Crítica Musical: show do Aerosmith manteve atmosfera nostálgica

Mais um show incrível pra adicionar na lista das melhores coisas que eu já vi ao vivo na minha vida. E por pura sorte: já tinha me acostumado com a ideia de ficar em casa no domingo, escutando relatos de amigos que iriam quando me apareceu a oportunidade de trabalhar no local. Obviamente que ela foi agarrada com violência.

O tempo daquele domingo foi completamente louco: começou com sol (a ponto de queimar meu nariz, trazendo aquela “agradável” sensação de ardor depois), seguiu-se de garoa, frio absoluta e, por fim, uma chuva intensa com ventos fortes e gélidos.

Trabalhar na parte da organização tem a vantagem de trazer a você informações de tudo que acontece: a fiscalização da T4F quanto às carteirinhas de estudante estava bem rígida, a ponto de algumas pessoas terem que pagar entradas inteiras por não apresentarem documento oficial. Outra coisa que me surpreendeu bastante foi a grande quantidade de pessoas que entrou na arena com ingresso sobrando. E eis o motivo: tem um sistema de vendas denominado Showpass, no qual você efetua o pagamento com o cartão de crédito e retira as entradas (uma espécie de comprovante) na porta do show. Aí você se pergunta: e se houver desistências, o que acontece? A resposta: nada. O cartão impossibilita as vendas dos ingressos. Daí você se conforma com o fato de que gastou dinheiro a mais e não terá a possibilidade de reembolsá-lo novamente.

Como foi a única apresentação do grupo no Brasil esse ano, era possível ver muitas pessoas de outros Estados: Rio Grande do Sul e Pernambuco, por exemplo, se misturaram aos paulistas. No meio daquela espera, era impossível não recorrer a algumas das minhas memórias: eu tive uma fase obcecada pelo Aerosmith. Era aquela coisa de ouvir o tempo inteiro, junto com a minha fase de Blink 182, Red Hot Chilli Peppers, Creed e… Avril Lavigne! E o DJ daquela arena botou muita música do álbum de estreia dela, “Let Go” (quando ela ainda era boa) durante aquela espera toda, o que só aumentou minha nostalgia (foi a única coisa boa que aquele cara fez, porque era uma música pior que a outra tocando, salvo algumas exceções). Pra melhorar esse clima: carreguei minha mãe e minha tia junto comigo. Essas duas foram as grandes responsáveis por construir o meu gosto musical – e eu devo muito a elas.

Crédito: Terra

Enquanto esperava pelo início do show, comecei a observar o ambiente ao meu redor. Estar na Arena Anhembi de novo (a primeira vez que estive lá foi para levar minha irmã no show da Miley Cyrus) só reforçou a minha opinião de como aquele lugar precisa de uma reforma urgente na infraestrutura. Existem somente três setores: pista comum, pista premium e, vez ou outra, camarote. O problema é que tudo é meio mal localizado: o camarote fica na lateral, ao lado da pista comum; e a distância que separa essa pista da premium, com uma grade bem podre, é enorme a ponto de caberem muitas outras pessoas além daquele vão por onde circulam os seguranças. Tudo naquele lugar parece ter um aspecto meio “largado”.

Além disso, a localização da arena não é das melhores: transporte público naquela região do sambódromo, na zona norte de São Paulo, é um verdadeiro inferno! O que só reforça ainda mais a ideia de que precisamos de investimento com transporte (reformar estádios e arenas também seria uma excelente ideia para dar suporte a esses tipos de evento. Mas não esqueçamos que esse dinheiro está sendo utilizado na construção do Itaquerão, que tem uma localização péssima e ainda por cima só abrigará jogos. Vai tomar no cu…).

