Lista: uma seleção de músicas para curtir o frio

Eu adoro o frio. Mesmo! Não me importo com a quantidade de gente que me olha como se eu fosse louca, apesar de entender um pouco o desespero alheio com um vento cortante no rosto. E já que quem está na chuva é pra se molhar, não tem nada melhor do que aproveitar tudo com música. Afinal, com música tudo se salva não?

Fiz uma seleção com alguns sons que eu mais escuto, e alguns que eu descobri recentemente, quando a temperatura cai. Acho que combina com um cenário bem nublado e uma bebida quente. As escolhas são bem pessoais, mas já que o sistema é democrático me conta: quais são suas músicas de cobertor?

Créditos: Creative Commons
Crédito: Creative Commons

Regina Spektor – Samson 

A voz da Regina é uma delícia! O piano então, nem se fala. Acho as composições dela nada óbvias, criativas e acompanhadas de uma presença de palco linda de se ver. Antes do SWU de 2010, só tinha ouvido Fidelity. Mas naquele frio cortante da Fazenda Maeda de Itu tudo mudou…

Loreena McKennitt – The Stolen Child

Toda vez que eu escuto as músicas da Loreena, com muita harpa, piano e até aquela sanfona antiguíssima (que não tem nada a ver com o acordeão, apesar dele ser muito usado aqui) me sinto um elfo tomando vento na Irlanda ou na Escócia. É! Vale a pena esquentar um chá pra acompanhar a complexidade da voz dessa canadense.

Morrissey – Suedehead

Morrissey combina com cinza, com casaco, com Londres… Apesar do mau humor constante que essa figura rabugenta gosta de propagar aos quatro cantos, é inegável a sua capacidade de compôr músicas de uma complexidade deliciosa, tal qual as tardes frias do inverno.

The Secret Sisters – Tomorrow Will Be Kinder

Todas as músicas da trilha sonora de The Hunger Games são pra congelar. Outras músicas boas de ouvir daqui: Dark Days, do Punch Brothers, Come Away To The Water, do Maroon 5, e até Safe and Sound, da Taylor Swift, que saiu da mesmice com essa música e acertou ao fazer parceria com o The Civil Wars (que também tá aqui, logo embaixo)

The Civil Wars – C’est La Mort

O contraste das duas vozes é uma fofura,  o que só faz a gente lamentar pelo fim polêmico da dupla, que tinha uma harmonização incomparável de voz. Ainda assim, vale a pena revisistar esses sons, que quase sempre têm essa pegada mais calma. E claro: a Joy Williams, com sua capacidade incrível de compôr boas músicas e sua voz aveludada e delicada, é um show à parte!

Marisa Monte – Alta Noite

“Nenhuma pessoa sozinha ia. Nenhuma pessoa vinha”. Ouvia o CD Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão, que tem essa música entre as faixas de destaqueno rádio do carro quando era pequena no caminho pra Minas. Me lembra interior, fazenda, cheiro de café e o sentimento de melancolia de alguém da cidade grande no meio do campo, tarde da noite, onde “ninguém pela estrada andava”. E claro: sentindo o vento cortante do anoitecer na serra.

Elis Regina – Folhas Secas

O que não ficava bom na voz dessa mulher? A técnica única de mezzo soprano, o sofrimento trazido pela interpretação de um timbre tão raro… Elis deixou saudade, mas seus sentimentos intensos enquanto cantava são atemporais. Ainda que, entre uma faixa e outra, é possível encaixar mais a melodia com uma tarde nublada do que com um entardecer ensolarado. Essa música que o diga…

Maria Bethânia – Estrela Miúda

Adorava cantar essa música pro meu cachorrinho. Quando ele se foi, estava sol. Mas ficou inverno dentro de mim. Afora isso, essa delícia que é a voz da Bethânia falando sobre uma estrela que ilumina o mar é como ter à frente o cenário de um litoral vazio, com sopro gelado e um dedilhado melancólico do violão.

Chico Buarque e Nara Leão – Dueto

Pra abraçar, amar e ficar deitado esquecendo do mundo. Até porque, a junção desses dois é algo que a gente não consegue bem reproduzir. É tanto significado pro melhor lado da música brasileira. E não preciso nem dizer que não confio muito em quem não se emociona vendo esse vídeo…

Billie Holiday – Stormy Blues

Se você não tentar ser um pouco sensual nesse frio, não vai dar pra aguentar não. Billie, com sua história de vida complexa e as tristezas profundas de sua alma, é o timbre perfeito para acompanhar aqueles dias onde a mão parece nunca se esquentar. Outras dicas dessa voz: As Time Goes By, I’ll Be Seeing You e, claro, Gloomy Sunday, que já figurou várias vezes nas listas de músicas mais tristes de todos os tempos.

