Diário de Bordo: O que vi em Gramado (RS), a cidade charmosa da Serra Gaúcha

Queridinha dos turistas, cercada de influências europeias, marcada por construções charmosas, roteiros românticos, atrações familiares, museus diferenciados e muita, mas muita comida boa. Assim é Gramado, a cidade mais badalada e requisitada da Serra Gaúcha. 

10259744_10203784420797481_125408003579990441_n
O Lago Negro – que leva esse nome por ser cercado de árvores trazidas da Floresta Negra, na Alemanha | Crédito: Camila Honorato

Gramado. Ah, Gramado… Confesso que conhecer a cidade era um sonho de adolescente, daquelas que se debruçam em revistas de turismo e se fascinam com facilidade. Apesar dos floreios com o qual jornalistas tratam do lugar, a minha reação foi de surpresa: não imaginava que fosse ser tão lindo. Me pergunto por quê turistas insistem em buscar as capitais e praias mais badaladas do país e se esquecem do que a serra pode oferecer.

Minha primeira impressão ao chegar é a mais clichê possível: não parecia que eu estava no Brasil. Meu companheiro caminhava boquiaberto pelas ruas e refletia por fora como eu estava por dentro. A arquitetura segue um padrão europeu, com muitas árvores cercando os prédios baixos. Nessa época do ano, a cidade estava completamente decorada para a Páscoa e para o evento Chocofest. O clima não era assim tão frio: ventava bastante, mas tinha um Sol bem exibido pela manhã. À noite, no entanto, a queda brusca de temperatura é inevitável. Por todo o lugar, se escuta um sotaque gaúcho extremamente carregado e bem preparado pra receber visitantes.

Ficamos hospedados por três noites no Hotel/Pousada Querência, um lugar bem charmoso e aconchegante, localizado no final da avenida principal do Centro, a Borges de Medeiros. O lugar é bem tranquilo, fica cercado por um pequeno bosque e tem uma infraestrutura bem bacana. O quarto é espaçoso e o atendimento é impecável – algo que me pareceu um padrão da cidade. Fomos muito bem recepcionados e os atendentes se mostraram extremamente solícitos. Além disso, todos os dias, no café da manhã, os responsáveis pela cozinha conversavam com cada um dos hóspedes, perguntando se estava tudo bem e se queríamos montar algum lanche que não estava disponível na mesa, que por sinal era bem farta.

10253785_10203784304914584_3207223260173277217_n
Estrutura do Hotel/Pousada Querência | Crédito: Camila Honorato

Na primeira noite, saímos pra jantar num restaurante chamado Ocasião, hoje fechado, que servia um rodízio de massas e carnes nobres por R$ 34,90. Fomos muito bem atendidos e a qualidade da comida estava ótima, o que me faz pensar que ninguém realmente faz churrasco como os gaúchos. Em vários momentos, fomos abordados pelo chef e pelo dono do restaurante, preocupados com o nosso conforto – uma surpresa agradável. Aliás, você não vai encontrar dificuldade em comer bem nessa cidade: boa parte dos restaurantes oferecem sistema de rodízio no jantar – sejam eles pizza, churrasco, fondues ou café colonial. Pra poupar dinheiro e estômago, a gente resolveu pular o almoço. Não estou brincando: a cidade é meio cara, mas realmente vem MUITA comida.

Caminhando pelo Centro, fomos abordados mais de uma vez por pessoas que convidavam turistas para jantar nos restaurantes disponíveis por perto. Fiquei pensando se esse padrão se repete em outras épocas do ano, mas tenho quase certeza que não: fomos na Baixa Temporada e mesmo assim achamos que tinha muita gente na rua. Pra quem não quer gastar muito comendo, minha dica é procurar outras opções além da Borges de Medeiros, como a Rua São Pedro, Rua Garibaldi e até o ponto mais afastado da Av. das Hortências. A diferença de preço é, muitas vezes, absurda.