Passada essa divagação toda, vamos ao relato: a chuva praticamente não deu trégua naquela noite. A arena, aos poucos, foi completada por cerca de 32 mil pessoas. Digo aos poucos porque até na metade do show ainda tinha gente chegando (trânsito, talvez? Enfim…). O grupo viria a subir no palco com apenas 15 minutos de atraso (sim, porque 15 minutos é luxo perto das coisas que a gente vê nos shows desse país). Steven Tyler, Joe Perry e companhia entraram animados e com seus figurinos espalhafatosos, soltando “Draw the line”, “Same Old Song and Dance” e “Mama Kin”, clássicos dos anos 70. Pra quem estava preocupado com o estado físico do vocalista Steven Tyler, uma surpresa: mesmo depois da improvável queda no banheiro de um hotel no Paraguai (que resultou em hematomas no rosto e dois dentes quebrados), Steven apresentava uma energia impressionante, fazendo danças malucas e interagindo com a plateia com algumas palavras em português. Isso tudo no alto de 63 anos, acompanhados de uma voz impecável.

Crédito: Terra

O público se animou mais ainda ao som de “Janie’s Got a Gun”,  com as pancadas de Joey Kramer, seguida da excelente “Livin’ on the Edge” e um incrível solo de bateria. “Amazing” também empolgou, mas o melhor momento se deu com “I Don’t Wanna Miss a Thing”: a trilha sonora de “Armagedon” é bem conhecida até por quem não é tão fã de rock and roll, e está presente em muitas festas de 15 anos e casamentos. Mesmo com a orkutização da música, foi emocionante ver a arena inteira cantar em coro e se emocionar com a bela voz de Steven.

O primeiro “ato” do show foi encerrado com “Cryin'” e “Sweet Emotion”. Após uma breve pausa, a banda retorna ao palco com “Drem On”, tida pra mim como uma das melhores músicas da carreira deles. Foi onde a voz de Tyler chegou ao ápice da perfeição, com os gritos agudos que marcaram seu estilo de cantar. “Love in an Elevator” voltou a deixar a platéia mais “dançante”, mas o que mais viria a animar o público nesse aspecto foi “Walk This Way”. Certamente que a banda deve agradecer sempre ao grupo de rap RUN-D.M.C pela parceria que viria a reergue-los depois da decadência causada pelas drogas.

Crédito: Terra

Em um momento de improviso, a banda atendeu aos pedidos dos fãs e tocou “Angel”, que ficou fora do repertório dos shows por muitos anos (e emocionou minha tia, que ficou agradecendo o tempo toda pela oportunidade de ver os caras. Fofa!). Encerrando mais uma apresentação no país, a banda se despediu prometendo um disco de inéditas depois de 10 anos sem nenhum lançamento.

Algumas coisinhas faltaram nesse show: não senti uma empolgação tão grande do público, apesar de muitos cantarem em coro. Quer dizer: estava muito bom e muita gente foi ao delírio, mas você sabe que não foi esse o melhor público que já presenciou tudo aquilo de perto. Talvez essa pequena apatia se deu com a chuva e a péssima localização da arena (ou talvez eu só seja extremamente exigente mesmo. Será?). Quanto à banda: porra, cadê “Jaded”, “Girls of Summer” e “Crazy”? Eu me senti empolgada em acompanhar outros shows deles (até porque eu amo a banda), mas isso aí foi imperdoável!

Ao deixar o país, Steven Tyler mostrou mais uma de suas excentricidades: levou na bagagem uma boa quantidade de uniformes de garçons brasileiros. O cara gostou tanto dessas roupas que quer usá-las como figurinos nos próximos shows. Como não amar?

Crédito: Terra

OBS: tô atrasando muito os posts, mas é por pura falta de tempo. Mas posso garantir que o meu relato sobre o Pearl Jam (pra mim, a melhor banda do mundo e o melhor show de todos os tempos) vai ser bem mais competente, com direto a fotos que eu mesma tirei (fiquei pertinho, gente, foi lindo!).

SET LIST:

Draw The Line
Same Old Song And Dance
Mama Kin
Janie’s Got A Gun
Livin’ on the Edge
Drum Solo
Rag Doll
Amazing
What It Takes
Last Child
Combination
Stop Messing Around
I Don’t Want To Miss A Thing
Cryin’
Sweet Emotion
Bis
Dream On
Love in an Elevator
Walk This Way

Bis
Angel
Train Kept A-Rolling

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2 Comments Add yours

  1. Adorei!
    Esse show foi incrível! O set foi demais, e eles abriram com a melhor música de todas! *-*
    Eu ainda preferi o de 2007, mas esse foi daqueles shows que podem MESMO entrar pra lista de melhores do ano!

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