Crítica Musical: Rock in Rio 2011 – Quinto Dia

Atualizando aos poucos a gente chega lá né… Esse dia foi bem eclético musicalmente e me trouxe mais surpresas do que eu estava esperando.

PALCO SUNSET

Crédito: Terra

Assumo: o Palco Sunset me deu uma verdadeira preguiça. Se estivesse na “Cidade do Rock” nesse dia, certamente ia dar umas voltinhas pra tomar umas cervejas e andar nos brinquedos.  E olha que os encontros podiam ser memoráveis, heim? A Céu é uma boa cantora, Cidade Negra já foi uma boa banda, Martinho da Vila é uma figura dentro do samba e Emicida está em forte (e merecida) ascensão. Mas sabe quando você sente que falta alguma coisa que te cative?

E o Toni Garrido tinha que fazer graça né? Gritar pro Flamengo no meio do show. Pra que e por quê, Brasil?

O último encontro, no entanto, arrancou um bom sorriso do meu rosto. É que a banda espanhola Macaco me cativa em grandes proporções. Primeiramente porque é uma mistura de idiomas (espanhol, inglês, português, francês…) e ritmos absurda (você encontra reggae, pop e até rumba). Segundo pela presença de palco de todos os integrantes. Terceiro, bem, é óbvio: a música é boa mesmo. A que mais fez sucesso foi “Moving”, com alguns artistas fazendo ponta no videoclipe (entre eles, Javier Barden e o cantor Juanes). A versão deles para “Monkey Man”, de Toots Hibbert, é muito bacana também. Eu inclusive acho melhor que a original, mas enfim…

O grupo subiu ao palco ao lado do Monobloco (e teve, ainda, a participação de Pepeu Gomes). Apesar de tocarem boa música, sofreram com um dos problemas mais decorrentes no Rock in Rio: parte da plateia saiu para ver o show de Marcelo D2 , que acontecia simultaneamente. Sacanagem, pessoal!

PALCO MUNDO 

Marcelo D2

Crédito: Terra

Os anos passam e eu não consigo deixar de gostar desse cara. Principalmente por compôr sem ter medo de se expressar.

O público o recebeu bem naquela noite do festival: músicas como “Vai vendo” e “À procura da batida perfeita” eram cantadas  alegremente. Como era esperado, seu filho Stephan subiu ao palco para cantar ao seu lado.

“A maldição do samba”, “Desabafo” entre outras músicas selecionadas no repertório mantiveram uma boa “vibe” na plateia.  O melhor momento do show foi quando Fernandinho Beat Box subiu ao palco para fazer várias vozes de músicas de diferentes artistas, como Deep Purple (“Smoke On the Water”), White Stripes (“Seven Nation Army”), U2 (“Sunday Bloody Sunday”), Michael Jackson (“Billy Jean”) e Queen (“We Will Rock You”). Foi ovacionado.

Na sequência, “Mantenha o respeito” agitou ainda mais a galera, contribuindo também pra trazer aquela sensação de nostalgia. Daquelas músicas pra cantar sem se preocupar com ninguém. De rasgar o verbo mesmo.

Encerrando a apresentação com “Qual É”, D2 deixou o palco com sua marca mais rap e menos sambista. Voltando às origens e mantendo o respeito que merece ter.

Jota Quest

Crédito: Terra

Não tem Cristo que consiga me convencer de que o Jota Quest é bom. Pode ser que agrade muitas pessoas por aí (o que não é o caso aqui por perto, pois ninguém que eu conheço curte), mas o fato é que eu os considero muito fracos musicalmente.

As músicas selecionadas para o repertório eram bem conhecidas do público, que cantava “Na Moral” (uma das mais insuportáveis do cenário do pop rock nacional) e “De Volta ao Planeta dos Macacos”. Muitos pulos e coros mostraram que eles tinham um certo respeito (tenho que reconhecer isso apesar da minha opinião negativa sobre eles).

Os pontos mais fortes do show foram as músicas feitas por outros artistas: “Além do horizonte”, originalmente cantada por Roberto Carlos, e “Ao seu lado”, composta por Nando Reis – e que encerrou a apresentação.

A resposta do público me leva a crer que eles foram uma boa escolha, mas eu não consigo gostar. Nem mesmo vê-los ao vivo no SWU 2010 conseguiu mudar esse meu ponto de vista. E nada me tira da cabeça que Rogério Flausino tem um certo desconforto ao subir no palco: sua presença é muito superficial.

Agora, vamos falar do que mais me irritou nesses caras: quem é o babaca que, em sã consciência, canta a música tema do Rock in Rio? Vergonha alheia!

Ivete Sangalo

Crédito: Terra

Eu assumo: desci a lenha com a escolha da organização do evento de selecioná-la para o palco Mundo do festival. Primeiramente porque acho que axé não combina com o evento – o que pode soar como uma verdadeira ignorância musical, mas esse estilo combina muito mais com as folias das micaretas do Carnaval (e eu detesto!). Segundo porque eu tinha quase certeza que o público pensava da mesma forma que eu, o que podia resultar nas temidas vaias (que eu tanto abomino).

