Poema: Falar ao silêncio (ou a quietude das árvores)

Falar ao silêncio é como falar com uma árvore:
As palavras lhe escapam com facilidade, complexas e inteiras
Traduzem seus sentimentos mais profundos, receosos e sinceros.

A árvore resplandece vida.
Reproduz um cheiro acolhedor e um barulho reconfortante,
perdido no meio de um doce farfalhar de folhas.

O desabafo segue e a árvore parece compreender.
É como se estivesse abrindo os braços para um carinho acolhedor.
No entanto, ela não responde e não esboça reação.
Ao menos não aquela que se espera.

Ela permanece quieta em sua plenitude
Calada, mas convidativa.
E de repente as palavras se calam e, sem elas, chega a frustração
Porque você se entrega perdidamente e recebe o silêncio em troca.
Compreensivo, mas ainda assim um silêncio.

E que culpa tem a árvore de não exercer outra função a não ser o seu direito de permanecer árvore?
O direito de calar e ouvir.
De ser discreta e dançar conforme o vento.
De ser uma psicóloga, uma amiga tranquila e um amor livre de complexidade.

Reage diferente, mas ainda assim reage.
E está ali, sempre ouvindo e guardando segredos.

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