Casa das Rosas (SP): uma doce forma de poema

Um refúgio gostoso e tranquilizador no meio da cidade grande. É assim que eu passei a definir a Casa das Rosas, um espaço dedicado a exposições, cursos, palestras, oficinas e tudo o que mais importa na nossa vida!

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Rosas livres pra renovar as energias | Foto: Camila Honorato
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O pequeno observador | Foto: Camila Honorato
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Detalhe no passarinho | Foto: Camila Honorato

Localizado no coração de uma das mais importantes avenidas de São Paulo, a Paulista, onde tudo sempre acontece ao mesmo tempo, a Casa das Rosas fica instalada em uma construção linda, projetada pelo arquiteto Ramos de Azevedo, que assinou outros projetos lindões como o do Theatro Municipal, e serviu como morada de seus herdeiros durante muitos anos.

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Detalhe em um dos belos vitrais da casa | Foto: Camila Honorato
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Cafézinho com cara de Paris na Casa das Rosas | Foto: Camila Honorato
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Pausa pra admirar o colega fofo e peludo na porta ♥ | Foto: Camila Honorato

Caminhar pela avenida e se deparar com o lugar é, no mínimo, curioso. Construída em estilo clássico francês, a mansão destoa, e muito, dos prédios que marcam o cenário. Seu jardim é repleto de lindas rosas, que desabrocham ainda mais livres na primavera e no verão. Ainda assim, nesse frio da capital entre o outono e o inverno, é possível absorver a beleza que ela oferece, juntamente com seu amplo espaço verde.

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Um respiro delícia | Foto: Camila Honorato
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O verde sobrevive em SP! | Foto: Camila Honorato
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Caminho cênico na Casa das Rosas | Foto: Camila Honorato

Mais do que ser um espaço bacana e gostoso, a Casa das Rosas também é cheia de exposições e iniciativas voltadas ao apoio ao escritor e à formação de novos autores (tipo eu, hehehe ♥). Quando visitei o lugar, despretensiosamente, tive o prazer de me deparar com uma mostra de livros infantis sobre a diversidade sexual, com o intuito de conscientizar e educar os pequenos sobre a importância do assunto.

Em AMAR – Coletânea de Livres Infantis, o espaço térreo – um dos muitos espalhados pela mansão – foi tomado com manifestações artísticas e poéticas de diversos autores, como Rosana Urbes, Cris Eich, Mateus Rios, Marcia Misawa, Thiago Minamisawa, Bruno H. Castro e Vinicius Cardoso. Todos eles desenvolveram trabalhos a partir de diálogos poéticos com figuras como Safo, Ovídio, João Guimarães Rosa e Frida Kahlo.

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Belas palavras de Mateus Rios e Thiago Minamisawa | Foto: Camila Honorato
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Celebrando as palavras e a arte de Mateus Rios e Thiago Minamisawa | Foto: Camila Honorato
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A Nonada, os sertões e o amor de Diadorim e Riobaldo, de Guimarães Rosa, pelas mãos de Cris Eich e Bruno H. Castro | Foto: Camila Honorato

É legal estabelecer um diálogo com o público infantil, sobretudo com a importância de discutir a liberdade sexual, a liberdade de expressão e os direitos do público LGBT, pelo qual lutamos tanto!

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Manifestação de Rosana Urbes para Safo, com flores recolhidas de São Paulo | Foto: Camila Honorato
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Safo, a celebração do feminino e a manifestação linda de Rosana Urbes | Foto: Camila Honorato
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Minha contribuição poética na exposição | Foto: Camila Honorato

Dentro de tudo isso, uma das coisa que mais me emocionaram foi o texto de Valter Hugo Mãe, tão lindo que toca cada centímetro do nosso coração e da nossa alma! Transcrevo ele abaixo pra vocês:

“Devíamos ter medo de como as pessoas se odeiam e não de como se amam. Não entendo nem como podemos manter preconceitos e estranhezas para com essa coisa incrível de encontrarmos metade do nosso coração em outra pessoa. Coração é um órgão de partilha que não pede muita licença nem dá muita explicação. O bonito de se ser pessoa é isso de não ter limite para amor, e o amor, de todos os jeitos, é sempre uma surpresa, até para quem fica fazendo planos, contas ou tomando decisões. Se for amor, ninguém vai decidir muito, vai apenas reconhecer. Por que razão, então, querer regrar o carinho de alguém? Carinho, cuidado, não se deve diminuir, só aumentar. 

Todas as classes, de todas as matérias, de todas as escolas deviam começar assim: antes de aprendermos sobre matemática, biologia, inglês ou história, devemos celebrar a capacidade de amar. Amar vai até ajudar a que a gente aprenda matemática, biologia, inglês ou história, porque tudo na vida é justificado por sentir vontade e existir companhia. Se não houvesse ninguém, a gente também não ia querer saber mais nada. A mais espantosa conta de matemática tem de ser o amor. O maior luxo da biologia tem de ser o amor. O assunto mais sagrado pra ser declarado em inglês tem de ser o amor. A parte mais importante da história tem de ser o amor.

Por vezes, preconceito contra amor começa quando alguém pensa nos outros fazendo sexo. Eu não gosto sempre de pensar nos outros fazendo sexo. Só ás vezes. Somos todos assim. Muita gente não nos atrai e ficamos com vergonha da nudez, tornamo-nos muito complicados e bobos com a nudez. Por exemplo, eu não quero pensar nos meus pais na cama, arghhhh, mas preciso agradecer que tenham dormido juntos. Na verdade, pensar no amor dos outros a partir do sexo é uma tolice. Eu sei que a maioria do povo que se ama nem faz muito sexo, fica vendo novela, lendo livros, cuidando dos filhos, pagando contas, precisando de férias, sonhando, comendo abacate. Eu adoro abacate. O amor suporta tudo. Só o ódio é que não. 

As famílias são todas as junções de gente que se ama. Amigos que amam são família da categoria sorte demasiada. 

Se você for menina e gostar de menino, eu gosto de você. Se você for menino e gostar de menina, eu gosto de você. Se você for menina e gostar de menina, eu gosto de você. Se você for menino e gostar de menino, eu gosto de você. Se você for menina e gostar de alguém que não sabe o que é, eu gosto de você. Se você for menino e gostar de alguém que não sabe o que é, eu gosto de você. Se você não gostar, lamento. Desejo que crie condições para mudar. 

Rosana Urbes, Cris Eich, Marcia Misawa, Mateus Rios, Safo, Thiago Minamisawa, Vinícius Cardoso e Bruno H. Castro (querido amigo), gosto muito de vocês. 

Ostentem o amor. Vocês é que estão certos”. 

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Na sacada da Casa das Rosas | Foto: Camila Honorato
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Um Oscar Niemeyer colorido dá um olá! | Foto: Camila Honorato
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Verdinho em São Paulo visto da sacada | Foto: Camila Honorato

Essa foi uma experiência muito enriquecedora pra mim. Marquei no coração como um dos meus lugares favoritos dentro da minha cidade. Viva a nossa palavra!

VAI LÁ
Casa das Rosas
Entrada Gratuita

Endereço: Av. Paulista, 37, Bela Vista – São Paulo – SP
Contato: (11) 3285.6986 | 3288.9447
E-mail: contato@casadasrosas.org.br
Mais informações: www.casadasrosas.org.br
Classificação: ♥♥♥♥ (Muito Bom)

 

 

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