Crítica Musical: Os erros e acertos do Circuito Banco do Brasil 2014

Pontualidade não tem sido muito o meu forte. Estive um pouco desanimada com as palavras, dada a dificuldade de encontrar um trampo na minha área. Já que estava tão complicado, me permiti encontrar novos ares e utilizar a profissão como um trabalho autônomo, que me deixe feliz e completa. Agora sim me sinto tranquila e motivada para voltar a escrever, e falo sobre a falta de pontualidade porque o post escolhido pra celebrar a volta é mais uma resenha musical, de shows (que eu nem gosto, imagina), com uns bons dias de atraso.

Há uma semana, São Paulo recebeu o Circuito Banco do Brasil, um festival de grande porte, que não chega a um Lollapalooza mas tem culhão pra trazer bandas como Linkin Park, Kings of Leon, Paramore e Panic! At The Disco. O evento passou por outras três capitais (Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro) e terminou com um saldo positivo e muita gente com sorriso no rosto.

Surpreendentemente, foi o festival onde eu mais sofri. Tive um monte de contratempos com chuva, entre roupa encharcada e proteger minha mãe de uma hipotermia. Fazer o que, né? Apesar de tudo, me diverti no sábado a noite e trago agora os prós e contras de tudo que vi e senti em Sampa.

Saldo positivo

Kings of Leon no Circuito Banco do Brasil, em São Paulo
Kings of Leon no Circuito Banco do Brasil, em São Paulo | Crédito: Camila Honorato

– O Kings of Leon não é uma banda conhecida pelo carisma. Em todas as apresentações, os músicos pouco falam com os fãs e pouco se movimentam no palco. São profissionais no sentido mais antigo da palavra, com pouca (ou nenhuma) coisa saindo do script. Apesar disso, eles nunca decepcionam. São musicalmente perfeitos! A banda é bem entrosada, os instrumentos estão sempre impecavelmente encaixados e a voz rouca de Caleb Folllowill faz qualquer ingresso valer a pena.

Sem dúvida, é sempre um acerto chamá-los. O repertório foi muito bem escolhido, intercalando trabalhos antigos com o mais recente álbum, Mechanical Bull. Estavam no set list músicas como Knocked Up, Fans, On Call, Notion, The Immortals, Family Tree, Supersoaker, Closer, Cold Desert… E claro, Use Somebody e Sex on Fire, que involuntariamente são as que eu menos gosto. Senti MUITA falta de Wait For Me e Back Down South, mas acho que tudo foi tão bonito que nem me importei taaaaanto assim.

– A vocalista do Paramore, Hayley Williams, provavelmente tem uma das melhores presenças de palco da história da música. Não sou tão fã da banda hoje em dia, apesar de ter ouvido muito na minha adolescência. Tenho muito carinho pela voz agudinha da moça, que embalou muitos bons momentos com meus amigos. E achei incrível o entrosamento dela com os fãs, principalmente quando uma jovem ultra animada subiu no palco para cantar Misery Business. Falou aí, Aline, ri muito com você e adorei a sacudida no rabo de cavalo.

– Músicos brasileiros nunca estão atrás de nomes internacionais. Queria muito que a mídia e o grande público entendesse isso e tivesse um pouco mais de respeito com o produto nacional. Pitty e Skank com certeza fizeram um bom trabalho e mereciam muito mais que uma hora de apresentação. Mais até do que uma das bandas do Circuito que quase me fez arrancar os próprios cabelos fora. Mas já chego aí.

– Copa Brasil de Skate Vertical. Não foi AQUELA coisa do skate, mas deu pra sorrir bastante debaixo do Sol.

Saldo negativo

Pitty no Circuito BB, de Sampa
Pitty no Circuito BB, de Sampa, que poderia ter tocado mais e até substituído o MGMT | Crédito: Camila Honorato

– Não adianta: o Campo de Marte não tem estrutura pra receber um evento. Já havia constatado isso durante o show do Black Sabbath, mas dessa vez fiquei muito mais indignada. O espaço não comporta tanta gente sem uma boa aventura pra contar. E a chuva deixou um lamaçal absurdo! Tanto que alguns espaços ficaram intransitáveis. Era impossível passar por eles sem atolar a perna. Sim, a perna.

– O festival ainda não oferece muitas outras opções para quem passa o dia inteiro naquele espaço todo. Ao contrário do que acontece no Lollapalooza, não há lugares para fugir na chuva, há poucas opções de entretenimento, poucas opções do que comer. E claro, reclamação universal em eventos no país: tudo é absurdamente caro.

– Peço desculpas desde já a uma boa parcela de indies que com certeza vão querer me matar por isso. Mas quem teve a ideia de colocar o MGMT pra tocar ali? Toda aquela psicodelia lenta é suportável com LSD na língua. Mas como não sou adepta, fiquei irritada demais com o som baixo, a antipatia dos integrantes da banda, a falta de voz do Andrew…

Ficar debaixo de chuva é uma delícia quando você está feliz, pulando com alguma música, cantando. Mas quando você não consegue se envolver, tudo vira uma tortura. Nota zero pros colegas que mal esboçam sorrisos em cima do palco. Assim também já é demais…

Espero que os organizadores prestem um pouco mais de atenção na estrutura como um todo. No mais, minhas apostas para o futuro deles é bem otimista.

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