No dia seguinte, desembolsamos cada um R$ 18,00 para fazer um passeio de jardineira pela cidade toda, oferecido pela empresa Jardineira das Hortências na avenida homônima e localizada num espaço bem fofo que imita vagões de trens. O motorista e guia turístico é super bem informado e bem humorado, e passa por vários pontos da cidade, desde os bairros mais simples (que sim, dão um baile na sua casa em São Paulo) até os mais nobres, que deixam as bochechas bem coradas. Ele conta um pouco da história do lugar e passa por pontos turísticos bem frequentados, como por exemplo o Lago Negro – o lugar mais lindo que vi por lá. Dá pra fazer uma pausa de 30 minutos pra passear de pedalinho (a partir de R$ 20) ou parar nas lojinhas próximas pra comprar artigos de artesanato, queijos, vinhos, sucos e outros itens.

1653406_10203784419277443_4608617875895346597_n
Vista do Vale dos Quilombos | Crédito: Camila Honorato

Terminando o passeio, resolvemos caminhar pela extensa Avenida desde o Centro até o lugar onde está localizado os museus mais badalados. Tem o Museu Medieval, que eu não visitei, mas li bons relatos a respeito. Escolhemos o combo Dreamland Museu de Cera + Bar/Museu Harley Motorshow. Os dois não podem ser vendidos separadamente e custam, em media, R$ 30 cada. Mas conseguimos um desconto e levamos os dois por R$ 80 o casal (TSÁ). Os bonecos de cera variam: uns são assustadoramente bem feitos e outros são só assustadores mesmo. Mas vale a visita e rende boas risadas.

O da Harley, no entanto, impressiona pelas motocas bonitonas expostas num bar que lembra em tudo Las Vegas. Paramos por lá pra tomar um chope gigante da Raisen Bier – a cerveja de Gramado, bem saborosa. É bom avisar que por lá tem outros dois museus que valem a visita: o Hollywood Dream Cars, de modelos raros e antigos, e o Super Carros, que expõe modelos esportivos caríssimos e ainda dá o direito de dar uma voltinha – se você tiver no bolso uma bagatela de R$ 190 a R$1000,00. Pulamos essa parte e resolvemos voltar a pé mesmo. Se vocês não forem loucos como a gente e não quiserem se aventurar pelas calçadas cercadas pela florestas e coberta pela névoa, dá pra contratar táxis ou alugar carros. Mas você perde vistas bem bacanas, como a do Vale dos Quilombos.

Chegando de volta ao Centro à noite, debaixo de uma garoa miserável de fria, resolvemos jantar no restaurante Torre, que serve café colonial. Ou seja: guloseimas de café da tarde à vontade, algo bem típico da cidade. Desembolsamos, os dois, R$ 80 em uma promoção, com bebida inclusa, e saímos quase rolando. Achamos a opção mais em conta de café colonial da cidade, que geralmente pede mais de R$ 100 por pessoa.

1491653_10203784333115289_93508710521308926_n
Mesinha básica do café colonial no Restaurante Torre | Crédito: Camila Honorato

No dia seguinte, resolvemos caminhar pela cidade e achar lugares pra comprar presentes. Se você quiser levar um bom vinho das vinícolas da Serra ou um chocolate mais caseiro prepare o bolso: são bem caros, ainda mais nessa época do ano de Alta Temporada do outono/inverno. Preferimos parar em lojinhas de pequeno porte e levar bugigangas como chaveiros, cuias de chimarrão e até um suco de uva branca.

À noite, como o orçamento estava apertado, preferimos parar em um restaurante mais econômico, mas que eu não recomendo. Atende pelo nome de Hakone e serve rodízio de pizza por R$ 17,90 por pessoa. No entanto, apesar das pizzas serem até saborosas, o atendimento é uma confusão que só, o aspecto da comida do buffet (inclusa no rodízio) não é das melhores e eles não aceitam cartão de débito. Pelos depoimentos no TripAdvisor, o restaurante já existe há algum tempo e não apresentou nenhum sinal de melhora. Então é melhor correr.

Apesar de tudo, só guardo lembranças boas desse lugar. Das pessoas que me atenderam bem, da visão maravilhosa, da companhia que tive. Voltei renovada pra casa e recomendando que todo mundo tire uma folga desse caos urbano pra ficar pertinho do frio da Serra, que só faz sorrir.

Bah! Já estou com saudade.

GALERIA DE FOTOS | CRÉDITO: Camila Honorato:

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s