Crítica Musical: Creed retoma o pós-grunge em show fofo em SP

CREDICARD HALL – SÃO PAULO/BRASIL – 25/11/2012

Foi mais uma noite na companhia da minha querida chuva, as duas mulheres da minha vida (mãe e irmã) e uma banda querida que me trouxe de novo essa sensação de nostalgia que tanto me emociona. No último domingo (25), o Creed desembarcou em São Paulo para mais uma apresentação de sua última turnê, que finalmente pisou em solo brasileiro depois de dezessete anos de carreira, quatro deles em hiato retomados com o quarto álbum da banda, Full Circle.

Eu acho engraçado o quanto algumas músicas remetem a determinados períodos da sua vida que fazem tanta falta. Lembro que eu conheci o Creed por causa da repetição constante de My Sacrifice na 89fm e reconheci que era a mesma banda que embalava o romance de um casal nos tempos áureos de Malhação, com With Arms Wide Open (quem tem mais de dezoito anos e não se lembra disso: se mata!). Foi uma época de descobertas pra mim: descobri muitas outras vertentes do rock que eu desconhecia (e acabei me obcecando não só por essa banda, mas por Red Hot, Aerosmith e tantas outras), descobri o skate e novas amizades num condomínio que só me traz ótimas lembranças.

Crédito: Camila Honorato

Passava horas enfurnada no quarto, ouvindo CDs num discman que funcionava com pilhas recarregáveis. Comprei o disco Weathered de presente pra minha mãe no Natal e acabei me encantando tanto quanto ela, indo atrás de My Own Prison e Human Clay dias depois. Aliás, que tempos lindos de colecionar CDs e aguardar ansiosamente por seus lançamentos! A gente ama o que a Internet proporciona atualmente e considera os downloads como verdadeiras obras da divindade, mas confesso que eu sinto falta dessa expectativa…

Crédito: Camila Honorato

Como toda boa fã, me apaixonei pelo frontman de belos olhos grandes e ligeiramente esverdeados, quase entrando em depressão ao descobrir o quanto ele era mais velho que eu (a vida é tão injusta!). É claro que se você for considerar as paixões platônicas de uma adolescente vai acabar descobrindo ume lista bem extensa de artistas, mas enfim… Eu passava horas lendo biografias curtas, colecionava fotos e reportagens de revista e chorei intensamente ao descobrir que a banda entraria em hiato.

Enfim, um dia a gente cresce (no meu caso, nem tanto assim), descobre novos sons e deixa a obsessão um pouco pra trás. Mas guardamos com carinho todos os bons momentos que essa fase proporcionou. E foi a partir disso que eu me desloquei pro Credicard Hall a fim de finalmente ver uma apresentação ao vivo, depois de passar boa parte da minha infância/adolescência nessa expectativa. E posso falar? Não ligo mesmo pra esse status de banda pós-grunge, não ligo mesmo pra essa pancada de gente que enche o saco com comparações. Gosto mesmo, me emocionei e ninguém tem nada com isso.

Crédito: Camila Honorato

Do último disco, apenas a música A Thousand Faces fez parte do set list, composto por clássicos dos três primeiros álbuns. Sentada (por pura obrigatoriedade na plateia mais séria da casa), me diverti cantando TODAS as músicas e balançando a cabeça, tentando me livrar do comichão na bunda por ter que ficar naquela condição. Are You Ready?, Wrong Way, Bullets, Say I, Beautiful… Aqueles momentos com o discman realmente me foram úteis e me fizeram pirar, sendo acompanhada por outros fãs tão apaixonados quanto eu.

Infelizmente, alguns preferiam acompanhar parte do show usando aquele maldito banco num péssimo ato de falta de respeito (e já que não tinha mais pista quando fui comprar, só restou essa opção). O consolo foi levantar esporadicamente acompanhando outras pessoas e driblar os seguranças para dançar em pé pela escada e pelos corredores da casa (como nos velhos tempos). Depois desse sufoco, eis que uma duplinha protesta: “Isso é um show de rock, não a porra de uma ópera ou um balé!”.

Minutos depois, as pessoas levantaram-se uma a uma, graças a Deus. Foi uma coisa linda! Logo depois, fomos embalados por hits conhecidíssimos que fazem qualquer um cantar, como Higher, With Arms Wide Open (aquela do Henri Castelli em Malhação), One Last Breath e My Sacrifice (89fm de novo!). Só faltou Don’t Stop Dancing, infelizmente.

Crédito: Camila Honorato

O conjunto da obra agradou muito: a banda estava muito bem entrosada e visivelmente feliz no palco. A voz de Scott Stapp é incrível! Uma daquelas surpresas agradáveis ao vivo, já que você consta que não tem nenhuma desafinação ou diferença daquilo que você ouve nos CDs.

A presença de palco é bem divertida: aquelas dancinhas que só os americanos sabem fazer, ligeiras “trepadas” com o pedestal e um ótimo entrosamento com o público – que fez reverência ao moço em diversos momentos. Mark Tremonti fez a segunda voz com competência e teve a companhia de Eric Friedman nas guitarras (que os acompanha nas turnês). Não menos destacados, estavam o baterista Scott Phillips e o baixista Brian Marshall, que além de tudo isso… Bem… Por quê tão lindos?

Com a casa lotada (ingressos esgotados) e um ótimo público (com as pequenas exceções que descrevi), finalmente saciei uma das maiores vontades da minha vida. Agora vou ali entrar em campanha pela volta do discman e desses momentos poéticos que ele proporcionou.

Muito amor!

Crédito: Camila Honorato
Crédito: Camila Honorato
Crédito: Camila Honorato
Crédito: Camila Honorato

SET LIST

1-      Are You Ready?
2-      Torn
3-      Wrong Way
4-      What If
5-      Unforgiven
6-      My Own Prison
7-      A Thousand Faces
8-      Bullets
9-      Beautiful
10-   Say I
11-   Faceless Man
12-   What’s This Life For?
13-   One
14-   Higher

BIS

15-   With Arms Wide Open
16-   One Last Breath
17-   My Sacrifice

Avaliação Final: ♥♥♥♥ (Muito Bom).

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