Crítica de Cinema: “A Conexão Francesa” é um “Tropa de Elite” francês!

Um Tropa de Elite francês. Essa é a impressão final que o longa A Conexão Francesa, dirigido por Cédric Jimenez, traz ao espectador. Se a fama do cinema francês era a de roteiros profundos e sequenciais sobre a existência humana, títulos como esse vieram para quebrar com protocolos e mostrar a pegada violenta da qual o país de Napoleão ainda é capaz de mostrar.

A história se passa em Marselha, um dos lugares mais bonitos e cênicos do país, com seus cenários deslumbrantes à beira do mar. No contraponto de toda essa beleza, a região enfrentava um problema grave de tráfico de drogas, sobretudo de heroína, durante a década de 1970.

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Crédito: Divulgação

No centro do roteiro, Pierre Michel é um juiz de atitudes extremas e pouco convencionais que tenta, a qualquer custo, caçar o traficante por trás de toda uma rede milionária de drogas. Em sua pele, o ator Jean Dujardin, que já ganhou o Oscar de Melhor Ator com o sensível e delicioso O Artista, mostra que é capaz de mudar de personalidade e de nuances, vivendo um personagem determinado, que enfrenta crises familiares devido ao excesso de trabalho, a ir até o fim para caçar a cabeça do traficante Gaëtan Zampa, vivido pelo igualmente ótimo Gilles Lellouche.

Com bons diálogos e interpretações, o filme convence ao mostrar o retrato de quem está por trás de uma rede de substâncias capaz de destruir a vida de outras pessoas, mas que passam longe de tudo isso e agem somente como mandantes loucos e capazes de qualquer coisa pra manter seus altos padrões de vida e mansões. Para fortalecer a violência, a direção lança mão de cenas de explosões e tiros com efeitos bem executados.

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Crédito: Divulgação

As falas e atitudes de Zampa, caçado sem provas consistentes que possam incriminá-lo, são recheados de ironias e atitudes que beiram a comicidade em alguns momentos, o que faz com que o espectador vivencie na pele o sentimento contraditório pelo qual passa seus mandantes: o do ódio e o da simpatia, junção que muitas vezes pode destruí-los. Não há heróis na história, e isso fica bem claro nas atitudes desumanas executadas até pelo próprio protagonista.

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Crédito: Divulgação

Pontos altos da montagem final do filme, a trilha e o figurino são dois aspectos impecáveis que fortalecem a qualidade do produto. A solução final encontrada para o roteiro é surpreendente e pode despertar reações adversas, além de muitas discordâncias. Mas, do meu ponto de vista, foi ela justamente o ápice da produção e o que fez com que ela fuja de um resultado extremamente óbvio para o objeto caça/caçador.

Assista ao trailer:

VAI LÁ
A Conexão Francesa
Direção: Cédric Jimenez
Roteiro: Audrey Diwan e Cédric Jimenez
Produção: Alain Goldman
Elenco: Jean Dujardin, Gilles Lellouche, Céline Sallette, Mélanie Doutey, Benoît Magimel, Guillaume Gouix, Bruno Todeschini, Féodor Atkine.
Classificação Final: ♥♥♥ (Bom).

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