Crítica Musical: Rock in Rio 2011 – Sexto Dia

Tá tudo bem atrasado, mas vamos lá. Mais um dia de pop rock do festival, e eu pagando minha língua outra vez. Deixo claro desde agora que eu não vi nada do palco Sunset (deu uma preguiça danada), mas uma banda do palco Mundo, em particular, me fez mudar completamente meus conceitos iniciais sobre ela.

Frejat

Crédito: Terra

O que dizer dele? Foi uma apresentação boa, mas sem exageros. O cantor mostrou que sua voz ainda é potente, mas pecou um pouco na interação com o público. Claro: é sempre bom ouvir os clássicos que fizeram sucesso na voz de Cazuza, como “Bete Balanço” e “Exagerado”, que levaram o público ao delírio. “Por Você” e “Puro Êxtase” também empolgaram os fãs, além do cover de “Réu Confesso”, do Tim Maia. Aliás: acho que todas as músicas do Tim Mais ficam melhores nas vozes de outras pessoas.

Olhando para o seu jeito de cantar e conversar com a plateia, tudo o que pude concluir é que Frejat deve ser muito tímido como pessoa. E isso é uma bobagem no palco: a plateia estava ganha, faria tudo o que ele pedisse e responderia com louvor.

Skank

Crédito: Terra

Tá aí: outra banda que me irrita profundamente e acabou sendo selecionada para o palco Mundo do festival. Tudo bem: o Skank é bem menos irritante que o Jota Quest pra mim, pois algumas de suas música ainda me induzem a cantar. Além disso, os caras se mostram confiantes no palco e ainda interagem com o público a ponto de fazê-los pular e cantar com suas músicas. Em suma: o show foi um verdadeiro karaokê a céu aberto.

Creio que a mais cantada e ovacionada pela plateia foi “Futebol” (logicamente, pois é de longe a melhor música de toda a carreira deles). Hits mais recentes como “Vou deixar” e “Vamos fugir” mantiveram a animação do público, até o show se dar por encerrado com “Saidera”. Um título meio clichê, mas que fechou bem a apresentação.

Maná

Crédito: Terra

A reação de grande parte das pessoas que eu conheço ao ouvir o nome de quem tocaria no palco antes de Maroon 5 e Coldplay foi: “Maná?! Quem?!”.

Eu fiquei com um pouco de dó: o público não conhecia muito, mas eles estavam visivelmente felizes de tocar ali. Talvez a decisão mais acertada seria selecioná-los para o Palco Sunset ao lado de algum artista nacional equivalente e de maior reconhecimento do público. Seria uma boa forma de apresentar melhor o trabalho dessa banda mexicana (tequila!), marcado sobretudo por baladas românticas, para aqueles que nunca tinham ouvido falar deles.

Os pontos mais altos do show foram “Corazón Espinado”, já tocada numa parceria com o guitarrista Santana, e “Vivir Sin Aire”, tocada incansavelmente em uma das novelas da Globo: “Mulheres Apaixonadas”. A reação foi quase a mesma para grande parte das pessoas que estava ali: “Ah, essa eu conheço!”, diziam seus rostos surpresos.

Não é lá algo que me agrade muito, mas é uma banda bem fofinha.

Maroon 5

Crédito: Terra

Era a banda que eu mais queria ver no palco naquele dia, até então. E meu Deus: como pude me esquecer de Adam Levine na lista dos meus 20 “homilindos” do rock? O cara é sensacional! Aquela carinha de bravo, aqueles braços tatuados…

O grupo abriu o show com “Moves Like Jagger” colocando todo mundo pra dançar, seguida de “Harder to Breathe” e o hit “Sunday Morning”, que dá uma flertadinha com o blues. Achei que fosse sentir falta da participação da Rihanna em “If I Never See Your Face Again”, mas Adam brinca tanto com os timbres de voz que ele sozinho acabou sendo mais que o suficiente (e bota suficiente nisso!).

Uma das principais razões de eu gostar tanto do Marron 5 é que suas músicas trazem alguns elementos que transformam todas elas em algo sugestivo. Prova disso são os clipes sensuais, como o de “Wake Up Call”. Mas não só disso vive a banda: baladas românticas como “Won’t Go Home Without You” embalam casais – e foram cantadas perfeitamente pelo público.

