Crítica Musical: Rock in Rio 2011 – Terceiro Dia

Depois de três dias (trabalho e faculdade consumiram parte do meu tempo), finalmente consegui escrever o post sobre o terceiro dia do Rock in Rio 2011! Aliás, desde que soube da programação do festival sabia que esse seria o melhor dia de todos. Com nomes de peso no cenário do rock, o dia do metal superou expectativas e entrou para a história!

PALCO SUNSET

Crédito: Terra

O Palco Sunset do dia promoveu os melhores encontros. Pra começar, o Matanza (que eu adoro) dividiu o microfone com o B Negão num show muito bacana, seguido de Korzus e The Punk Metal Allstars. Mas nada que supere a voz potente e lírica de Tarja Turunen, uma das melhores cantores da atualidade (e que ainda por cima é extremamente bonita e simpática!). Ao lado dos brasileiros do Angra, Tarja fez uma bela performance de “Wuthering Heights”, da cantora Kate Bush, fato que levou muitas pessoas da plateia às lágrimas. Além disso, o dueto de Tarja e Edu Falaschi em “The Phantom of the Opera” foi uma das coisas mais bonitas da noite. Depois de ver isso, me sinto no direito de fazer um desabafo: não entendo a perseguição que os fãs mais radicais da formação original do Angra têm com o Edu. O cara é realmente talentoso, tem uma boa voz! Conformem-se com o fato de que o André Matos buscou novos caminhos e deve seguir com eles daqui pra frente.

Depois foi a vez do Sepultura com o Tambours Du Bronx. A barulheira provocado pelo “olodum francês” (apelido carinhosamente dado pela minha tia) me deu a sensação de que toda hora tinha alguma coisa explodindo no palco, o que casou perfeitamente com o instrumental power do Sepultura e os guturais de Derrick Green. A banda tocou simultaneamente com o Glória, que se apresentava no Palco Mundo. O atraso do Sepultura foi uma tática proposital dos organizadores do evento para camuflar um pouco as vaias que se formavam na plateia (fato que já comentarei).

Apesar de contar com ótimas bandas, o Palco Sunset continua sofrendo com problemas no som, o que acaba prejudicando um pouco os artistas. Vamos ver como vai ser daqui pra frente…

PALCO MUNDO

GLÓRIA

Crédito: Terra

Antes de começar a discursar novamente sobre a grande porcaria que é vaiar (eu sou chata e insisto no assunto, sim!), vamos analisar um pouco da trajetória da banda. O Glória completa dez anos de estrada, assim como o NX Zero. Ou seja: isso não é qualquer coisa. Apesar de inclusive já ter contado com um dos integrantes do NX na formação (o guitarrista Gee Rocha já tocou no Glória, além de fazer os vocais limpos), o som que os caras fazem são diferentes. Na época que as duas bandas explodiram com o público, a moda emo ainda dava às caras, o que automaticamente fez com a parcela mais “ignorante” da população os colocassem no mesmo pacote. A moda passou e as bandas ficaram, cada uma evoluindo dentro do seu estilo.

A cada dia que passa, o Glória se distancia das letras mais românticas dos antigos trabalhos do grupo para entrar numa influência mais metalcore, com gritos cada vez mais potentes e um instrumental que não deve nada a ninguém. A qualidade do som melhora nitidamente, a ponto de se aproximar das bandas escolhidas para compôr a programação do terceiro dia de festival, como o Slipknot. A mistura dos guturais de Mi com a voz limpa de Elliot resultam numa fórmula bem interessante, que com certeza fariam um sucesso estrondoso com o público se as letras fossem cantadas em inglês. Sim, meus caros. Porque novamente afirmo que os brasileiros não sabem valorizar artistas nacionais: não gostar de um som, como eu disse, é direito de todos. Mas daí viver na completa ignorância já é demais.

Dramatizações e divagações à parte, o Glória fez uma grande apresentação. Abriram com “É tudo meu” pra dar aquele gás na plateia. Entre vaias e pessoas que circulavam pela pista, notou-se que uma boa parcela estava compenetrada em acompanhar o trabalho do grupo. Logo surgiu “Vai pagar caro por me conhecer”, uma das músicas que melhor define o estilo da banda. Tenho certeza absoluta de que muitas pessoas que vaiavam não queriam é dar o braço a torcer de que eles eram diferentes daquilo que se esperava.

