Crítica de Cinema: Rock in Rio 2011 – Sétimo e último dia

E eu finalmente consigo publicar minhas impressões sobre o último dia, concluindo aqui a análise sobre esses sete dias de música. Já pode comprar os ingressos pra 2013?

PALCO SUNSET

Crédito: Terra

O palco Sunset foi marcado por boas apresentações, como Mutantes e Marcelo Camelo – apesar de nenhum deles me deixar verdadeiramente histérica. Fiquei bem animada ao ver os Titãs tocarem mais uma vez, mais não teve jeito: o melhor Palco Sunset desse festival foi no terceiro dia. Aliás, já posso eleger os melhores shows desse palco durante todo o festival – baseado em tudo o que escrevi:

1- Tarja Turunen e Angra
2- Joss Stone
3- Matanza e B. Negão
4- Mike Patton/Mondo Cane e Orquestra de Heliópolis
5- Sepultura e Tambours du Bronx
6- Baile do Simonal, Diogo Nogueira e Davi Moraes.

PALCO MUNDO

Detonautas

Crédito: Terra

Apesar de não gostar muito da banda, tenho que reconhecer que o show deles foi muito legal: tocaram músicas muito conhecidas, como “Quando o Sol se for”, “Olhos Certos” e “Outro Lugar”, que empolgaram o público e foram bem cantadas. Além disso, os caras tinham bastante carisma – que resultou num segundo protesto anti-Sarney do evento.

O ponto mais forte do show dos caras foi o cover de “Metamorfose Ambulante”, do Raul Seixas, que agradou muito o público. Após uma bela recepção da plateia, a banda encerrou a apresentação com “Smells Like Teen Spirit” tocando ao fundo, para delírio dos fãs de Nirvana. Deixaram o palco felizes e emocionados.

Pitty

Crédito: Terra

Muitas pessoas que eu conheço criticam a Pitty por razões que eu desconheço. Novamente entro na questão de que ninguém é obrigado a gostar de nada, mas eu já vi muito discurso patético e preconceituoso pelo fato de ela ser uma mulher no rock nacional. Tudo besteira.

Apesar de achá-la uma artista completa (ela é inteligente, compõe todas as músicas e sua banda tem bastante peso), fiquei com a sensação de vazio nesse show. Não sei, parecia que ela se sentia desconfortável no palco. Apesar disso e de sua falta de interação com a plateia, devo dizer que ela foi muito feliz na escolha do repertório: uma pancada de músicas bem conhecidas do público, como “Admirável Chip Novo”, “Anacrônico” e “Equalize”, que agradou muito à multidão. De quebra, ainda foi chamada de gostosa. E agradeceu, fazendo graça. Além disso, arriscou um cover de Roberto Carlos: “Se Você Pensa” numa versão mais rock.

Encerrando sua apresentação com “Máscara”, Pitty aproveitou a deixa dos Detonautas e tocou de verdade “Smells Like Teen Spirit” – com um pouco menos da empolgação de Cássia Eller em 2001. Foi bem recebida, mas vamos combinar que esses caras estavam brincando com fogo: Axl Rose já estava deixando o povo louco. Imagina se ele pega birra de tanto Nirvana no palco Mundo…

Evanescence

Crédito: Terra

Antes de tudo, queria deixar bem claro: eu amo o Evanescence. Não foi aquela coisa momentânea provocada pelo sucesso da banda em meados de 2003/2004: acompanhei o trabalho deles desde então, e conheço quase todas as músicas – inclusive aquelas dos EP’s. Acho a voz da Amy Lee incrível e adoro esse jeitão todo cênico dela de cantar. Ela tem uma relação muito bonita com a sua música, refletida em gestos e expressões. Além disso, toca piano como ninguém e é responsável pela composição de todas as músicas.

Assisti um show deles em 2007 aqui em São Paulo. Apesar de ter gostado muito da apresentação, achei que Amy ficou devendo no quesito “interação” com o público. E o que eu temia acabou acontecendo no Rock in Rio: ela pouco conversou com plateia.

Outra coisa que me desagradou um pouco: a quantidade absurda de músicas novas, que esfriaram um pouco as coisas apesar de todas serem muito boas. A combinação do instrumental de peso com a voz melódica de Amy Lee prevaleceu durante a apresentação, mas o que realmente chamou a atenção do público foi “My Immortal”, cantada intensamente. E ainda provocou lágrimas em muita gente.

O novo single “What You Want” abriu a apresentação, seguida de “Going Under” – ponto pra eles, pois foi uma bela sequência. Os melhores momentos do show foram deixados para o final, com “Call Me When You’re Sober” e “Imaginary”. A voz de Amy, infelizmente, mostrava falhas: desafinou em algumas músicas e mostrava dificuldade em conciliar canto e respiração.

Por último, o single que alavancou a carreira do grupo e fez um sucesso estrondoso: “Bring Me to Life”. Apesar do coro perfeito da multidão, o que era pra ser um tipo de dueto ficou vazio. Senti muito pela expulsão de John LeCompt, que fazia a segunda voz.

Espero mais dos próximos shows. Potencial é o que não falta.

System of a Down

Crédito: Terra

Olha eu de novo querendo quebrar o apartamento… Deus sabe como eu fiquei feliz com a volta do SOAD (e ao mesmo tempo triste de não ter conseguido comprar nenhum dos ingressos para os shows deles no Brasil). Não tem muito o que falar: adoro as músicas, e acho incrível o tanto que eles brincam com timbres de voz.

