Crítica de Cinema: documentário “Amy” mostra o lado humano e delicado da cantora

Amy Winehouse era uma artista completa, uma inspiração, uma voz potente. Quando ela faleceu em 2011, o mundo inteiro sentiu o impacto. Afinal de contas, era uma pessoa que tinha encantado gerações com sua música e balançado o show business. Eu me lembro que, ao receber a notícia de seu falecimento em um sábado chuvoso, fui para minha aula de música e fiquei ali, olhando pro meu professor, tentando absorver junto com ele o impacto daquilo. “Você ficou meio triste com isso, não?”, ele me perguntou.

Sim, eu tinha. Era uma pessoa que eu realmente admirava. Não pelos motivos torpes (a fama com álcool e drogas, que as pessoas glamourizam sem motivo), mas pela voz, a fonte de inspiração no blues, naquilo que realmente toca o coração. Eu inclusive escrevi sobre isso aqui no blog e vocês podem ler clicando aqui (é um texto gracinha de ler, prometo <3).

Cinco anos após a sua morte, chega um documentário sobre ela. E posso falar? Deixa os lencinhos ali do lado se você for assistir. Sério, minha gente: a abordagem é mais do que um mero relato e traz um lado muito sentimental. O diretor britânico Asif Kapadia acertou em cheio.

E sabe porque ele acertou em cheio? Porque ele mostra sua trajetória, os depoimentos de familiares e amigos e, mais do que isso, humaniza a Amy e mostra seu lado bom. Uma coisa que Montage of Heck, o mórbido documentário sobre Kurt Cobain, dirigido por Bret Morgen, não faz. Sério, eu acho que vale até escrever um pouquinho sobre isso em um único parágrafo porque eu simplesmente me recuso a fazer uma resenha completa sobre esse filme em particular.

young Amy
A jovem e doce Amy antes da fama, uma face delicadamente abordada no documentário | Crédito: Divulgação

Gente, é um apelo: parem de glamourizar o sofrimento! Esse documentário não mostra muito o Kurt como ser humano, mas sim puramente sua perturbação, principalmente com uma sequência de seus desenhos que mais parecem um filme de terror. Tem a Courtney Love falando coisas sem sentido e uma falta de saber tudo sob a ótica de Dave Ghrol. Mais do que isso: ele era uma pessoa que precisava de ajuda, e eu interpretei esse filme como uma valorização ao seu suicídio e seu vício em drogas (coisa que a própria filha fofa do cara já implorou pro povo parar de fazer. Não tem nada de legal em morrer aos 27 anos). Se querem uma coisa boa sobre sua vida e obra, leiam Heavier Than Heaven, a biografia publicada pelo jornalista Charles R. Cross e que inclusive dá uma bela detalhada sobre o cenário musical da época, com as ótimas bandas grunges que abalaram os anos 1990.

Voltando ao documentário da Amy: é justamente o oposto da glamourização do sofrimento que vemos. Conhecemos uma pessoa extremamente tímida e muito doce, que tinha amor pelas pessoas com as quais convivia. Que amava a música e, mais do que isso, amava tocar as pessoas com a sua voz. Mas que, infelizmente, foi afetada pela doença insana que a fama provoca, essa companheira ingrata que leva tantas pessoas à loucura. Vemos uma pessoa que sentia-se muito desconfortável com tantos flashes, que queria momentos de paz e sossego e a quem só interessava a boa música, e não o excesso midiático. Vemos o impacto negativo de sua relação destrutiva com Blake Fielder e de como o pai realmente parece explorar a carreira da cantora (coisa que o livro Amy, publicado por ele, não revela).

Seu abuso de álcool e drogas, que virou alvo de piadas entre o público e a mídia vergonhosa, é tratado como deve ser tratado: como uma doença, que necessitava de ajuda profissional. Mesmo com tantos escândalos, Amy continuava sendo uma pessoa doce e dedicada às pessoas que amava. Em diversos momentos, mostrava que não estava bem para cantar, mas era forçada pelo pai e pelos produtores a subir no palco, coisa que nunca acabava bem.

tumblr_nwaba22YnZ1uo14iho1_500
Linda e sorridente: é dessa Amy que devemos lembrar! | Crédito: Divulgação

O desfecho da história todos sabemos. E não: não é somente a morte. Nesse ponto, acredito que o documentário podia ir mais além. É um legado impressionante: Amy inspirou diversos cantores ao redor do mundo, encantou plateias e inspirou muitas meninas com seu jeito de cantar, além de emocionar as pessoas com sua incrível capacidade musical. Ela inspirou a moda, trouxe de volta elementos do universo pin up e dos anos 1960, dando um toque seu em tudo. Ela foi a fonte de inspiração de desfiles de moda, composições, maquiagens. Ela é eterna.

VAI LÁ:
Amy (documentário).
Diretor: Asik Kapadia.
Classificação: ♥♥♥♥ (Muito Bom).
Bônus: tem no Netflix

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s