Crítica Musical: Rock in Rio 2011 – Quarto Dia

Mil anos pra conseguir postar aqui (isso tudo pela falta de tempo). Na última quinta-feira, o festival foi marcado por outros gêneros: pop, soul, jazz… Bem contrária à paulada do domingo anterior, mas que também trouxe coisas boas.

PALCO SUNSET

 

Crédito: Terra

 

A atração que mais me cativou no Palco Sunset, sem sombra de dúvidas, foi a inglesa Joss Stone. Aliás: não consigo encontrar uma justificativa plausível do porquê de ela não ter se apresentado no Palco Mundo, já que tem público e estrutura pra isso. Nunca consigo me acostumar com aquela voz poderosa: sempre me espanto quando ela se desprende daquela garganta potente. Vez ou outra, Joss faz um timbre mais rouco que me lembra a maior diva de todos os tempos: Janis Joplin. Quer dizer, como não admirar?

No repertório, músicas como “Super Duper Love” e “Right To Be Wrong”, que alavancaram a carreira da cantora, levaram o público ao delírio. Totalmente confortável no palco, interagia com as pessoas e ainda improvisava: cantava músicas que o público pedia sem nem ao menos olhar no set list.

Com aquela voz toda, não me contenho em dizer que Joss sambou na cara de todas as artistas pop que pisaram no palco Mundo (uma delas inclusive iria tocar naquela noite de maneira vergonhosa). E sem precisar de muitas trocas de roupa, figurinos mirabolantes e cenários absurdos, entrou com sua banda e fez um show impressionante com um único vestido longo, descalça e com os cabelos bagunçados. E linda!

Outra atração que me agradou bastante, por incrível que pareça, foi o Baile do Simonal com participações de Davi Moraes e do sambista bonitão Diogo Nogueira (que SEMPRE esquece as letras de algumas músicas e me mata de rir). O show misturou o samba com outros ritmos bem brasileiros, resultando numa fórmula bem nacionalista e deliciosa.

PALCO MUNDO

Concerto sinfônico Legião Urbana e Orquestra Sinfônica Brasileira

Crédito: Terra

De início, parecia uma apresentação memorável em homenagem a uma das bandas mais importantes do cenário do rock nacional. Apesar de não gostar de Legião Urbana, reconheço bem o papel desempenhado pelo grupo e não deixo de admirar Renato Russo como letrista. No entanto, o que se viu foi uma pequena bagunça musical: Rogério Flausino e Pitty, por exemplo, pareciam bem desconfortáveis em cantar as músicas e não achavam o tom nunca. Herbert Vianna mostrava que simplesmente não aguenta mais cantar. O ponto mais forte dos vocais, sem dúvida, foi o Dinho Ouro Preto. Convenhamos que o cara consegue agitar a multidão com o jeitão dele.

Os artistas ainda prestaram mais uma homenagem a Rafael Mascarenhas, vestindo uma camiseta com o rosto do filho de Cissa Guimarães.

O que eu mais gostei nisso é meio óbvio: a orquestra estava linda! Aliás, acho que quase tudo que você toque com orquestra fica bom. Eu disse QUASE, ok?

Janelle Monáe 

Crédito: Terra

Não conheço muito do trabalho dessa cantora, mas a considero uma boa aposta na música. Responsável por abrir os shows de Amy Winehouse no Brasil, houve quem dissesse que Janelle apagou ainda mais Amy – o que eu acho meio triste lembrando do que aconteceu recentemente à já memorável cantora inglesa.

Dona de uma voz bem curiosa e única, Janelle enlouqueceu no palco: junto com sua banda, realizou danças completamente malucas. Sua apresentação, marcada pela mistura de elementos do soul e do R&B, foi totalmente impecável – e com direito a um cover quase idêntico do Jackson 5, “I Want you Back”.

Ps: adorei ver a Janelle descendo na tirolesa do evento depois do show.

Ke$ha

Crédito: Terra

Me diz de quem foi a ideia de convidar a Ke$ha pra tocar no Rock in Rio que eu vou lá acabar com a raça do desgraçado (Oi, Medina!). Fala sério: como é que tem gente que ainda dançou com as músicas dessa mulher? Ela simplesmente não canta! É desafinada pra caramba e sempre recorre aos mixtapes pra camuflar suas falhas. Entendo que ela tenha seu papel de destaque em alguns casos: é uma boa compositora, por exemplo. Mas daí a querer ficar em cima de um palco enorme daqueles desempenhando um papel vergonhoso já é demais.

Fora que eu acho apelação demais criar aqueles figurinos LIXO e fazer aquelas performances: pra quê fingir que bebe sangue do coração de alguém? Se Alice Cooper fizesse isso, a gente entenderia como parte daquele rock teatral. O show dele pede isso, além do que ele canta pra caralho e faz um som sensacional. Mas uma artista pop do nível da Ke$ha deveria se preocupar mais com o fato de realmente cantar do que qualquer outra coisa. Não me conformo com o fato de que tinha gente dançando “Tik Tok” e “We Are Who We Are” loucamente enquanto aquela voz terrível ecoava pela arena.

Aliás, mais uma falha da organização: ela não combina com os artistas selecionados para a programação e ficou completamente deslocada. Deveria ter trocado de lugar com Elton John para dividir o palco com Katy Perry e Rihanna no dia pop.

Se ela fosse brasileira, certeza que uma série de vaias já teria sido devolvida como protesto a uma coisa de tanto mau gosto. Vai entender esse povo, né.

Jamiroquai

Crédito: Terra

Misturando elementos do jazz com música pop, o Jamiroquai resultou numa fórmula muito boa: músicas dançantes e bem cantadas para um público agitado e bem receptivo. Liderados por um vocalista carismático e meio louco (vide o cocar na cabeça que virou praticamente um uniforme), a banda fez uma ótima apresentação. Confesso que meus conhecimentos sobre Jamiroquai são muito escassos, praticamente nulos. Mas como grande parte dos artistas desse festival, os caras acabaram ganhando minha simpatia por causa do show bem feito. Vou procurar mais músicas deles: o som é realmente uma delícia!

Stevie Wonder

Crédito: Terra

Eu me diverti vendo aquela pancada de artistas entrando nos camarotes vips e se achando os verdadeiros cultos por estarem ali pelo Stevie Wonder. O pior é quando você percebe que a soberba em torno de tal fato não passa de uma verdadeira farsa: quase ninguém realmente conhece e gosta das músicas do cantor. Ou seja: ganhou ingresso pra assistir à apresentação e quer fingir que é fã do cara. Ai, honestamente: prefiro admitir que não conheço quase nada do trabalho dele a ter que pagar vergonha de fingir ser o que não sou.

Obviamente: Stevie é um cara talentoso que espanta qualquer um com sua voz potente. Como toda pessoa que adora música, me dei ao luxo de sentar e apreciar o show. Mas daí dizer que sou fã é hipocrisia demais, né.

Em suma: gostei e ponto. Ele é carismático, alegre e demonstra que gosta (e muito) daquilo que faz. Encerrou bem a noite.

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