Para conseguir cativar a atenção dos mais apáticos, o Glória apostou em duas estratégias bem sacadas. Primeira: teve a ousadia de fazer dois covers do Pantera, “Domination” e “Walk” – essa última a que mais deixou evidente a histeria dos apaixonados pela banda. Foram ovacionados: é tarefa impossível vaiar o Pantera.

Segunda: o solo de bateria do membro mais recente – o jovem e já muito experiente Eloy Casagrande. Um verdadeiro monstro das baquetas que levou o público ao delírio.
PLANTÃO MULHERZINHA: eu pegaria o Eloy. Fim.

Emendando sons próprios, como “Anemia”, “Sangue” e “Grito”, as vaias ficavam mais baixas e pouco incomodavam. Era coisa de quem realmente não tinha mais o que fazer… Encerraram a noite com “Asas Fracas”, fizeram um rápido agradecimento e deixaram o palco.

Apesar do risco, o Glória apostou em atitudes inteligentes: não causou com a plateia, emendou uma música atrás da outra sem dar muito tempo para os outros pensarem e não estenderam discursos: apenas agradeceram. Aposto na evolução deles.

COHEED AND CAMBRIA

Crédito: Terra

Vou confessar que não conhecia NADA do trabalho dessa banda, e me surpreendi ao ver que tinha muitas pessoas cantando junto com eles na plateia. Os caras tinham tudo pra me agradar, mas não foi o caso (o que eu acho realmente estranho). De verdade, não consigo encontrar uma razão específica pra isso. Pode ser que minha opinião mude mais pra frente – só pesquisando mais é que eu realmente vou saber.

Mais deixa eu compartilhar com vocês o meu espanto com o cabelo do vocalista: JESUS, o que era aquilo? O grande desafio do dia era conseguir visualizar seu rosto no meio de tanto cabelo, o que eu não consegui realizar com muito sucesso. Apesar disso, tanto ele como o guitarrista (que dá um auxílio nos vocais) possuem vozes bem interessantes. O ponto mais alto do show deles foi o cover de “The Trooper”, do Iron Maiden, que foi muito bem recebido pelo público.

MOTÖRHEAD

Crédito: Terra

Me condeno por não ter ido no show deles aqui em São Paulo: era uma das bandas que eu mais tinha curiosidade de ver de perto, muito pela história deles dentro do rock. Sem sombra de dúvidas que eles são referência para muitas bandas que estão começando hoje: dão uma verdadeira aula do assunto, sobretudo com o show que fizeram no último domingo. Ao entrar no palco, já sacaram “Iron Fist” para acelerar o público. Em seus 65 anos, é surpreendente que Lemmy Kilmister ainda tenha voz (ainda que ela saia mais rouca do que o habitual), além do que o cara é um exemplo de como deve funcionar a interação de um artista com seu público.

Depois disso, o que se viu foi um verdadeiro repertório legítimo de como a noite deveria ser: “Know how to die”, “Chase is better” entre muitas outra pancadarias que iniciaram as rodas mais perceptíveis de bate-cabeças na plateia do palco Mundo. Daqueles shows em que nada mais importa: só você e a música.

Obviamente que uma das mais famosas, “Ace of Spades”, foi guardada para o fim do show (com pedidos incansáveis do público). A única coisa que eu pensava era que, se estivesse lá, entraria em coma com a pancadaria que eu mesma ia provocar. Sei lá, essa música é uma das que mais despertam meu lado animalesco. Eu literalmente tenho vontade de quebrar meu quarto quando a escuto (vocês não sabem o quanto eu tenho que me controlar ao ouvi-la no meu trabalho…).

O show foi encerrado com chave de ouro: “Overkill” é a pura essência do que é o “rock fucking roll”, como diz o próprio Lemmy.

