Poema: A angústia do pesadelo

Ontem eu tive um pesadelo triste
Onde gritava sem ser ouvida
Onde fugia sem ser seguida
Temendo uma ameaça sem nome.

Não havia rosto, só uma sombra disforme
O despertar no susto, a respiração alterada
A tranquilidade de se descobrir acordada.

Mas e quando a angústia vem com olhos despertos?
Desconhece a tristeza, mas quer chorar
Desconhece o desespero, mas quer gritar
Clamar por um nome desconhecido
Alguém que talvez nunca venha.

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Cena de “Cisne Negro” | Crédito: Divulgação

Há uma cidade melancólica fora da janela
Um barulho que incomoda
Duas mãos vazias
E o rosto em lágrimas frias.

Há uma incerteza de tudo
Um pessimismo permanente
Um bolo enorme na garganta
O corpo contorcido em frente.

E quem nunca foi assaltado pela incompletude
Por uma dúvida insistente?
E quem nunca se questionou sobre o mundo
Sentindo-se desnudo?

Pois de qualquer forma, somos todos vulneráveis
Todos sujeitos à angústia do pesadelo
Dos lábios tristes calados
Sem um por quê por inteiro.

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