Crítica de Cinema: ‘Batman VS Superman’ peca nos excessos

Eu juro que guardei muitas expectativas. Boas expectativas, pra ser mais exata. Driblei todos os sentimentos coletivos de descrença que partiam dos mais apaixonados pelos personagens da D.C Comics, principalmente com a entrada de Ben Affleck no papel do tão respeitado Batman. Ignorei todas as críticas possíveis quanto aos excessos de Zack Snyder como diretor. Ignorei muitas coisas. Mas na real, sendo bem honesta: guardei os melhores sentimentos, achei que seria surpreendida e me decepcionei demais!

Batman VS Superman – A Origem da Justiça é um filme que vem na massa das grandes estreias de produções inspiradas nos quadrinhos. É um filme sem grandes pretextos, sem grandes histórias, mas com muitas cenas de ação – o que é o suficiente pra segurar o público, se é isso que ele procura, juntamente com um pouco de distração e surrealidade.

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Ben Affleck tá a melancolia em pessoa como o Batman. Misericórdia! | Foto: Divulgação

Na verdade, o filme não me convenceu por uma série de fatores. Pra começar: um embate entre dois personagens tão queridos pelos nerds veio unicamente com o pretexto de estourar nas bilheterias, ainda que, na teoria, não faça muito sentido. Por mais que o Batman seja incrível, minha gente, como é que essa pessoa mortal poderia competir com um ser de outro planeta e cheio de poderes numa luta?

E os problemas não param por aí: Lex Luthor (Jesse Einsenberg), o grande vilão do filme, é um personagem histriônico, cheio de manias, com um visual hipster e bem cabeludo, que não condiz em nada com o personagem original. Ok, tudo bem: cada diretor e produtor tem o pleno direito de usar de sua capacidade criativa para inovar e transformar. Mas precisava ser tanto assim?

Os dois protagonistas, Henry Cavill (que novamente dá vida ao Superman) e Ben Affleck (no papel de Batman) parecem retraídos. Nunca tive problemas com a escolha de Affleck para o personagem, por mais que grande parte dos espectadores tivesse resistência com isso graças ao seu papel em Demolidor (que eu, particularmente, não vi motivos pra ser um filme assim tão odioso).

Mas o diretor de Argo dá uma melancolia aquém do esperado para o Homem-Morcego – o que talvez, no final das contas, talvez seja um ponto positivo pra algumas pessoas. Sobre Cavill: não é novidade que sou fã do bonitão desde os tempos de sacanagem e mau caráter em The Tudors e como o filho prodígio do protagonista de O Conde de Monte Cristo. No entanto, achei que lhe faltaram expressões e, sobretudo, força como ator. E sim, me dói dizer isso.

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Não há como negar: Cavill é tão lindo que dói! ♥ | Foto: Divulgação

Há, ainda, outros personagens que me fazem ter resistência. Adoro Jeremy Irons, mas fica difícil se livrar do protótipo excepcional de Alfred dado pelo ator Michael Caine na trilogia de O Cavaleiro das Trevas, dirigido por Christopher Nolan. Quer dizer: o cara era perfeito! E se tem uma coisa da qual Nolan se difere de Snyder é na obscuridade da fotografia como um ponto positivo, em saber usar o suspense.

Snyder, diretor de 300, usou muito dos artifícios do filme sanguinário estrelado por Gerard Butler. Tanto que, em alguns momentos, é possível notar essa referência. E o resultado é instantâneo: você indiretamente espera que o Rei Leônidas apareça do nada para gritar: “This Is Sparta!”. Ou seja: a computação gráfica é mais do que nítida e peca muitas vezes, fica uma coisa exagerada, esdrúxula.

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Vai lá e arrasa, minha filha, porque tu salva muitas coisas do filme | Foto: Divulgação

O filme, com duração de duas horas e meia, se arrasta em muitos momentos. Faltam diálogos consistentes, faltam motivos para convencer do por quê de o filme ser feito além da pura arrecadação. O embate entre os personagens principais tem razões pouco convincentes e não duram o suficiente pra justificar o título do filme.

A Mulher-Maravilha, vivida lindamente pela atriz Gal Gadot, tem muita força, mas participação curta. E sua aparição durante a luta dos dois gigantes é tão cafona (a não ser pelo figurino) que me fez ter um pouco de vergonha-alheia e ficar com pena da atriz. Mas se me permitem um bom elogio: a presença de Amy Adams como Lois Lane me salvou do tédio diversas vezes. Sério: eu amo essa moça!

Batman V. Superman: Dawn Of Justice
Assumo: isso foi fofo! | Foto: Divulgação

Sobre o Aquaman, então, nem se fala: não dura nem dez segundos sua aparição no longa metragem. Se a intenção era simplesmente fazer um atrativo para o próximo filme de Snyder, então o resultado não deu lá muito certo… Mas é claro: confesso que estou bem curiosa pra ver Jason Momoa, conhecido como o valentão Drogo de Game of Thrones, no papel do herói.

Zack Snyder não é um cara que usualmente me decepciona, por mais que seus excessos sejam nítidos em quase todos os filmes que dirige. Quer dizer: eu realmente gostei muito de Sucker Punch – Mundo Surreal e achei O Homem de Aço (cuja crítica vocês podem ler aqui) convincente. Mas sério: há uma grande divergência entre filmes de heróis como esses e uma proposta como Os Vingadores, que recorre ao bom humor pra aliviar o tempão de duração do filme. Aliás, começo a achar que, com a Marvel, realmente não dá pra brincar sob nenhum aspecto.

Nesse ponto, Batman VS Superman se safa em duas grandes categorias: trilha-sonora e figurino. O resto… Bem, não deu certo pra mim, não!

VAI LÁ
Filme: Batman VS Superman – A Origem da Justiça
Direção: Zack Snyder
Elenco: Henry Cavill, Ben Aflleck, Amy Adams, Diane Lane, Gal Gadot, Jesse Einsenberg, Jeremy Irons, Laurence Fishburne, Holly Hunter, etc.
Duração: 2 Horas e 30 Minutos.
Classificação: ♥ (Chatinho).

 

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