Crônica: Na calada da dor (um sentimento desesperador e necessário)

Dor é um sentimento intenso, profundo e irremediável. É algo intenso com o qual você se acostuma. Que provavelmente nunca desaparece, mas acalma e permanece sereno.

Há varias maneiras de sentir a dor: ela pode vir carregada de gritos, lágrimas, escândalos, tremor. Ou pode ser silenciosa, meio sem jeito e, portanto, mais perigosa. Afinal de contas: quem consegue lidar com o silêncio? Quem consegue confortá-lo?

Foto: Cena do filme Lembranças
Cena do filme “Lembranças”, com Robert Pattinson e Emilie De Ravin | Crédito: Divulgação

E pior do que calar a dor no âmago, é fingir que ela não está ali. Não senti-la é um claro sinal da ausência de vida. Pois sem vida não há sentimento, não há dor. Mas sem a dor, como viria o saber? Como viria o sorriso conformado e esperançoso depois de tantos dias de névoa? Como haveria o amor sem a dor? A dor obscura que ensina ou a dor gostosa da saudade, de ter?

E nesse momento, no meio de uma noite de ventos tranquilos, sinto a chuva lavar parte da dor. Pois ver a dor de quem se ama reacende na gente aquela sensação conhecida. Mas olhar a dor pode ser olhar o silêncio, o desespero calado. Ou pior do que isso: a ausência dela.

Ser humano que sou: me perdoem os fortes, mas não consigo lidar com quem renega a dor.

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