Sono profundo – Uma crônica

Ele dorme pesadamente.

Sua respiração é entrecortada, marcada por espasmos e sons brutos, que cortam o ar.

Seus movimentos, por mais lentos que pareçam ser, revelam um corpo que nunca relaxa.

Ás vezes, ele acorda exausto. Como se o despertar fosse o seu momento de flutuar. A hora em que, enfim, a preguiça chega.

Mais do que um sono pesado, ele diz pesarosamente: “Eu nunca sonho”. E isso dói. Com certeza, mais em mim do que nele, que já se acostumou com essa ausência.

É que os sonhos me visitam todas as noites, de formas diferentes e fascinantes. Pesadelos me são raros, então as imagem que surgem no sono profundo são quase sempre um presente.

Mas do lado dele, eu não me importo. Não consigo me incomodar nem mesmo se a insônia ganha forma. Gosto de observá-lo dormir. A pele iluminada pelo brilho noturno da noite e os lábios entreabertos.

Gosto de ver os músculos que marcam seu braço. Gosto de cada centímetro, pesaroso e relaxante, que se estica ao meu lado.

Sono profundo.

Ah, como eu queria que você sonhasse…

Crédito da Ilustração: ‘Sweet Dreams’, de Jeremiah Ketner

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