Só tem uma coisa que me deixa verdadeiramente chateada com o Motörhead: é saber que, não importa a esperança que eu tenha, jamais ouvirei a versão deles para “Hellraiser” num show aqui…

SLIPKNOT

Crédito: Terra

Eu perdi as contas de quantos palavrões eu falei nesse show. Do começo ao fim, desde quando eles entraram até uns vinte minutos depois do término da apresentação. Não tenho nem palavras pra explicar o quanto eu fiquei eufórica só de ver aquilo em casa (meus vizinhos que o digam: não deviam mais aguentar minhas imitações dos guturais de Corey Taylor). Imagina se eu estivesse lá…

O Slipknot já começou sacaneando comigo ao abrirem o show com “[sic]”. Mais uma vez, Corey Taylor mostrava como sua relação com a plateia é incrível. Sério: o cara tem o dom monstruoso de conduzir a multidão proferindo os maiores xingamentos possíveis. É de perder as contas a quantidade de vezes que ele fala “MOTHERFUCKER!”. Além do que, ter a capacidade de fazer todo mundo sentar pra depois pular é coisa pra poucos…

Crédito: Terra

“Eyeless” veio logo em seguida, dando a deixa para “Wait and Bleed”. Aliás, pura sacanagem: é uma das minhas favoritas deles e que ainda dá uma completa sensação de nostalgia dos meus doze anos de idade. Meus braços já estavam doendo de tanto imitar a bateria (imaginária) de “The Blister Exists” quando “Liberate” e “Before I Forget” apareceram pra complicar ainda mais a situação. Não contentes em transformar minha noite numa maluquice, eis que os caras me soltam essa sequência: “Pulse of the maggots”, “Left Behind” (sério, cara, não pode!), “Disasterpiece” e “Psychosocial”. A resposta do público era tão absurda que a banda mesmo não conseguia se controlar: Shawn parecia que ia levantar sua percussão e jogá-la longe, enquanto que a insanidade de Sid Wilson o levou a descer do palco e se jogar na plateia de uma altura de quatro metros.  “Holy shit!”, gritava Corey ao observar a cena.

Crédito: G1

Quando a introdução “The heretic anthem” ecoou pela arena, a situação fugiu de controle em casa: “If you’re 555 then I’m 666” e eu acordei todo mundo. Meu pai se aproximou pra dizer que estava com medo dos “mascarados”: “Isso parece um filme de terror!”.

Penso que uma das frases de “Duality” define muito bem o que se passava naquela noite: “All I’ve got is insane”, uma das que eu mais quero tatuar no corpo.   “Only One” e “Spit It Out” vieram na sequência e, já que tava todo mundo vendo o show junto comigo, não fazia mal testar os guturais outra vez em “People=Shit” né…

O encerramento se deu com “Surfacing”. E quando você pensa que a insanidade já estava completa com tudo aquilo (com os bate-cabeças ABSURDAMENTE violentos, inclusive), eis que Joey Jordison vira a bateria em 90° e continua a tocá-la “girando” no ar. Sério, cara: por quê você faz isso com a gente?!

Agradecendo a um dos melhores públicos pra quem eles já tocaram, o Slipknot deixou o palco no meio de abraços (muitos deles feitos em memória ao baixista Paul Gray, morto por overdose de morfina). Sem sombra de dúvida, um show histórico, o mais monstruoso que eu já vi – e que pode ser a deixa para outras apresentações (ouso dizer que abanda pode vir para uma turnê solo no ano que vem, como fez o Avenged Sevenfold depois de tocar para o público do SWU – e que fique bem claro que isso é aposta minha).

METALLICA

Crédito: Terra

E quando você acha que nenhuma outra banda poderá ser capaz de atingir o público da mesma forma que fez o Slipknot, eis que surge o Metallica e arranca os coros mais altos e perfeitos da arena. Aliás: foi a banda mais bem recebida pelo público em todos os dias de Rock in Rio. Clássico dos bons é outra história, né… Todas as energias que pareciam ter sido esgotadas da plateia são recarregadas como que num passe de mágica: bastou as luzes se apagarem para que as pessoas começassem a gritar enlouquecidas, e irem ao delírio com a primeira ser tocada numa apresentação que duraria mais de duas horas, “Creeping Death”.

Tenho para mim que o Metallica está nas primeiras posições no ranking de melhores bandas do mundo. É muita música boa, cara. Chega a ser absurdo! Aliás, eu não consigo me controlar: toda vez que James Hetfield começa a cantar eu sinto uma emoção tão grande que quase me faz explodir por dentro. Que voz é aquela, mundo?!

