Crítica Musical: Rock in Rio 2011 – Primeiro Dia

Sempre tento compartilhar minhas opiniões sobre os mais variados assuntos. No caso do Rock in Rio estou tendo uma ousadia bem grande, pois não estou no lugar para presenciar o evento e tirar melhores conclusões. Pode ser que muitas informações fiquem vagas, sobretudo porque acompanhar o evento pela internet e, de vez em quando, pela televisão não tem o mesmo efeito que ver tudo de pertinho. Aliás, para deixar bem claro: estou dando prioridade para o Palco Mundo, pois acompanhar o Palco Sunset é ainda mais difícil. Claro que podem surgir algumas notinhas sobre o assunto de vez em quando, até porque é sempre bom fazer um esforço maior pra acompanhar coisas boas. Não foi muito o caso desse dia: queria ter visto o Andreas Kisser tocar, por exemplo, mas aguentar Ed Motta, Sandra de Sá e Bebel Gilberto… NÃO DÁ!

Agora chega de mimimi e vamos logo ao que interessa. Como perdi o show de abertura, contei com ajudinha mais do que bem-vinda da minha querida mãe (aficionada por música), que escreveu sua crítica sobre o assunto. Bora lá!

SHOW DE ABERTURA (PARALAMAS, TITÃS E ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA) E CLAUDIA LEITTE.
por Sonia Honorato

Crédito: Terra

Na noite pop do “ROCK IN RIO”, Claudia Leite bem que tentou se tornar uma cantora pop, porém forçou demais e fugiu de suas raízes. Até nas roupas e coreografias exageradas ela copiou as cantoras americanas.

Dentro do mundo do axé ela tem potencial: sabe cantar e tem carisma. O problema está justamente no fato de tentar ser outra coisa.  Sei que muitos artistas fogem do que realmente querem ser por conta da cobrança das gravadoras e do dinheiro – o que é ruim, pois acabam se tornando fake.

Em contrapartida, os artistas de verdade (que reconhecem seu talento e apostam no estilo próprio) mostram que não devem nada a ninguém. Os Titãs soltaram o rock que os consagraram no início de carreira e abalaram junto com os  Paralamas (apesar de eu achá-los mais fracos musicalmente) e com a bela Orquestra Sinfônica Brasileira. O ponto fraco desse show de abertura foi Maria Gadu, cuja voz não combinava com “Loirinha Bombril” (melhor ficar só no acústico mesmo) e  Milton Nascimento, que fez uma performance bem vergonhosa de “Love Of My Life”, do Queen. O bom é que mesmo isso não foi capaz de apagar o brilho dos Titãs.

Enfim, os artistas brasileiros, tem muito potencial: cada um no seu espaço, pois não há a necessidade de copiar ninguém. É, Claudinha: continua fazendo que você sabe fazer…

 

KATY PERRY

Crédito: Terra

Devo dizer que amei o cenário do show da Katy Perry! Além de ser fofíssimo, todos aqueles docinhos me fizeram querer correr pra comprar um cupcake.

O show dela foi composto por uma grande quantidade de trocas de roupas, mesmo tendo uma curta duração: perdi as contas de quantos figurinos excêntricos ela desfilou, principalmente na música “Hot N Cold” na qual utilizou um daqueles truques ilusionistas.

Katy interagia com o público o tempo inteiro, e se mostrou muito alegre em tudo que fazia. Aliás, o bom humor é o que sustenta as performances da cantora, que faz caras e bocas e interpreta suas canções de uma forma bem teatral. Antes de tocar “I Kissed A Girl”, chamou um garoto no palco para provocá-lo até quando pronunciava seu nome. Achei fofo quando ela disse “mimi”, gesticulando que queria um beijo na bochecha.

Coberta num figurino brilhante e estampado com a bandeira do país, Katy pegou o violão para tocar “Thinking Of You”, agradecendo ao Brasil por ter sido o único país no qual a música atingiu o primeiro lugar. O ponto alto da noite foi “Firework”, uma das mais cantadas pelo público, e onde a cantora aproveitou para chegar mais perto da galera, dando um trabalhinho a mais para os seguranças. “California Gurls” encerrou a noite, com uma chuva de doce (igualzinho ao que a bonitona faz no clipe com aquela arminha). Morri de rir ao ver os câmeras limpando a sujeira do rosto. Essa foi a hora que eu mais xinguei a Katy por ter ativado a minha vontade louca de comer doces.

O ponto fraco de Katy Perry são as desafinadas que ela dá de vez em quando, e que são bem perceptíveis. É complicado ver isso quando a voz da pessoa é o que mais deve ser valorizado. Acho perdoável porque é bem complicado conseguir dançar e cantar ao mesmo tempo. Nada que um pouco mais de experiência não resolva.

ELTON JOHN

Crédito: Terra

A qualidade de Elton John como cantor e pianista é indiscutível. O problema é que a organização pecou feio ao colocá-lo para tocar depois de Katy Perry e antes de Rihanna, pois a expectativa do público era por músicas agitadas e dançantes. Por mais que seja doloroso dizer isso, a apresentação de Elton foi um balde de água fria para quem esperava uma balada a céu aberto. Sem sombra de dúvidas: vê-lo tocar é uma bela experiência. Mas talvez fosse melhor encaixá-lo no dia que tivesse Janelle Monáe e Stevie Wonder. Ficaria com mais pena ainda se ele fosse encerrar a noite (como era esperado inicialmente), pois com certeza seria um pouco perceptível o abandono do público no local.
Enfim: pelo menos o cara estava verdadeiramente animado com sua apresentação.

RIHANNA

Crédito: Terra

Essa me surpreendeu em proporções grotescas. Primeiramente porque eu esperava que a voz dela fosse bem mais fraca ao vivo: não sei porque, acreditava que a Rihanna não daria conta de cantar para um público tão grande. Puro preconceito! Ela levou o dia nas costas, praticamente. Segundo: a performance dela e a ousadia como artista me deixaram de boca aberta. E que sensualidade, não…

O show começou com a animada “Only Girl”, que levantou o público e foi cantada num coro perfeito (de arrepiar). A partir daí, se deu uma sequência de hits conhecidos e animados, como “Shut Up and Drive” e “S&M”, que levavam o público ao delírio.

A cantora se mostrava extremamente feliz com a noite, dando um show espetacular de interação com o público. A balada “California King Bed” teve o refrão cantado o tempo inteiro somente pelo público, o que deixou a emoção da cantora bem evidente.

Em suas performances, Rihanna sempre surgia provocante: fazia gestos obscenos e rebolava, acompanhada de seus dançarinos (com os quais mostrou total confiança). O hit “Umbrella” encerrou a noite, com grandes agradecimentos.

Apesar de achar que um dia pop desvia totalmente da proposta inicial do festival (que fica bem evidente só no seu nome), devo dizer que fiquei bem surpresa com a apresentação dessas duas cantoras. Sempre presentes nas paradas de sucesso no cenário mundial da música, Katy Perry e Rihanna me fizeram ver um lado bom da música pop: a de artistas verdadeiramente competentes, que realmente cantam e compõem suas músicas, sem precisar de maiores efeitos na voz pra camuflar as falhas (desafinou, foda-se). O melhor de tudo foi ver a felicidade que as duas exalavam enquanto se apresentavam – não tem coisa melhor do que ver um artista que realmente acredita no seu trabalho. E o melhor de tudo: ainda se diverte com eles.

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