Crítica Musical: leia mais sobre o show do Linkin Park em São Paulo

07/10/2012 – Arena Anhembi – São Paulo

Toda vez que eu penso no calor do último domingo sinto calafrios. Essa sensação tão controversa justifica-se pelas memórias boas e ruins: o sol impiedoso na pele, as horas de espera e, por fim, a sensação de completude trazida por um show bem executado. Porque fã é assim: sofre muito, mas acaba se contentando no final com a voz, os acordes e algumas palavras de interação no microfone.

Crédito: Camila Honorato

Depois de muito tempo sem viver nenhum tipo de aventura nos shows, chegando sempre um pouco antes da hora marcada das apresentações, me permiti voltar à essência da minha adolescência e dos momentos insanos que ela me proporcionou. As horas de espera na fila, a interação com outras pessoas, boas histórias pra contar e, no fim, aquela exaustão que te deixa de mau humor por ter que voltar à rotina e à realidade dos dias de semana.

E meu Deus, como estava abafado! Todas aquelas horas de espera na fila, as oportunidades escassas de ir ao banheiro (pra não perder o lugar na grade da pista comum) e o consumo exacerbado de água. Aliás, acho que nunca bebi tanta água na vida e nunca passei tanto protetor solar. Mas paciência, né… A vida não é fácil mesmo.

Crédito: Camila Honorato

Acho bacana olhar pra trás e ver o quanto o Linkin Park me fez feliz. A gente sempre passa por uma fase de obsessão com uma banda. Nesse caso, eram conversas intermináveis sobre o assunto com amigos igualmente fãs, pastas com fotos e reportagens de revista, coleção de CDs e DVDs… Eu me matava pra encontrar até os EPs nas lojas e fiz uma prima comprar o livro From The Inside (com os bastidores dos clipes e relatos da turnê do álbum Meteora) em uma viagem aos Estados Unidos.

Passada aquela fase “só sei falar disso”, vem as lembranças divertidas e aquela sensação de nostalgia dividida com um público variado: pessoas mais velhas, pessoas da minha faixa etária, adolescentes insanos e meninos bem jovens, que atualmente passam pela mesma fase que relatei anteriormente. “Acho que eu surtaria se encontrasse o Mike. Ele é meu ídolo!”, ouvi um garoto de bochechas rosadinhas dizer. Era o mesmo sentimento que eu compartilhava pelo Chester nos meus 12 aninhos. Pirava nos gritos, na melhor melodia de sua voz e naquele monte de tatuagens no corpo magro. Bem, pensando por esse lado: não mudou porra nenhuma, eu continuo nesse mesmo critério. Mas enfim, voltemos à música…

Muitos copos de água depois, veio o show do Charlie Brown Jr – a mesma banda que abriu o show do grupo em 2004, no Estádio do Morumbi. E parece que pouca coisa mudou: o Chorão continua soltando o mesmo excesso de palavrões em cima do palco, faz aquelas rimas improvisadas e acaba divertindo o público, que se empolgou em clássicos como Rubão e Proibida Pra Mim. Apesar do carisma, senti que a mão pesou em alguns momentos: pedidos excessivos pra cantar acabaram cansando o público algumas vezes. A boa recepção apareceu nos momentos finais da apresentação, até que a execução de Papo Reto provocou tantos pulos que preocupou alguns fãs. “Meu Deus, eu já tô cansado”, diziam alguns.

Crédito: Camila Honorato

Mais espera. Meia hora de atraso. Às 21h, as luzes da Arena Anhembi se apagaram e gritos histéricos tomaram conta do lugar. A abertura com Faint trouxe aquela insanidade: empurra empurra, bate-cabeça, pulos e versos cantados a plenos pulmões. O hit foi seguido das porradas Papercut e Given Up, massacrando boa parte da plateia. Já a clássica With You ressaltou aquela sensação de nostalgia: lembrei dos meus felizes 12 anos, das poucas preocupações e de passar horas ouvindo músicas do grupo, tendo essa como uma de minhas preferidas. Não resisti e acabei derramando algumas lágrimas, por mais que tentasse me controlar. E isso acabou se repetindo em Waiting For The End e no momento em que trechos de Leave Out All The Rest, Shadow Of The Day e Iridescent foram contempladas pelo público com bexigas verdes e amarelas nas mãos – a maioria delas soltas com o verso “And let it go”. Achei poético.

Durante toda a apresentação, o Linkin Park intercalou músicas antigas, dos álbuns Hybrid Theory e Meteora, com outras de seus trabalhos mais recentes, A Thousand Suns e Living Things – este recém lançado. Sempre achei que a banda se permitiu experimentar novos horizontes dentro daquela proposta que os fez conhecidos mundialmente. Apesar de bem executadas, nota-se que o público ainda prefere a face new metal, explorada novamente nas músicas do último álbum. Victmized, Burn It Down, Lies Greed Misery e Lost In The Echo empolgaram mais do que The Catalyst, por exemplo.

Nos poucos momentos em que interagiram com a plateia, Mike Shinoda e Chester Bennington mostraram carisma ao gritar o nome da cidade e arriscar alguns “obrigados”. O resto do show foi marcado por uma pancada atrás da outra, como todo bom show de rock deve ser. Nada de mimimi: o papo tem que ser reto.

Crédito: Camila Honorato

Os momentos finais voltaram a explorar os clássicos, como One Step Closer e In The End. Pra encerrar a apresentação, Bleed It Out foi cantada junto com o cover Sabotage, dos Beastie Boys. Despedindo-se de um público ainda sedento por mais, o Linkin Park deixou o palco com pedidos por Crawling, o que denunciou o único defeito da apresentação. Afinal, estamos falando de uma banda com anos de estrada, um público fiel que canta tudo e muitas músicas no repertório. Aquela curta uma hora e meia de show poderiam ser ampliada para no mínimo duas horas. Senti falta de músicas como A Place For My Head e From The Inside. Pelos comentários feitos ao meu redor,eu definitivamente não estava sozinha.

Mesmo assim, foi de lavar a alma – a ponto de ter que me desculpar pelas poucas fotos que eu tirei. Na muvuca, muitas delas saíram tremidas, além do que não dá muita vontade de parar de pular pra ficar registrando o momento…

Enfim: nostálgico, insano e emocionante.

SET LIST

1- Tinfoil (Intro)
2-Faint
3- Papercut
4- Given Up
5- With You
6- Somewhere I Belong
7- In My Remains
8- New Divide
9- Victimized
10- Points Of Authority
11- Lies Greed Misery
12- Waiting For The End
13- Breaking The Habit
14- Leave Out All The Rest / Shadow Of The Day / Iridescent
15- The Catalyst
16- Lost In The Echo
17- Numb
18- What I’ve Done
19- One Step Closer

Encore

20- Burn It Down
21- In The End
22- Bleed It Out / Sabotage (cover Beastie Boys)

Avaliação Final: ♥♥♥♥♥ (Excelente)

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