Poema: Passarinho (sobre sair do ninho e voar por aí)

Todo ser humano tem um pouco de passarinho
Nasce sendo alimentado, cercado por carinhos
Espera os cuidados no ninho, quietinho
Coberto por penas que lhe trazem proteção

Aos poucos, o passarinho desenvolve asas
Voa na encolha, piando nas folhas
Esperando pelo tempo certo de sair
Encarando a imensidão do céu colorido
Mas todo passarinho se acomoda com os cuidados
Na jaula ou debaixo das asas protetoras da mãe
Espera no canto pela comida e pelo cafuné
E pia sempre na mesma hora
Escandalosamente anunciada na parede da cozinha

Mas não seria o passarinho uma criatura corrompida na jaula?
Proibido de voar quando quer?
De cantar quando lhe convém?
E de enfrentar o mundo enorme que lhe reserva tantas surpresas?

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Crédito: Autor Desconhecido

Pois então, passarinho, se liberte
Não tenha medo de cantar por aí
De voar livre por cima dos carvalhos
E de banhar-se com os raios de Sol naquelas tardes de verão

Pois então, passarinho, a primavera o chama
Junto com as cores dos ipês que florescem ao seu redor
O inverno chegará junto com os ventos gélidos
E a chuva que marca aquele banho frio e revigorante

Pois então, passarinho, dê cambalhotas no ar
Desapareça por entre as nuvens
O outono logo chega e eu estarei esperando
Desejando seu pouso no parapeito da janela
Anunciando a companhia do chá da tarde.

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