Caindo na Estrada: Poços de Caldas, a cidade mineira das águas

Trabalhar com turismo tem grandes vantagens: você estuda a história de vários destinos, os melhores lugares a serem visitados (hotéis, atrações, bares, restaurantes…) e fica com uma vontade ainda maior de viajar. Aliás, quem não ama viajar? É uma chance de fugir da rotina, conhecer lugares novos (ou simplesmente repetir aquele roteiro que você tanto amou) e fazer uma série de programas bacanas, com o amor, com os amigos e/ou com a família.  No meu caso, viajar acompanhada me deu uma sensação nova e libertadora. Afinal de contas, quando você descobre uma série de lugares legais ao lado de quem você ama tudo tem um sentido diferente…

No inverno, qualquer lugar perto das montanhas pesa no bolso. No entanto, ainda tem opções um pouco mais econômicas e bem legais. Poços de Caldas, em Minas Gerais, é definitivamente uma delas.

Sacada
Crédito: Camila Honorato

Um pouco de história

A cidade de Poços se encontra numa região de origem vulcânica, fato que rendeu histórias e mitos curiosos, como a possibilidade de o vulcão entrar em erupção a qualquer momento. Mas calma, isso não passa de delírio! Aqui, você encontra águas sulfurosas e termais, que já foram utilizadas no tratamento de algumas doenças, visto que as mesmas possuem algumas propriedades curativas. A chamada “era de ouro” da cidade ocorreu em meados da década de 30, quando figuras importantes frequentavam a cidade, tais como o presidente Getúlio Vargas. Naquela época, a nata da aristocracia brasileira se reunia em lugares como o Palace Casino, hoje desativado mas com o espaço aberto a visitação e eventos.  Pra quem gosta de um clima mais antigo, indico o Palace Hotel como a melhor opção de hospedagem, já que as instalações se mantém como as daquele período.

Fonte no Centro
Fonte de águas sulfurosas no Centro de Poços de Caldas | Crédito: Camila Honorato

A estadia

Ficamos hospedados no Hotel Nacional Inn, bem no Centro. As diárias custam a partir de R$ 246 por casal na alta temporada. Antigo e com uma simplicidade bem atraente, o hotel conta com quartos espaçosos e uma área de lazer completíssima, com uma piscina enorme com toboágua na área externa, piscina aquecida coberta, academia, sala de jogos, playground e quadra. Indico bastante para famílias com crianças, já que eles contam com uma equipe de recreação bem competente para lidar com a fúria dos pequenininhos.

O atendimento foi muito bacana e eficiente tanto na chegada quanto na saída, apesar de um errinho no sistema indicando que ficaríamos até setembro (!), fato que rendeu boas risadas. O pacote inclui um regime de pensão completa, com café da manhã, almoço e janta. Tem bastante opção, principalmente no café da manhã – que eu achei o mais gostoso. No entanto, tem que ter um pouco de inspiração pra almoçar e jantar lá, já que a maioria dos pratos são bem típicos, temperados e pesados (minha gastrite quase enlouqueceu).

Lazer

Piscina descoberta e qadra do Hotel Nacional Inn, em Poços de Caldas (MG) | Foto: Camila Honorato

Na verdade, me surpreendi bastante com tudo, já que as reclamações dos viajantes no Trip Advisor eram bem recorrentes. Desminto grande parte das coisas que estão escritas lá e acrescento: se você busca extremo sossego, aconselho que procure outras opções mais afastadas e cercadas pela área verde bem extensa da cidade. Afinal de contas, quem procura o Centro quer agito, com muitas opções de bares, restaurantes, lojinhas, passeios e até casas noturnas, que aumentaram em quantidade e qualidade com os universitários que se instalaram por aqui.

À noite, inclusive, deu pra ouvir nitidamente os shows que aconteciam na praça principal, mas nada que nos incomodasse. Afinal de contas era a Julho Fest, uma espécie de festival de inverno com muitas atrações gratuitas espalhadas por diversos pontos. Quando pagas, as atrações (geralmente apresentações de dança e teatro) custam no máximo R$ 10.

Os passeios

Nossa primeira opção foi o passeio de charrete, pra lembrar o clima romântico e o charme de antigamente. Pagamos R$ 40 pra passar por alguns pontos turísticos do Centro, com pausas para visitar o interessante e bonito relógio floral. Na mesma pracinha, há um monumento em homenagem aos soldados que serviram na Segunda Guerra Mundial. Enquanto isso, nosso condutor dava água para a querida motorista Abigail, como eu a apelidei. Também aproveitei pra paquerar e tirar fotos de duas companheiras a seu lado: Marlene e Zenaide! Seguimos para uma lojinha para degustar queijos, vinhos, sucos e cachaças.

O vendedor simpático e solícito nos convenceu a levar um saboroso queijo recheado com requeijão pela “bagatela” de R$ 20. Uma coisa assim, bem gorda, mas que vale bastante a pena. Também compramos uma miniatura da cachaça Prosa Mineira, fabricada lá mesmo. Bom demais da conta, sô! O passeio seguiu, mas acabamos pulando a visita a uma loja de cristais. Apesar disso, aconselho a parada aos futuros visitantes. O condutor ainda oferece dua outras opções aos turistas: um passeio curto sem as paradinhas na praça e nas lojas por R$ 30 e um passeio que se estende até as regiões da montanha por R$ 65.

