Crítica Musical: os bons shows do Lollapalooza 2014

Já se passaram mais de duas semanas desde que o Lollapalooza deu as caras na cidade e eu só tive coragem de publicar algumas das minhas impressões sobre o evento agora. Não que eu estivesse monumentalmente ocupada. Mas nos últimos tempos, tenho tido um objetivo bem diferente em relação a shows. Me abstive de escrever qualquer texto sobre o show do Black Sabbath no ano passado, por exemplo, assim como o do Metallica nesse ano.

Esse último, então, me deu boas razões pra cancelar qualquer pretensão de resenha, já que eu escrevi sobre os dois shows no Rock in Rio aqui do Brasil e me permiti essa folga (dá pra ler aqui e aqui). O motivo? Aproveitar mais cada momento sem precisar fotografar nada, só registrando a importância de ouvir a música dentro da minha cabeça e do meu coração. Ver o Metallica era um sonho antigo que eu consegui realizar estando ao lado do verdadeiro amor da minha vida. Só esse tipo de importância já reduz qualquer texto a meras palavras que não conseguem me expressar.

Mas enfim, sobre o Lollapalooza: registrei pouquíssimas fotos e todas de cunho bem pessoal, mais pra eu lembrar de como foi passar o dia ao lado das pessoas mais importantes da minha vida debaixo de Sol. Contrariando a opinião de muitas pessoas em relação à estrutura do evento: achei tudo muito bem organizado e distribuído. O Autódromo de Interlagos foi, pra mim, uma opção muito mais acertada do que o Jóquei, com banheiros imundos, filas intermináveis e um cheiro terrível de cocô de cavalo.

O espaço gigantesco preveniu muitos contratempos, além de oferecer mais opções de lazer pra quem passa o dia por lá e quer relaxar entre um show e outro. O preço da cerveja era de sofridos 9 reais. Mas em compensação, o espaço do Chef ofereceu boas opções a preços muito justos. Nunca achei que eu fosse comer paella, ceviche peruano e hot dog francês num festival de música, por exemplo. Me diverti horrores com essa parte.

Alguns shows apresentaram falhas técnicas. O Muse sofreu com aumentos esporádicos no som, que já estava complicado devido ao problema grave da voz do Vocalista Matt Bellamy. A faringite resultou no cancelamento de várias músicas pré-programadas para o setlist. O piano de cauda foi usado só uma vez e ainda sofreu com o impacto de uma guitarra atirada pelos ares, fruto da frustração do frontman diante de uma voz acanhada. Mesmo assim, a banda ainda conseguiu fazer uma apresentação boa, calcada por espaços longos entre uma canção e outra – mas que conseguiu manter a atenção do público curioso.

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Crédito: Divulgação

O show do primeiro dia que mais me tocou foi, sem dúvidas, dos novatos do Imagine Dragons – já que eu não vi o que muitos dizem que foi o grande nome do dia, o Nine Inch Nails. O áudio estava baixo e dificultava a audição de quem estava mais distante do palco, o telão falhou. Mas nem por isso os caras se perderam no palco. Se emocionaram, emocionaram outros, mostraram entrosamento entre eles e com os fãs e deram uma lição em muitas bandas que se deixam abater por pouco. Cage The Elephant mostrou um vocalista completamente louco e contagiado pela energia forte da plateia. Phoenix mostrou competência, mas brigou um pouco com o horário da Lorde, fazendo com que eu me arrependesse de não ter ouvido o vozeirão e visto aquele cabelão todo ao vivo. Entre os nacionais, o Vespas Mandarinas deram muita conta do recado.

A volta pra casa denunciou o quanto a cidade de São Paulo ainda é extremamente mal preparada pra eventos desse porte: estação de trem longe do local e monumentalmente lotada, má organização e falta de educação e respeito por parte de guardas e policiais, gente folgada se amontoando, filas quilométricas, taxistas abusados e claramente sem vontade nenhuma de trabalhar com o que não os convém. E o pior de tudo: um metrô que não cumpriu com o prometido e parou de funcionar antes do horário programado para o dia. Fiquei literalmente na rua e à mercê de uma carona – isso porque tive sorte. Me deparei com várias pessoas se amontoando na estação e se preparando pra dormir, enquanto guardas folgados e mal preparados davam pouca informação e riam da desgraça alheia – sem qualquer motivo aparente para isso.

Não pude comparecer no dia seguinte, mas muitos disseram que estava mais tranquilo, já que o evento terminou mais cedo e não atingiu a lotação máxima. É nítido que a distância entre um palco e outro era muito grande, mas isso é padrão do festival, até pra não atrapalhar o som de um ou de outro quando shows acabam encavalando. Quanto a isso, não tem jeito: o melhor é escolher pra não passar cansaço e raiva quando o público todo decide ir pro mesmo lugar.

Segundo as más línguas, Arcade Fire e New Order mandaram muito bem. Mas acompanhando pela televisão, meu show favorito foi, sem sombra de dúvida, o do Soundgarden – banda que marcou minha infância e que também denuncia o meu gosto de longa data pelo grunge. Não posso dizer muito pela minha ausência, mas me pareceu um dia tão ou mais bem sucedido quanto o anterior. E denuncia que o principal motivo pelo qual organizadores continuam insistindo nesses eventos de grande porte no país, mesmo com todos os problemas, é um só: a plateia extraordinária.

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