Quando a introdução de “This Love” foi tocada, gritos absurdamente histéricos (e de certa forma comemorativos) ecoaram pelo lugar, dando início a um dos coros mais fortes e bonitos de todo o festival: o público não deixou de cantá-la nem um minuto. A banda não escondia a animação, refletida no próprio vocalista que sempre interagia com a plateia – e ainda provocava gritos femininos enquanto andava de um lado pro outro do palco. Totalmente compreensivo, né…

Crédito: Terra

Mas o melhor momento do show ainda estava por vir: “She Will Be Loved” começou a ser tocada num ritmo que lembrava muito a nossa MPB. Adam Levine ainda dividiu a plateia no fim do show, fazendo com que cada lado cantasse um trecho diferente simultaneamente: “Idon’t mind spending everyday; Out on your corner in the pouring rain” e “She will be loved”. Foi lindo!

Acabou entrando para a lista de um dos melhores shows do festival.

Coldplay

Crédito: Terra

Lembra de quando eu falei no começo do post que uma banda me fez mudar completamente meus conceitos? Então, foi o Coldplay. Aliás, eu nunca mudei tão rápido de opinião sobre uma banda na vida.

Nunca fui fã deles, embora tenha algumas músicas que tivessem chamado minha atenção há anos atrás, como “Clocks” e “Trouble”. Eu tinha para mim que era uma banda sem peso e muito melancólica, que até chegava a me dar tédio. Mas foi só o Chris Martin subir no palco do Rock in Rio pra eu pensar o contrário.

Carismático e alegre, o vocalista voltou a atenção da plateia totalmente para si. Aliás, eu só conseguia pensar: gente, o que esse cara tomou? Ele estava alucinado! Corria de um lado pro outro, pulava… E não sossegava nem mesmo ao sentar para tocar piano. Em um dado momento, inclusive, chegou a cair no palco, disfarçando o feito com uma cambalhota. É.
E sabe o que é mais bizarro? A voz ainda saía PERFEITA. Vai entender…

Abriram o repertório com “Hurts Like Heaven”, seguida de “Yellow”, um clássico que provocou um belo coro e ainda botou todo mundo pra pular. Aliás, o público do Coldplay me pareceu ser daqueles muito apaixonados: cantam todas as músicas como se sentissem que elas as tocam na alma. É bonito de ver aquela energia toda, aquela emoção.

“In My Place” serviu para eu colocar no meu cérebro de vez o quanto eu estava surpresa com eles. E acreditem: por mais duro que pareça ser, é ótimo saber o quanto os seus conceitos sobre algo estavam errados – o que era tido como ruim, na verdade é muito bom. Pra mim, o melhor momento foi quando tocaram a nova música de trabalho, “Paradise”. Gente, que música maravilhosa!

Fizeram parte do set list também a bela “The Scientist” (que já me fez chorar várias vezes, pois me remete a um comercial antigo sobre crianças com câncer), “Viva La Vida” (com aquele coro “ooOoOOOOOOO” – *escrever isso é uma bosta*) e “Life Is For A Living”. Martin não só interagia muito bem com sua banda no palco, mas também com a plateia: cantou um trecho do clássico “Mais Que Nada”, que levou todo mundo ao delírio, e de “Rehab”, da Amy Winehouse. E o público respondia cantando forte: “NO, NO, NO!”. Desculpando-se pelo “português horrível”, Chris fez questão de se comunicar algumas vezes no idioma como ao perguntar se estavam se divertindo em “direita”, “esquerda”, “fundão” e “frente”. Achei fofo.

Após uma pausa, a banda retoma o show com “Clocks” e a triste “Fix You”, que foram cantadas impecavelmente. Encerraram com chave de ouro a bela apresentação ao tocarem “Every Teardrop Is A Waterfall”, me motivando a colocar mais de suas músicas no meu celular.

Parabéns, Coldplay, por mudarem meus conceitos e me convencerem de que são bons.

Crédito: Terra
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