As éguas
Nossa condutora Abigail (detalhe no boné “Phyna” e na chupeta) e suas comapnheiras Marlene e Zenaide, todas apelidadas por mim! | Crédito: Camila Honorato

Guardamos as comprinhas no hotel e voltamos para explorar a cidade. Nossa próxima parada foi o teleférico, uma atração que eu não indico pra quem tem pavor de altura – e um pouco de bom senso! As estruturas são bem antigas, ainda que seguras. A cada passada nas torres que a sustentam, as cabines tremem e fazem um barulhão (motivo de pânico pra mim e de gargalhadas histéricas do meu namorado!).

No entanto, a parada final leva até o Cristo Redentor de Poços, que proporciona uma vista incrível da cidade. Só não aconselho a visita até o aquário, que eu considerei uma atração bem vergonhosa! Tem pouquíssimas espécies de peixes, distribuídas em vidrinhos muito mal cuidados. A iluminação é escassa e poucas legendas informam corretamente quem diabos é quem. A propaganda de fora, que indica o TUBARÃO VIVO, é bem enganosa: o bicho é minúsculo e até banguelo. Ou seja: são R$ 5 mal gastos.

Subida do teleférico
Vista do teleférico da cidade de Poços de Caldas | Foto: Camila Honorato

A próxima opção foi o trenzinho, que também faz um passeio pelo Centro e explica claramente o que são as atrações. A Praça dos Macacos é graciosa e possui uma pequena fonte. A origem do nome é a seguinte: a cidade faz um friozinho considerável entre os meses de maio e agosto. As fontes possuem águas termais, o que atraiu macacos que se banhavam nelas para se aquecer. Tcharãn! Aliás, águas termais são as verdadeiras atrações de lá e estão espalhadas em outras fontes e até nos rios.

Segundo o guia, a água é potável, mas é preciso consumir com cuidado: ela possui enxofre, o gosto não é dos melhores e ainda confere uma propriedade laxante. Ou seja, cuidado! Ainda falando de água, houve uma pausa em frente à Thermas Antonio Carlos, um balneário com diversas opções de banhos relaxantes, tais como o de imersão e de pérola. Também tem massagem: R$ 25 por 30 minutos. A bela arquitetura do prédio chama atenção e valeu uma pausa extra depois do passeio de trem. Mesmo quem não vai usufruir dos banhos (como foi o nosso caso), é uma visita bacana, principalmente pra admirar o teto incrível!

Teto das Thermas Antonio Carlos

Teto do balneário Thermas de Antônio Carlos, em Poços de Caldas | Crédito: Camila Honorato

No dia seguinte, caminhamos até a Fonte dos Amores, com muito verde e macaquinhos que descem das árvores para conhecer os visitantes e comer as frutinhas que os mesmos lhes oferecem. Sim, eles são bem caras de pau. Como eu não confio muito em macacos (pra mim, eles são seres humanos em outro corpo) olhei e brinquei de longe, mas perto o suficiente pra tirar algumas fotos. A água do parque é gostosa e bem gelada, mas cuidado com a umidade das pedras, que podem valer um tombo bem lindo. Tem um tipo de casinha de pedra no lugar e algumas grutas bem pequenas, que fazem te lembrar alguns lugarzinhos vistos em Harry Potter e O Hobbit.

Há também uma bela escultura do artista italiano Giulio Starace, com um casal nu abraçado. Caminhamos mais um pouco pelo parque e encontramos trilhas, fato que aguçou nossa veia aventureira. Pra quem não curte esse tipo de passeio, eu não indico! A subida é a mesma do teleférico, ou seja, íngreme e cansativa, principalmente ao chegar nas pedras enormes do descampado. Xinguei o quanto pude enquanto fazia o percurso. Apesar disso, a sensação de vitória quando se chega no Cristo é bem gratificante. E sim, dá vontade de fazer tudo de novo. Voltamos o percurso de teleférico e encerramos essa parte da viagem.

Trilha do demônio
A trilha. Sim, subimos tudo isso! | Crédito: Camila Honorato

Comidinha

Duas alternativas à gastronomia do hotel fizeram nossa alegria. A primeira delas foi um jantar na pizzaria Polako Pizza Grill. É um rodízio com muitas opções saborosas, inclusive nas pizzas doces. Bebidas e buffet de saladas e massas estão inclusos no valor do rodízio: R$ 21,90 por pessoa! Sim, barato desse jeito. Já o almoço do último dia foi celebrado no rodízio de comida japonesa do restaurante Dr Cevada.

O sushi e o sashimi são bem gostosos, assim como os hot rolls. No entanto, os pratos de entrada deixam um pouco a desejar e o tempero do yakissoba é bem forte. O resultado da brincadeira foram R$ 40 desembolsados por pessoa com bebida e taxa de serviço – e uma barrida estufada! Além do rodízio, o restaurante oferece outras opções a la carte.

Mais informações: Prefeitura de Poços de Caldas e Viagem e Turismo.

Galeria de Fotos: 

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