolutas sobre o papel feminino na sociedade, e sim o acúmulo de diálogos e cenas cômicas sobre esse universo que, sim, também tá bem cercado de uma boa atmosfera de sexo, bebida, conversas picantes e muito besteirol. Graças à Deusa, obrigada!

Mila Kunis, linda como sempre, convence bem no papel de mãe multitarefas e que tá cansada de desempenhar o papel de Mulher-Maravilha enquanto o marido fica com a parte superficial do papel da paternidade – e seu casamento entra em uma crise que nenhum dos dois consegue admitir inicialmente. É a partir de uma situação absurda desse episódio, inclusive, que tudo passa a mudar nos rumos da história. E Amy Mitchell (Kunis), finalmente, passa a tocar o foda-se pra essa situação toda: relaxa com seu trabalho, onde desempenha funções demais e recebe de menos, relaxa com os filhos, com quem está sempre tendo muitos cuidados e acaba por esquecer de si mesma, dos cuidados consigo e com a própria felicidade. E aí, se identificou? Pois é, manas, tem muitas de nós nessa situação.

Crédito: Divulgação
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É a partir daí que duas ótimas personagens-chave da história aparecem: a certinha Kiki (Kristen Bell), que tá sempre se esforçando para cumprir o protocolo de mãe/esposa perfeita – e que vive sem amigas – e a loucona Carla Dunkler (Kathryn Hahn), pra mim o grande destaque do filme com sua conformidade em não ser mulher/mãe perfeita, mas um ser humano sexualmente livre, que vive da forma que quer e tá pouco se importando pra opinião alheia. É dela, aliás, os grandes chavões do filme, como nas cenas em que se refere à Kiki como uma mulher na qual “tudo o que diz parece ser um pedido de socorro” e até na maravilhosa cena em que ela explica como fazer um bom boquete em um pênis não circuncidado. You go, girl!

Afora isso, as três se envolvem em uma trama com Gwendolyn James (vivida por Cristina Applegate), presidente de um conselho qualquer da escola onde os filhos de todas elas estudam e que está sempre às voltas com intrigas entre suas parceiras Vicky (Annie Mumolo) e Stacy (Jada Pinkett Smith), criticando os desdobramentos de Amy como mulher e inventando um milhão de situações absurdas para transformar as crias em “crianças perfeitas”. E é isso um dos grandes estopins do filme.

Afora a trama doida e que gera boas risadas, o longa possui uma boa fotografia e uma ótima trilha-sonora, calcada em hits pops que fazem sucesso na indústria fonográfica atual. Em suma: um filme sobre mulheres e para mulheres, com piadas de um grande fundo de verdade.

Veja o trailer abaixo:

VAI LÁ:
Perfeita é a Mãe.
Comédia.
Direção e Roteiro: Jon Lucas e Scott Moore.
Elenco: Mila Kunis, Kristen Bell, Kathryn Hahn, Jay Hernandez, Annie Mumolo, Jada Pinkett Smith, Christina Applegate, Emjay Anthony, Oona Lawrence.
Distribuição: Diamond Films.
Avaliação Final: ♥♥♥♥ (Muito Bom).

Agradecimentos especiais: à Revista Cláudia, por ter proporcionado uma ótima exibição de pré-estreia, e ao JK Iguatemi por ter dado ao mundo uma coisa tão maravilhosa quanto a sala de luxo do Cinépolis.

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