Crítica Musical: Rock in Rio 2013 – Primeiro Fim de Semana

Rock in Rio nunca foi um festival inteiramente voltado para o rock. Isso é fato! Desde sempre, artistas de vários gêneros tiveram sua chance de mostrar o seu melhor em cima de um palco gigante, na frente de milhares de pessoas. Nem sempre a recepção do público é calorosa, e é preciso ter feeling na hora de organizar o line-up a fim de que nenhum músico passe por uma situação constrangedora. Mesmo assim, há casos inevitáveis de vaias e atitudes desrespeitosas – coisas típicas de mentes fechadas.

Ao longo da história do festival, artistas como Carlinhos Brown deram a cara a tapa e enfrentaram as latas jogadas pelo público mais xiita do metal. Ou mesmo Lobão, figura importante do rock nacional que hoje enche o saco com seus textos, que propôs um show de qualidade e uma parceria bacana com a Mangueira, misturando ritmos num dia que talvez não lhe coubesse justamente pela falta de respeito de seus espectadores.

muse-1
O Muse foi um dos pontos altos do final de semana | Crédito: G1/Divulgação

Então, antes de criticar artistas de outros gêneros, tenha em mente que o que mais se preza na qualidade de um evento grandioso desses é a variedade: de sons, de plateias, de cenários, tudo sem perder a qualidade. Isso é o que geralmente faz o sucesso de um festival, respeitando os gêneros de cada dia.

No primeiro final de semana do Rock in Rio, o que prevaleceu foi o pop. O primeiro dia contou com a abertura da Orquestra Sinfônica Brasileira, misturas como Maria Rita e Selah Sue no Palco Sunset (um pouco maçante, confesso) e boas apresentações de Ivete Sangalo e Beyoncé. Sim, porque precisa ser muito diva pra conseguir segurar uma plateia gigantesca daquelas. Por mais que se questione a qualidade do axé, convenhamos que Ivete é boa no que faz e tem muita segurança em cima dos palcos.

beyonce
Beyoncé mostrando que é rainha mesmo | Crédito: G1/Divulgação

Segurança pra conversar com um público acolhedor, dançar e cantar com fôlego e até arriscar um cover de Queen, com Love Of My Life. Palmas pela coragem! Em seguida, o clima ganhou os ares das casas noturnas de elite do país ao som de David Guetta. Por mais conhecido que seja seu nome, talvez um Palco Mundo não fosse o cenário ideal para a música eletrônica, que na minha humilde opinião combina muito mais com as famosas tendas.

Minutos depois, a maior diva americana de R&B encantou com uma voz impecável, uma banda incrível composta só por mulheres (o que eu acho um dos pontos mais altos em todo o conjunto do show da Beyoncé) e coreografias conhecidas, passando por hits como Irreplaceable, Crazy in Love (minha favorita dela) e o famosíssimo hino feminista Single Ladies. E eu pergunto se já pode cobiçar aquele macacão azul escuro e cheio de brilho…

florence
Florence e seu show viajado | Crédito: G1/Divulgação

Segundo dia, palco Sunset com um Marky Ramone vivendo num universo particular, um tributo meio confuso a Raul Seixas e o show maravilhoso do The Offspring, que fez boa parte dos espectadores se perguntar porque diabos os caras não estavam no palco principal no lugar de Florence and the Machine. Não que a qualidade musical da ruiva seja questionável, muito pelo contrário: a voz, tida como escandalosa por muitos, é afinada e única. Mas colocá-la no meio de artistas com gêneros tão diferentes do seu talvez tenha esfriado um pouco os ânimos da plateia, mais acostumada a excentricidades no palco Sunset, que deveria ter sido a verdadeira casa da Enya dos hipsters, meio chapada.

Capital Inicial foi a banda nacional escolhida para abrir as atrações do palco principal. Não que Dinho Ouro Preto não seja um ótimo frontman com toda aquela hiperatividade, mas me pergunto se os organizadores do Rock in Rio não conhecem outros nomes do rock nacional. Achei assim, repetitivo. Em seguida, o Thirty Seconds To Mars fez uma apresentação bacana, animando o público com músicas como Closer To The Edge, uma bela versão acústica de The Kill e um Jared Leto carismático (impressionante como o filho da puta não envelhece) improvisando na tirolesa.

É, gente. Tudo bacana, esquentando, mas nada que se compare à qualidade inquestionável do Muse, com a voz afinadíssima de Matt Bellamy (alguém me explica que diabo de cabelo era aquele) e um belo entrosamento da banda. Ao agudos de Supremacy e Supermassive Blackhole são de chorar, enquanto que Hysteria, Uprising e Knights of Cydonia ficaram com a parte mais psicodélica da noite. Senti falta do piano de Resistence e Apocalypse, Please, mas tudo bem. Foi pra botar no colo.

muse 2
O Muse fez uma apresentação apoteótica | Crédito: G1/Divulgação

O domingo foi mais paradão, embora muitos cantores tenham feito a lição de casa. Olodum e Kimbra foi, no mínimo, estranho. Jota Quest fez o que sabe fazer de melhor: entediar. Desculpa, mundo, mas está aí uma banda que eu não consigo engolir de jeito nenhum. E novamente me pergunto se está faltando banda nacional pra convencer os organizadores. Jessie J foi uma parte bacana do domingo, ainda que eu ache que falta hits pra convencer a plateia (moça, volte pro estúdio). Apesar disso, acho a voz dela muito incrível e pouco explorada em suas músicas mais conhecidas. Alicia Keys também é afinada, mas fez uma apresentação extremamente cautelosa. Parada, eu diria.

O que mais salvou o dia foi o novo ‘rei do pop’ Justin Timberlake. Vamos fingir que não prestamos atenção no sex appeal do moço, e no recalque dos namorados no Facebook que insistem em relembrar daqueles cachos medonhos dos tempos de N’Sync (guys, get over it!). O ponto principal do show dele é a banda, com músicos extremamente competentes e que seguram muito bem a onda da voz aguda de J.T nas coreografias mais exigentes.

justin
Justin Timberlake salvou o dia | Crédito: G1/Divulgação

Muitos críticos elogiaram o conjunto da obra, mas apontaram o setlist como uma coisa meio instável. Eu vou confessar que gostei. Intercalou bem os tempos de Cry me a River e Señorita com os hits do álbum FutureSex/LoveSounds.

A sequência das novas Suit & Tie e Mirrors encaixaram bem, com um coro emocionante, antes da apresentação ser encerrada com Sexy Back. Vendo toda a qualidade musical do cara, posso dizer que o considero um artista completo, de muita qualidade, e que merece toda a histeria.

É: não foi um final de semana extremamente memorável. Mas quebrou um bom galho.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s