Mas convenhamos: estamos falando de Ivete Sangalo. Por mais que eu não goste de sua música, tenho que reconhecer que ela é boa no que faz, além de ser engraçada e carismática com os fãs. Além do que, o axé de Ivete flerta com o pop, que fez com que sua carreira fosse respeitada ao extremo a ponto de levá-la ao posto de musa da música brasileira. Muitas pessoas podem não gostar dela, mas vamos concordar que ela tem um grande reconhecimento do público e da crítica.

Patético foi pensar que ela não daria conta do recado. Ao contrário de Cláudia Leitte, Ivete não fugiu de suas raízes: foi ela mesma desde a escolha do figurino até na performance. Emendou sucessos do início da carreira, como “Eva”, e hits atuais, como “Acelera aê”, botando a multidão para pular e cantar incansavelmente. Ainda aproveitou para tirar sarro do bordão de Christiane Torloni e falou no microfone: “Hoje é dia de suingue, bebê!”. Ouviram alguma vaia? Pois é…

Ivete ainda arriscou uma improvisação cantando e tocando “More Than Words”, clássico do Extreme. Trombou um pouco no inglês, mas nada grave: foi bem bonitinho, e sua ousadia resultou num bom coro da plateia.

A cantora baiana manteve sua palavra, dada antes da apresentação: não fugiu do que ela é só para agradar as pessoas. E fez bem.

Mas calma: o melhor de sua participação no festival ainda estava por vir…

Lenny Kravitz

Crédito: Terra

Eu gosto muito do Lenny. De verdade: eu adoro a voz dele, além de achar que ele tem músicas muito legais. Mas também penso que não foi lá uma boa ideia selecioná-lo para tocar nesse dia. Assistir a um show maluco de Ivete Sangalo e partir para o pop rock de Lenny Kravitz fez com que a plateia esfriasse.

Apesar disso, Lenny fez uma boa apresentação. Sua banda era muito boa e sua voz estava impecável. Só pecou um pouco na interação com o público – talvez por ele estar frio demais.

Os pontos altos foram seus hits mais conhecidos, como “American Woman” (inicialmente cantado pelos canadenses do “The Guess Who”) e “Fly Away”. Houve coro e aplausos da plateia.

Shakira

Crédito: Terra

Atração mais aguardada da noite, Shakira me surpreendeu em grandes proporções. Com um figurino bem simples (ao contrário de grande parte das artistas pop que cantaram no festival) e nenhuma bizarrice, a cantora SAMBOU na cara de quem apela para a vulgaridade para chamar a atenção. Os movimentos de dança do ventre, as expressões feitas enquanto canta e dança… Tudo contribui para transformá-la na verdadeira sensualidade em pessoa.

Hits do começo da carreira, como “Estoy Aqui”, animaram a multidão. Aliás, ela interagiu com a plateia o tempo todo – e ainda falava em português! Na música “Wherever Whenever”, inclusive, chamou algumas garotas para subir no palco e dançar a seu lado. Obviamente que nenhuma delas conseguiu reproduzir os ensinamentos com sua perfeição, mas foi lindo ver a alegria estampada no rosto de cada uma.

A mistura de sons em cima do palco reproduzia melodias que lembravam muito músicas ciganas. Vestindo uma saia típica da dança que pratica, levou o público ao delírio com um cover bem interessante de “Nothing Else Matters”, do Metallica (a música ficou com a sua cara). Logo em seguida, emendou “La Despedida”, onde sua emoção ficou bem evidente: cantou com a alma. Nesse meio tempo, ainda aproveitou para se aproximar do baterista que tocava à sua frente para dançar ao som dos batuques: praticamente interpretava sua dança.

Outros pontos fortes do show foram “Gypsy” (cadê o Nadal?!), “La Tortura”, “Loca” e “She Wolf” – esta com coros nos habituais “AAAAUUUUU”. Durante esse tempo, Shakira era acompanhada de duas belíssimas dançarinas. O destaque na banda também vai para a linda violinista, que toca pra caramba, e para o cara que substituiu Alejandro Sanz no dueto de “La Tortura”: voz alta e bem forte.
Plantão mulherzinha: muita ênfase no baterista: os traços meio latinos deram um resultado bem interessante. Sejamos claras e vamos desabafar: eu pegava!

Depois de uma breve pausa, Shakira retornou ao palco para o momento mais esperado da noite: chamou Ivete Sangalo, a quem se referiu “como uma verdadeira deusa”. As duas cantaram “País Tropical”, botaram toma mundo pra pular e protagonizaram um dos momentos mais históricos do evento.

Para encerrar, a cantora emendou os sucessos “Hips Don’t Lie” (novamente com o auxílio daquele cara malucão que canta pra caramba) e “Waka waka”. Uma verdadeira lição de como ser sensual sem apelações, e de como cantar em vários idiomas com música de qualidade. A musa pop do festival é latino-americana.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s