Crítica de Cinema: “Mais Forte Que O Mundo – A História de José Aldo”

José Aldo é uma figura icônica no esporte brasileiro. Vencedor do UFC, o lutador ganhou nada menos do que vinte e cinco lutas do MMA na categoria peso-pena, conquistou fãs e um respeito enorme dentro do esporte. Também não é para menos: sua história é recheada de dificuldades, superações e uma determinação impressionante para alcançar seus próprios sonhos.

Essa é a proposta de Mais Forte Que O Mundo – A História de José Aldo, filme dirigido por Afonso Poyart e que estreou no dia 16/06 nos cinemas brasileiros. De uma forma geral, o filme impressiona em todas as categorias: o elenco caprichou nas atuações, o roteiro é bom, sem recorrer a exageros para fazer rir ou emocionar, a direção é bem executada e com direito a uma bela fotografia e tomadas que recorrem à câmera lenta para aumentar a dramaticidade. Tudo isso resultou em um ponto positivo e tanto para o cinema brasileiro, fugindo do estereótipo da comédia e dando vez à biografia de grandes personagens de sua cultura.

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No papel do protagonista, o ator José Loreto sabe mostrar agressividade e emoções duras na medida certa. Cotado para substituir Malvino Salvador, anteriormente escalado para viver José Aldo nos cinemas, Loreto se mostrou uma boa escolha, ainda que seus atributos físicos sejam um tanto quanto diferentes daqueles vistos no personagem real, como a altura mais miúda e a pele mais escura. Ainda assim, sua boa essência em cena está ali, fazendo com que o espectador esqueça desse detalhe e se convença com sua presença firme.

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A história relata um homem simples, que nasceu e viveu boa parte de sua vida em Manaus, no estado do Amazonas, e teve uma infância e juventude conturbadas: foi vítima de um acidente quando bebê, que lhe provocou uma cicatriz que tornou-se uma de suas marcas registradas; meteu-se em encrencas com seu comportamento agressivo e com as ideias mirabolantes feitas ao lado de seus amigos; e, como infelizmente vemos em uma parcela significativa das famílias brasileiras, presenciou a violência doméstica da qual sua mãe foi vítima nas mãos de um pai agressivo (interpretado com perfeição por Jackson Antunes), que tinha graves problemas com o álcool. Ainda assim, o próprio José Aldo cita a figura paterna como a grande impulsionadora de seu sucesso, firmando a importância do perdão e de sua luta para correr atrás de seus sonhos e fugir do lugar comum e da violência que o esperavam, dedicando-se com afinco à luta e contando com os impulsos do ótimo treinador Dedé Pederneiras, vivido por Milhem Cortaz.

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Mais do que relatar a história de um grande personagem, o roteiro recorre a elementos psicológicos pra mostrar o quanto um indivíduo ás vezes luta contra si mesmo e contra sua própria mente para conseguir vencer. É aqui que entra o papel bem executado de Rômulo Arantes Neto, em nuances que confundem a realidade com o imaginário e apresentam uma resolução muito bem executada.

O elenco feminino é outra boa escolha: Cleo Pires convence bem no papel de sua esposa, Viviane, uma mulher forte, de personalidade e que também é amante dedicada do esporte. A sempre incrível Claudia Ohana mostra força mesmo em suas aparições curtas, mas cheias de intensidade, como a mãe sofrida do lutador. Thayla Ayala e Paloma Bernardi também convencem e completam uma seleção de mulheres de presença firme, sem ficarem em segundo plano – o que é extremamente raro em um filme com protagonistas homens e se mostra como um dos grandes méritos do diretor.

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Por fim, a trilha sonora encanta com nomes fenomenais da música brasileira, como Jorge Ben Jor e Lenine, além de recorrer a Knights Of Cydonia, do Muse, em uma cena majestosa, e à boa versão da cantora neozelandesa Lorde para Everybody Wants To Rule The World, do Tears For Fears. Cada uma delas casa bem com o desenrolar dos cenários, da interação entre os personagens e com os diálogos bem executadas. De uma forma geral, o saldo final do filme é impressionante – e mostra que o cinema brasileiro tem muito mais qualidade pra mostrar ao espectador. Basta que bons projetos como esse ganhem voz!

Assista ao trailer:

*Crédito das Fotos do Filme: Divulgação
*Crédito da Foto de José Aldo: Cinemáticos

VAI LÁ
Mais Forte Que O Mundo – A História de José Aldo
Direção, Roteiro e Produção: Afonso Poyart
Elenco: José Loreto, Cleo Pires, Jackson Antunes, Claudia Ohana, Milhem Cortaz, Paloma Bernardi, Thayla Ayala, Rômulo Arantes Neto, Rafinha Bastos, Felipe Titto, Robson Nunes e José Trassi.
Produção Executiva: Diane Maia
Classificação Final: ♥♥♥♥ (Muito Bom)

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