Ode aos homens de cabelos arrumados

Não tenho nada contra carecas, muito pelo contrário: acho que tem um charme por trás de toda aquela superfície raspada, que combina com a perfeita etiqueta de um bom vestuário masculino. Também não tenho nada contra aqueles cabelos desgrenhados, de homens que acabam de acordar, cujos fios parecem estar direcionados pra qualquer lugar – e lugar nenhum.

Quer dizer, em termos. Há uma grande diferença no que diz respeito aos aspectos físicos de um indivíduo. É aqui que a gente se depara com a vaidade. É bem em termos que não olho pra esses cabelos malucos e essa moda da barba gigantesca (sabe essa moda do bode que pegou e ficou?) sem pensar em travesseiro, no péssimo sentido. Na época dos avôs, ter a barba bem feita com navalha e creme de barbear era o ápice da preocupação do indivíduo com a aparência, além de um cuidado extremo pra não machucar a companheira com os beijos, naquela sensação de pinicar.

Viajei legal quando comecei a refletir que há um charme em homens que passam um bom tempo na frente do espelho tentando ajeitar a juba de leão com gel, pomada e coisa capilar que o valha. Comecei a refletir sobre isso quando meu primeiro terapeuta da minha fase recém-adulta-ansiosa encontrou um horário pra me atender em um sábado pré-Carnaval. Fiquei ali na frente daquele homem, quase da mesma idade que eu, falando com a maior confiança sobre os meus anseios e sem conseguir deixar de pensar no quanto eu achava legal que uma pessoa abdicasse de um dia festivo desses pra poder atender uma paciente que queria detalhar suas crises existenciais. E mais ainda: ele estava de cabelo arrumado. Ou seja: a pessoa não só acorda cedo pra encarar a psicanálise como ainda arruma tempo pra pentear as madeixas e ajustá-las com gel só pra me atender. Minha nossa!

Quando comecei a namorar, meu parceiro tinha poucos vestígios da barba ruiva no rosto, era viciado em perfume e gel pro cabelo, deixando ele totalmente pra cima, meio Dexter Holland do Offspring, só que com fios castanho-avermelhados. De lá pra cá, a saga do gel virou sabonete, o perfume sumiu, as roupas deram uma boa desleixada. A barba cresceu, encorajada pelos meus incentivos. Mas depois, começou a virar o bode velho que eu detestava. Depois de um tempo sabático gritei: chega! Mandei raspar, porque não suportava mais o cheiro de Dove e o argumento de que os cabelos ficavam mais ajeitados com ele do que com gel. E quando chovia, pra aguentar? Nada disso.

Até que a pessoa, de tanto tomar esporro, entrou no complexo de Stephen Amell e entrou num processo pra se adequar melhor ao protótipo de Arrow. Então o cabelo ficou arrumado como nunca – e eu comemorei por dentro. O perfume voltou a ganhar presença firme e as roupas passaram a melhorar. Graças a Deus, pensei.

Ás vezes acho que minha tara por cabelos tão arrumados vem do prazer de simplesmente desarrumá-los depois. Pensei nisso quando assisti Kingsman e vi um Taron Egerton de óculos, terno e cabelo impecável. Me subiu o sangue. Como tem charme.

Não importa. O que é bacana mesmo é ter alguém do outro lado preocupado em se ajustar pra atrair seus olhares da melhor maneira possível.

Ah, e por favor: chega de bagunça.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s