A pancada começou com “Prison”, seguida de “B.Y.O.B” – pra mim, uma das melhores do grupo. A banda não deixava o público respirar em nenhum momneto: era pauleira atrás de pauleira, arrancando bate-cabeças violentos.

“Hypnotize”, “Question” e “Lonely Day” foram responsáveis por quebrar um pouco essa vibe. Mas bem pouco mesmo, já que Serj interagia com a plateia induzindo-a à loucura. Em um dado momento, com seu discurso anti-político, deu lugar para Daron Malakian causar polêmica ao acender um baseado no palco. E que se foda o falso moralismo!

As melhores músicas tocadas foram “Chop Suey”, um clássico da carreira da banda que levou o público ao delírio, e “Toxicity”, provocando gritos raivosos em “DISORDER, DISORDER!”. Outros ótimos momentos vieram com a linda “Aerials”, “Cigaro”, cuja letra “fofa” fala de “pau” e “merda” o tempo todo, e “Vicinity of Obscenity”, um dos maiores exemplos de como o SOAD brinca com timbres de voz e ritmos diferentes na mesma música. Chega a ser uma perfeita união de músicas bem feitas atreladas a uma certa dose de bom humor. Aliás, tá lançado o desafio: quem consegue cantar o refrão “BANANA BANANA BANANA BANANA TERRACOTA TERRACOTA PIE” perfeitamente de primeira? Isso é quase um trava-línguas.

O único contratempo foi a baixa qualidade do som: a guitarra ficou um pouco abafada. E convenhamos: aquela camisa engomadinha do Serj não estava ornando com a música, né…

Enfim, mais um ótimo show que me deixou com vontade de ter visto o festival de perto. E, claro, mais uma dorzinha no pescoço no dia seguinte.

Guns N’ Roses

Crédito: Terra

Não sou a melhor pessoa pra falar de Guns N’ Roses, afinal nunca fui grande fã deles. Mas a realidade é que os fãs mereciam um grande troféu por esperar tanto tempo pela apresentação da banda na madrugada de um domingo e, ainda por cima, debaixo de chuva.

O susto começou com o atraso de Axl Rose, que não veio no mesmo avião que os outros integrantes da banda e não dava sinal de vida há poucas horas da apresentação. Imagina o pânico dos organizadores ao cogitarem uma desculpa pra dar aos fãs sobre um possível cancelamento. Passado o susto, veio outro grande contratempo: a chuva, que atrasou o show em mais de uma hora e meia – motivando Axl a fazer uma brincadeirinha com o público, desejando “Bom Dia” pra todo mundo.

Mesmo isso não foi capaz de espantar a quantidade absurda de gente que se espremia na arena para conseguir ver a banda de perto. Mesmo sem a ilustre presença do cara que, para mim, é a verdadeira estrela da história do Guns: Slash.

Minha primeira reação quanto ao show deles foi o espanto: 39 músicas era muita coisa no set list! Segundo: eu jurava que o Guns não ia dar conta da multidão após a pancadaria do System of a Down, até porque eu já tinha certeza que a voz do Axl não ia estar muito boa. Mas fã é fã: aguentaram tudo e mostraram a paixão por eles assim que “Chinese Democracy” começou a ser tocada. Histeria total.

Durante toda a apresentação, a banda se mostrou um pouquinho atrapalhada na hora de tocar. E Axl realmente não aguenta o tranco: respira com extrema dificuldade e desafina absurdamente. Também não é pra menos: é um dos maiores exemplos de gente que “embagulhou”, como diz a Katylene. Como aquela coisa linda e ruiva que fez sucesso no começo da carreira com a voz aguda e potente foi ficar tão esquisita e gorda?! (muita droga na veia, eu sei). E aquela capa de chuva amarelíssima com aquele óculos e aquele chapéu? Senhor!

Mesmo assim, o grupo levou o público ao delírio com músicas como “Welcome to the Jungle”, “Sweet Child O’ Mine”, “Patience”, “November Rain” (pra mim, a melhor deles), entre outras. A apresentação não foi lá muito boa, e Axl quase me matou de rir com as dancinhas esquisitas que fazia no palco. O que salvou a banda foi o público fiel e apaixonado.

CONCLUSÕES

Apesar de, no início, não ter concordado em trazer tantos artistas de estilos tão diferentes do rock (que leva o nome ao festival), concordo que foi um evento que quebrou fronteiras. Muitos artistas surpreenderam, independente do tipo de som que tocam. Em entrevista ao G1 durante a cobertura do festival, o maestro Carlos Prazeres definiu bem que não existe um estilo de música que se sobreponha a outro. Existe, sim, música boa e música ruim. A partir disso, podemos concluir que muita gente é boa naquilo que faz, o que resulta em shows muito bons e completos.

Antes, pensava que não ficaria com muita vontade de ir no festival, a não ser no segundo, terceiro e último dia. Mas a realidade é que me bateu a vontade de ir em todos os shows só pra acompanhar de perto aquilo tudo. Estar no lugar é outra história, né? Sem dúvidas, vou fazer de tudo pra ir em 2013!

Agora, vou eleger os melhores e piores shows do palco mundo. A escolha é bem pessoal, mas tentei avaliar o combo qualidade do grupo/artista + recepção do público.

Melhores:

1- Metallica
2 – Coldplay
3- Slipknot
4- Maroon 5
5-  System of a Down
6- Stone Sour
7-  Motörhead
8- Red Hot Chili Peppers
9- Shakira
10- Capital Inicial

Piores:

1- Ke$ha
2- Cláudia Leitte
3- Jota Quest
4- Snow Patrol

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s