Norah Jones – Those Sweet Words

Outra cantora que eu considero talentosa e bem criativa na hora de compôr. O último CD dela, … Little Broken Hearts, tem várias músicas que combinam com o cinza lá fora. Um piano e uma taça de vinho é a combinação ideal por aqui.

Amy Winehouse – Love Is a Losing Game

Poucas coisas no mundo se comparam com a dor que a voz da Amy carregava. Coisas que o frio revive em cada nota baixa e delicada, que fala sobre as melancolias de um amor que terminou. Ah, moça, que falta você faz!

Kate Bush – Wuthering Heights

Freezing. Brrrrrrrrrrrr. E bem: o agudo dessa mulher não tá escrito no livro da humanidade. Kate soube traduzir perfeitamente em letra, voz e melodia o frio interno e desconfortável que a gente sente lendo sobre um amor tão intenso (e doentio) quanto o de Cathy e Heathcliff no romance O Morro dos Ventos Uivantes, da autora britânica Emily Brontë. Uma obra clássica que casa com o frio das montanhas do interior do Reino Unido.

Eddie Vedder – Society

Acho impressionante como a trilha sonora de Into The Wild tem músicas pra tudo que é tempo – inclusive para os momentos de loucura de Chris McCandles, que achou posível atravessar o Alasca por entre ventos gelados, árvores barulhentas e lobos – tudo isso sem uma companhia sequer. E sim: no dia que eu não incluir esse cara em alguma playlist eu deixo vocês soltarem fogos. Se quiser dar uma esticadinha pro Pearl Jam, é só ouvir Just Breathe.

Echo & The Bunnymen – The Killing Moon

Na minha humilde opinião, não existe música no mundo que mais combine com o frio noturno do que essa. É pra botar no colo! E pra lembrar dos amores não correspondidos que deixaram a gente se contentar com essa atmosfera única dos anos 1980 no sofá de casa.

Alice in Chains – Rooster

A tristeza na voz do Layne Staley é algo indescritível em todas as músicas. Mas essas é uma das mais “congelantes”. Dá até pra sentir o cheiro das árvores e da neve na estrada de Seattle, nos tempos em que a música foi presenteada com o clima down e underground proporcionado pelo grunge. Pega a camisa xadrez, acende a fogueira e vem pra cá.

Lacuna Coil – Fragments of Faith

Não, o inverno nem sempre é calmo. Ele pode ser bem gótico, intenso e um tanto revoltado. Tanto quanto a voz potente de Cristina Scabbia e da energia contagiante do público que soube converter o clichê do charme italiano em músicas dignas de palmas. E muito vento, é claro.

Epica – Cry For The Moon

Sim, o Epica foi feito pro inverno. E a voz da Simone Simons também. E juro: é impressionante o fato de eu ter escutado essa música umas duzentas vezes sem enjoar. Outras sugestões “geladas” deles: Unleashed, Sensorium e The Phantom Agony.

Placebo – Protège Moi

Eu gosto tanto dessa música que tatuei um trecho dela. E francês é uma das línguas mais lindas do mundo. Te transporta pro frio parisiense, pras ruas românticas da cidade luz e pro beijo francês que ganhou uma  fama irresistível – e que as boas línguas juram ter o poder de aquecer.

Lynard Skynard – Free Bird

A gente carece de um rock farofa pra aquecer um pouco. E de mais de uma música pra botar aquela pessoinha no colo. Algumas músicas invernais são assim: a dedicatória perfeita pra se ouvir a dois. Ainda que a letra trate mais sobre liberdade. Voar na neve, talvez?

Elvis Presley – Love Me Tender

Sente o recalque. Sente essa lábia de exigir sem meias palavras um abraço reconfortante pra dar aquela aquecida debaixo do cobertor. Tem coisas que só o Elvis é capaz de fazer pela gente.

Johnny Cash – Hurt

A voz desse cara é pra qualquer situação. Sério: se o dia estiver ruim, Johnny Cash sempre vai te salvar. E se estiver bom, ele sempre dá uma reforçada na sensação de acolhimento. Por experiência própria: essa música é uma trilha-sonora ótima pra acolher um beijo. E pra descansar o ombro no corpo daquela pessoa que, como a letra composta por Trent Reznor, do Nine Inch Nails, sugere que poderia ter tudo.

The Doors – The End

Por último e não menos importante. Jim Morrison sabia muito das coisas. E sabia, inclusive, trazer pra gente a sensação de frio na espinha que uma voz que canta sobre o fim das coisas tem o poder de incorporar.

E então? Aqueceu? ♥

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