Acordada na madrugada de domingo (quando se tem que trabalhar no dia seguinte), eu literalmente apertei a tecla do foda-se e continuei a surtar: “Fuel” me deixou tão histérica que eu tomei até bronca para ter que me controlar e não acordar os vizinhos. Segui alucinada com “Ride the Lightning” e “The Nightmare Long”, até que eles inventam de tocar “Sad But True”. Coisa linda, viu…

Crédito: Terra

Quando eles começaram a tocar a introdução de “One”, um bolo se formou na minha garganta e eu tive que me controlar pra não chorar. É o segundo show do Metallica que eu perco, o que é lastimável! Tá que depois eu quase morri de torcicolo com “Master of Puppets”, né… Aliás: essa música também entra na lista daquelas que despertam meu lado animalesco. Não dá, cara, é muita vontade de quebrar as coisas, de bater em alguém…

E o que dizer de “Nothing Else Matters”? Das lembranças que eu tenho da minha infância, ouvindo rock no quintal da família, essa é uma das que mais me remetem aos velhos tempos. E foi a deixa pro clássico “Enter Sandman” matar de vez todas as esperanças que eu ainda tinha de dormir.

O “bis” se deu com “Am I evil”, “Whiplash” e a MARAVILHOSA “Seek and Destroy”, que encerrou a noite memorável (nesse meio tempo, ainda homenagearam o baixista Cliff Burton, morto em um acidente em 1986). Assim como o Motörhead, o Metallica deu a lição do que é o bom e velho rock and roll, a música de melhor qualidade. Ouvi-los te traz a sensação de que você está fazendo sexo com a música. É, literalmente, um orgasmo violento.

James Hetfield deu show de voz, carisma e todas as outras coisas que você possa imaginar. E novamente eu reforço minha teoria de que Lars Ulrich é um dos melhores bateristas de todos os tempos.

Crédito: Terra

Bom: depois de um post desses, é realmente nítido que tipo de música eu realmente gosto. Porque independente do gênero: apesar das brincadeiras que eu faço com meus amigos (que resultam em alguns xingamentos sutis por causa da divergência de opiniões haha), você deve ouvir aquilo que te toca sem medo de ser feliz. E é isso que me faz bem: LONG LIVE ROCK AND ROLL!

Ps: acordei com o pescoço bem dolorido no dia seguinte, mas valeu a pena.

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6 Comments Add yours

  1. laise says:

    peeeeerdi o show do metallicaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa ….

    adorei o blog^^

    1. palavrasemvertigem says:

      Brigada pelo elogio! Espero que continue acompanhando.
      Aqui o link do show do Metallica na íntegra: http://www.youtube.com/watch?v=ZPxopjhn_pY
      Beijos!

  2. Andressa says:

    Sinceramente,nunca vi bandas com tanto entrosamento com o público como o Metallica e o Slipknot! Os shows foram incríveis,mesmo eu não tendo conseguido ver direito o palco por causa da minha localização (e da minha altura) eu conseguia sentir a felicidade que as duas bandas estavam sentindo em tocar lá! Realmente o Corey tem esse dom de fazer todo o público se animar e fazer todos gostarem da banda mesmo sendo xingados a cada 5 segundos! hahaha Dia 25 foi,sem dúvidas o melhor dia do Rock in Rio! adorei o post e concordo com tudo escrito nele,parabéns! bjs

    1. palavrasemvertigem says:

      Eu também sofro bastante em shows: sempre fico na ponta dos pés e recorro aos ombros de alguns amigos em lugares maiores haha E as bandas foram muito boas mesmo, quero mais!
      Obrigada pelos elogios! Beijos.

  3. keithita says:

    Teu blog é excelente. Teus posts são ótimos e nota-se q vc tem um gosto muito bom pra música.
    Gostei muito do trecho q fala sobre o Glória.

    1. palavrasemvertigem says:

      Ai, brigada! Fico feliz de saber disso. Sempre tento escrever sobre bandas que eu gosto, conhecer coisas novas e extrair o melhor de casa uma delas. E é sempre bom saber quando as pessoas concordam com a gente.
      Beijos!

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